DAR – Desentorpecendo A Razão

Coletivo Antiproibicionista de São Paulo

Folha de São Paulo, 24 de março

Em evento em SP, ministro Juca Ferreira (Cultura) e ex-presidente defendem abandono da abordagem proibicionista

Para ministro, o consumo de drogas não pode ser visto só na dimensão farmacológica; tucano defende corrente de opinião acima dos partidos

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Numa rara convergência entre representantes do governo Lula e tucanos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV), defenderam juntos a descriminalização das drogas. O pretexto foi o lançamento do livro “Drogas e Cultura: Novas Perspectivas”, organizado por Beatriz Labate e outros e financiado pelo MinC.

Tanto FHC quanto Juca Ferreira enfatizaram que a abordagem proibicionista, a “guerra às drogas”, fracassou e que é necessário mudar o paradigma, retirando o problema da alçada penal e adotando uma abordagem que Ferreira chamou ontem de “biopsicossocial”.
A ideia do ministro é que o consumo de drogas, que existe em praticamente todas as sociedades humanas, não pode ser visto de modo estanque ou apenas em sua dimensão farmacológica. Para ele, as drogas devem ser analisadas no contexto cultural em que ocorrem, o qual pode até mesmo modular os efeitos do fármaco nos indivíduos. Para ele, é preciso valorizar o papel das ciências humanas no estudo das drogas.

Já o ex-presidente ressaltou o perigo que a vinculação entre drogas ilícitas, tráfico de armas e política representa para a democracia. Também explicou por que se converteu à causa da descriminalização apenas depois de ter deixado o poder: admitiu que não tinha tanta noção da complexidade do problema e queixou-se da “terrível pressão” dos EUA e da ONU para que os países se embrenhassem na “guerra às drogas”.
Engrossaram o coro da descriminalização o antropólogo Edward McRae, co-organizador do livro, e o coronel Jorge da Silva, que descreveu sua trajetória de alguém que defendia -e aplicava- as teses proibicionistas até converter-se num advogado da despenalização.
Os participantes do evento -no Centro Cultural São Paulo, com a presença de representantes da prefeitura do DEM- também concor daram que o caminho para a mudança requer um novo consenso.
Para FHC, é preciso que surja uma corrente de opinião acima dos partidos. Segundo Ferreira, a própria cultura é o campo de negociação social. O fato de não haver na mesa nenhum adversário da descriminalização não parecia incomodar nem os participantes nem o público.

Categorias: Cultura, Eventos, Política

1 Comentário

  1. coletivodar disse:

    Não Helio, não nos incomodamos com a falta de defensores da proibição. Por não haver alguem dizendo que se descriminalizar a anarquia reinará, viciados invadiriam os shoppings, crack seria vendido como bala de goma, e que a maconha causa psicose. É que é muito dificil, dificil mesmo!, encontrar alguem razoavel para argumentar pela manutenção da proibicao das drogas. Se voce tiver alguma sugestao, nao deixe de nos avisar!


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