DAR – Desentorpecendo A Razão

Coletivo Antiproibicionista de São Paulo

Em entrevista à Revista Caros Amigos publicada recentemente, o jurista Nilo Batista apontou que para se entender o crime no Rio de Janeiro é fundamental a compreensão das especificidades das principais facções criminosas que atuam na cidade, e inclusive a forma desigual como se relacionam com o poder público. A mais tradicional delas certamente é o Comando Vermelho, organizado dentro dos porões da ditadura militar brasileira nos anos 1970. Para ajudar no entendimento da história desta organização (que não é assim tão organizada como apontam relatos de diversos estudiosos, como o delegado Orlando Zaccone, autor do livro Acionistas do Nada – para ele, a concepção de um crime organizado interessa muito mais à repressão do que àquelas que buscam entender a realidade), que hoje controla parte do tráfico de drogas no Rio, o DDD indica o curta-metragem Senhora Liberdade, documentário dirigido por Caco Souza e que apresenta interessante testemunho de William da Silva Lima, um dos fundadores do CV. O vídeo, de cerca de 18 minutos, pode ser assistido ao final deste post.

Caco Souza é também diretor do filme 400 contra 1 – a história do Comando Vermelho, que estréia nos cinemas em agosto, e é baseado no livro homônimo, escrito por William e publicado em 2001 (download do livro em formato doc aqui). Em Senhora Liberdade , William conta ao diretor as origens do Comando e dá um importante depoimento de alguém que conhece muito bem as condições do sistema prisional brasileiro. Ele aponta que o CV “não foi fundado, ele se criou, nasceu. Foi criado pela própria repressão, pela covardia, pelos espancamentos”, lembrando que a organização surge de prisioneiros que se articularam para garantir minimamente seus direitos dentro do presídio de Ilha Grande. Com a chegada de prisioneiros políticos ao local, houve troca de experiências organizativas entre os diferentes grupos, história que é contada no livro e que o filme também pretende mostrar.

“A cadeia fere, desagrega, é destruidora”, conta William. Infezlimente, não se vê muita ação para que esta situação tão antiga quanto grave seja minimamente alterada. Esperamos que o filme abaixo ajude a levantar essa reflexão:

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