COLETIVO DAR
“Não imagine que seja preciso ser triste para ser militante,
mesmo que a coisa que se combata seja abominável.
É a ligação do desejo com a realidade
(e não sua fuga, nas formas da representação)
que possui uma força revolucionária”
Michel Foucault
CENA 1
Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo. Quinta-feira, 27 de outubro de 2011. Três estudantes da faculdade de geografia da USP são flagrados pela Polícia Militar preparando um baseado no estacionamento. Confiscam seus documentos pessoais e desejam levá-los para a delegacia. Um grupo de estudantes se mobiliza, cerca os policiais e os estudantes flagrados numa atitude de resistência à ação policial. A PM, então, chama reforço e desloca um enorme aparato (14 viaturas, dezenas de policiais e motos). Os estudantes resistem deixando claro que ninguém será levado à delegacia.
Os policiais lançam mão do armamento dito “menos letal” para tentar dispersar, sem sucesso, as centenas de estudantes que se juntaram em solidariedade. Tentam entrar no prédio da faculdade de Ciências Sociais em busca dos estudantes flagrados que se retiraram ali, mas são expulsos do prédio pelos estudantes. O confronto continua com bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta e balas de borracha. Os estudantes retrucam com paus e pedras e, após mais de 4 horas, a PM se retira do local. Os rapazes flagrados foram espontaneamente à delegacia e em seguida liberados, após assinar um termo circunstanciado pelo delito de porte de entorpecente.
O episódio é a gota d’água de um processo de ocupação intensiva da PM no campus da USP, desde a assinatura de um convênio há quase dois meses entre a reitoria e a PM para intensificar a “segurança”, após um estudante ter sido morto no campus. Desde então, relatos de revista dos estudantes, patrulha comportamental a casais gays e abordagens constantes sem justificativa em diversos espaços do campus (CRUSP, ECA, POLI, Letras, Biblioteca…) dão conta de que, como previsto pelo movimento estudantil, a PM não está na USP para garantir sua segurança, mas para ameaçar e coibir qualquer manifestação contrária às práticas e pensamento fascista, voltando-se contra os estudantes. Vale lembrar o ocorrido em 2009, quando a polícia invadiu a USP e transformou o campus numa praça de batalha, para reprimir uma greve de funcionários.
A iluminação no campus e a abertura para a comunidade em volta, fazendo deste um espaço habitado todo o tempo, com uma guarda universitária bem treinada, não terceirizada e com aumento no efetivo, seriam maneiras alternativas de melhorar a segurança no campus sem a sua militarização pela PM. Esta “operação saturação” no campus parece ser o que mobilizou e juntou centenas de pessoas, entre estudantes, professores e funcionários, no estacionamento da faculdade de história e geografia naquela noite.
A morte do estudante de ciências contábeis, na verdade, apenas serviu de pretexto para a instalação de uma política fascista que tomou força ultimamente na sociedade brasileira. O reitor Grandino Rodas, indicado pelo ex-governador José Serra, é criticado desde sua gestão como diretor da faculdade de direito do Largo de São Francisco por suas atitudes truculentas, por exemplo, ao convocar a tropa de choque para expulsar militantes do MST e estudantes do largo que promoviam um ato na faculdade. Sua gestão na reitoria, igualmente autoritária, é marcada pela absoluta falta de transparência, ausência de diálogo e aparelhamento da estrutura da universidade por setores reacionários.
É evidente que a PM não é bem vinda no campus da Universidade de São Paulo por aqueles que historicamente lutaram contra a ditadura militar e conquistaram a autonomia universitária. Como é sabido e o professor de história da USP Henrique Carneiro nos lembra, “A PM no Brasil é um entulho autoritário do período da ditadura militar, é uma polícia militarizada com foros privilegiados que se constitui na força policial mais violenta do mundo.” Vale lembrar que é uma instituição que, em seu site, manifesta orgulho de ter participado como órgão de repressão política na ditadura militar.
E o que as drogas têm a ver com isso tudo?
A política de guerra às drogas tem se revelado desde sua origem como artífice para perseguição de determinados setores da sociedade, justificada pelo discurso da segurança e saúde. Na onda da reorganização de setores neofascistas que temos assistido nos últimos tempos, o reforço das práticas e discursos punitivos encontram terreno fértil para se estabelecer. Assiste-se, então, a constituição de um Estado Penal, de um fascismo em trajes democráticos.
A reação estudantil à apreensão dos três colegas volta-se para a defesa da autonomia universitária e revela os desatinos desta política de segurança pública que tem na proibição das drogas o caminho para a intervenção punitiva e o controle político de corpos e condutas. O uso da cannabis ao ar livre, conduta que não afeta ninguém exceto quem a usa e que já não é punida com prisão pela lei brasileira, é prática disseminada há milênios entre milhões de usuários não apenas na USP, mas em todo o mundo.
O papel da polícia na coerção de práticas culturais recreacionais e de estilos de vida característicos da juventude e das camadas populares, a torna um veículo de distúrbio da paz social e uma fonte de corrupção devido às extorsões comumente praticadas contra usuários de substâncias ilícitas. É descabida a intervenção do estado na autonomia individual. Ahistória mostra que quando o Brasil criminalizou a cannabis, em 1830, visava coibir uma prática associada a escravos negros em rituais religiosos, o que escancara mais uma faceta desta política de drogas: ela é racista. Embora discursos reacionários e moralistas tentem difundir o proibicionismo por um mundo “livre de drogas”, sabemos que se trata de um artifício, de uma cortina de fumaça para esconder a questão de fundo, que envolve toda uma rede de interesses dos setores conservadores, representados pelo sistema financeiro, a indústria farmacêutica, a chamada indústria de controle do crime (armamentista e de segurança), e setores religiosos, etc.
Longe do que a imprensa marrom faz parecer, não se trata da defesa de um “território livre” fora da lei, mas de uma luta política contra o totalitarismo das forças de segurança contra certos grupos. O discurso midiático que tenta se mostrar como neutro (isento de ideologia) busca apenas legitimar esse avanço conservador sobre o território sempre resistente da universidade. Fenômeno este correlato ao que W. Reich observou em seu Psicologia de Massas do Fascismo: parte da população desejava o fascismo e constituiu o caldo fértil para a ascensão de Hitler na Alemanha.
Nesse sentido, lamentável a avaliação de parte da esquerda moralista no sentido de que ainda não é o momento para uma luta política sobre o tema das drogas. As drogas são o grande dispositivo de poder que viabiliza estratégias de guerra contra pobres, adolescentes, jovens adultos, punks, mulheres, gays, estudantes, grafiteiros, rebeldes e marginais do nosso tempo. O que aconteceu ontem na USP rememora o que Raul Zibechi disse sobre a guerra às drogas e a América Latina: “Não importam as drogas, como não importava o comunismo“. O que importa é a possibilidade de controle e repressão de determinados grupos sociais, pelo medo, pelo achaque, pela constante vigilância.
CENA 2
Antes da PM
Casa de Cultura Palhaço Carequinha, Pq. América (Grajaú), extremo sul da cidade de São Paulo. Sexta feira, 29 de outubro de 2011. O Coletivo DAR, o Coletivo Imargem, o CDHEP e o CEDECA Interlagos promovem um cine-debate sobre o documentário Cortina de Fumaça com jovens do bairro. O espaço cultural e a praça que fica em frente são rodeados por várias escolas públicas. O local, então, é ponto de encontro e espaço público de convivência de adolescentes e jovens estudantes, onde se reúnem para se divertir.
No debate os jovens manifestaram os efeitos perversos que a política de guerra às drogas produz sobre a periferia territorial dos centros urbanos. Mostraram ainda o quanto o assunto é veiculado como tabu pelas famílias, pela mídia e até mesmo nas escolas, no que pode servir de exemplo o PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, apontado como único programa público que se propõe a debater questões relacionadas; entretanto, por meio de policiais militares fardados que entram nas escolas para falar sobre drogas. Os jovens sentem falta de mais debate e informação sobre o tema, pois veem nas fontes mencionadas um discurso moralista e alarmista.
Acabada a discussão, por volta das 22h, saímos na praça e nos deparamos com o ensaio da bateria de uma escola de samba local. A praça estava, como de praxe, lotada de jovens bebendo e conversando descontraidamente. Por volta das 22h30, os grupos rapidamente se dispersaram num sentido único, o que causou estranheza para alguns de nós ali presentes. Ao buscar saber o que acontecia, vimos policias militares “tocando” os jovens como se fossem gado aos gritos de “vai pra casa!”, “saiam daqui!”. Tratava-se de um verdadeiro toque de recolher promovido pela polícia militar a fim de “resguardar a ordem e a salubridade públicas”, palavras essas do comandante da operação, que segurava uma espingarda calibre 12.
Depois da PM
Estarrecidos e indignados com a cena, fomos depois descobrir detalhes sobre o que se passava. Um morador relatou que há algumas semanas o clima piorou bastante na região, depois que a policia militar intensificou ações supostamente para coibir o uso de álcool e outras drogas entre os adolescentes que se reúnem ali. Numa sexta-feira, dia em que o local está mais cheio de jovens, a polícia militar chegou dispersando os grupos de jovens com o uso de bombas de gás lacrimogênio e bala de borracha. Mandaram também fechar o comércio, ameaçaram e achincalharam moradores que afirmaram: “a gente sabe lidar melhor com os nóias do que com esses aí”, referindo-se aos policiais. Desde então, a polícia se faz presente ostensiva e diariamente, por meio da GCM e da PM, de forma a transformar a praça pública num espaço vazio, “limpo”, nas palavras dos PMs. Questionados sobre a arbitrariedade da ação, o tenente respondeu: “não foi usada violência, não demos nenhum tiro, a simples presença física foi suficiente para limpeza da área”.
O toque de recolher é prática que vem ganhando força nos últimos anos na esteira do recrudescimento do estado penal. Em 2005, na cidade de Fernandópolis, no interior de São Paulo, um juiz da infância e juventude, com base no alegado poder discricionário, estabeleceu por meio de uma portaria judicial o “toque de recolher” dos jovens nos espaços públicos urbanos a partir das 22h. Justificando-se na prevenção da ocorrência de crimes, entre os quais o do uso de drogas, a prática é ancorada num discurso hipócrita da tutela, de “proteção” dos jovens, quando busca, de fato, o controle político dos corpos jovens e de suas condutas marginalizadas na periferia do capitalismo.
No estado de São Paulo, a prática foi copiada por diversos outros municípios, tais como: Ilha Solteira, Itapura, Mirassol e Cajuru. Há, hoje, na Assembleia Legislativa, projeto de lei que pretende estender a medida para todo o estado. Ora se utilizando da via judicial, ora de leis municipais, sabe-se que a medida já foi posta em prática em outros 19 estados brasileiros, em pelo menos 72 municípios.
Um breve inventário de tal prática nos levaria à Alemanha nazista, à Itália fascista, ao apartheid estadunidense e sulafricano, bem como às recentes ocupações de praças públicas na Tunísia e no Egito, além da ocupação da Palestina pelo estado de Israel. No Brasil, a única situação permitida constitucionalmente para a restrição da liberdade de locomoção com medidas desta natureza consiste na decretação de estado de sítio pela presidência da república. Ou seja, estão tratando os adolescentes como inimigos do estado.
Vê-se então que a política de guerra às drogas serve de justificativa para a ampliação do Estado Penal e o estrangulamento dos direitos civis em nome das ditas “segurança e salubridade públicas”. Como diz Nilo Batista a respeito da proibição das drogas, a noção de certas coisas como ilícitas remonta à própria inquisição, um “caminho para o poder punitivo chegar mais rapidamente ao corpo do sujeito criminalizado”. Atualmente, servem à prática corriqueira da polícia militar de enquadrar jovens pobres e negros como traficantes de drogas ou perturbadores da ordem pública, portanto, como inimigo público que deve ser encarcerado, se não exterminado.
Além do campus da Universidade de São Paulo e da praça pública no Grajaú, bem como em tantas outras quebradas da cidade, as consequências desastrosas da política neofascista de segurança pública e de guerra às drogas pode ser vista no centro da cidade, no território conhecido como cracolândia. Celebrando a união da Associação Brasileira de Psiquiatria e setores reacionários da medicina com especuladores imobiliários, o governo municipal e o poder judiciário ensaiam, cada qual a seu tempo, a implantação da medida que ficou conhecida na cidade do Rio de Janeiro como internação compulsória. Visam retirar e enclausurar jovens miseráveis, usuários de crack e a população de rua como um todo.
Usando também da falácia da tutela, julgam todos os frequentadores daquele espaço como incapazes e sem discernimento para tomar as próprias decisões, devendo, por isso, ser encarcerados para tratamento em comunidades terapêuticas. Aqui, o discurso penal se traveste de proteção da saúde dos jovens, mas não passa de um novo intento higienista. Segundo os ditames da Reforma Psiquiátrica, a prática da internação é o último recurso a ser utilizado, quando os extra-hospitalares tiverem se mostrado insuficientes. A internação em massa, assim, não protege a saúde pública, mas esvazia o território da cracolândia para a ocupação do setor imobiliário e esconde o problema da precariedade das políticas de atenção àqueles que abusam de drogas. Tal como o toque de recolher, a internação compulsória é prática que mobiliza o uso de drogas para colocar em prática o estado de exceção, a criminalização e punição de populações marginalizadas.
A discussão sobre a legalização de todas as drogas não é uma luta menor de uma juventude burguesa: é questão que precisa entrar na pauta dos movimentos sociais e na luta cotidiana de todos nós. Trata-se daquilo que disse a juíza aposentada carioca Maria Lucia Karam: “Muitas pessoas estão abdicando do desejo de liberdade. Há propostas que vem sendo crescentemente aceitas de troca da liberdade por segurança. Quando uma sociedade aceita trocar a liberdade por segurança, está aceitando trocar a democracia pelo totalitarismo.”. Por drogas e pessoas livres, nem prisão, nem manicômio!
* fotos de Diego Vomit









Pronunciamento da Congregação da FFLCH
A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, reunida em sessão extraordinária, no dia 31 de outubro de 2011, na sala 8, do Conjunto de Filosofia e Ciências Sociais, à vista da gravidade dos acontecimentos que resultaram na ocupação do prédio da Administração, vem declarar sua disposição para o encaminhamento de soluções mediante negociação com as partes envolvidas no conflito.
A Congregação reconhece que os termos do convênio firmado entre a USP e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo são vagos, imprecisos e não preenchem as expectativas da comunidade uspiana por segurança adequada. Reconhece igualmente que a intervenção da Polícia Militar extrapolou os propósitos originalmente concebidos com o convênio.
Como é tradicional em suas manifestações, a Congregação repudia com veemência o recurso a todas as formas de violência. É oportuno lembrar que a intervenção da PM ocorreu em um espaço social sensível à presença de forças coercitivas, face ao histórico, ainda recente na memória coletiva da comunidade acadêmica, de intervenções policiais violentas durante a ditadura militar.
As reações de alunos, embora previsíveis, não teriam tido o desdobramento que tiveram caso houvesse prevalecido o bom entendimento entre as partes envolvidas, sem apelo à violência. A Congregação envidará todos seus esforços para desarmar o conflito e conduzir seu desfecho à mesa de negociações.
Para tanto, se propõe a realizar gestões junto à superior administração visando reavaliação do protocolo entre a USP e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de S. Paulo. É preciso que haja clareza quanto aos exatos fins e alcance da política de segurança nos campi. Uma moderna política de segurança pública prescinde da criminalização de comportamentos.
Nessa medida, a Congregação acolhe as sugestões dos alunos relativas a medidas que podem contribuir para o aperfeiçoamento da segurança na USP, entre as quais: melhoria da iluminação, aumento da frequência de ônibus de linha e circulares, guarda universitária, constituída por funcionários de carreira, desempenhando preferencialmente funções preventivas e com formação compatível com direitos humanos, criação de um corpo de guardas femininas, capacitadas para o atendimento de vítimas de assédio sexual e estupro.
A Congregação da FFLCH também se compromete a desencadear discussão ampla e aberta a toda a comunidade acadêmica para a formulação e execução de política interna de prevenção de drogas. Com o propósito de reduzir oportunidades de conflitos com desfechos violentos, igualmente se compromete a promover estudos que fundamentem proposta ao Conselho Universitário de revisão e modernização dos regulamentos que disciplinam processos administrativos movidos contra estudantes.
A Congregação reconhece que as discussões e debates a respeito da estrutura de poder na USP tem caráter de urgência e não podem mais ser postergadas sob quaisquer razões ou pretextos. Por fim, convém destacar que a Diretora da FFLCH da USP esteve presente no momento dos acontecimentos e fez a negociação visando a proteção dos direitos dos três alunos envolvidos, acompanhando‐os à Delegacia de Polícia. Além disso, garantiu que não teriam nenhum tipo de punição. Portanto, não é verdadeira a afirmação veiculada na comunidade de que a Diretora apoiou a ação da PM. Nesse sentido, a Congregação manifesta‐se pelo desagravo à injusta acusação que lhe foi imputada em documentos de circulação pública.
Eu li em vários blogs e sites este pronunciamento da Congregação. Vou pinçar um trecho:
“As reações de alunos, embora previsíveis, não teriam tido o desdobramento que tiveram caso houvesse prevalecido o bom entendimento entre as partes envolvidas, sem apelo à violência. A Congregação envidará todos seus esforços para desarmar o conflito e conduzir seu desfecho à mesa de negociações.”
“Ambas as partes”, frise-se.
Pensar “a” e “na” situação ajuda bastante.
O mais tosco deste tipo de atuação, especialmente o retratado na CENA 2, é q na real quase nao sao mecanismos extralegais. É o mesmo que rolou nos achaques da Polícia à ocupação do Vale da Anhagabau após 15 de outubro: os caras reprimem absurdamente varios tipos de coisas, botar faixa, acender o fogo, montar barraca, estao rondando o dia inteiro… e é legal isso! Sim, porque a porra do Kassab, Alckmin e essas corjas vêm aprovando nos últimos anos uma série tao grande de leis restritivas – psiu, cidade limpa, tabaco, o cacete – leis que mtas vezes olhadas individualmente nem parecem tao mas inclusive , que chega um ponto que o governo tem um leque enorme de opções pra reprimir comportamentos e mobilizações que eles desejarem reprimir. Essa do Grajau por exemplo eles podiam alegar barulho depois das 22h, uso irregular do solo sei la, qualquer palhaçada qdo na verdade o alvo são os jovens, os pobres, os que se mobilizam… qualquer coisa que atinja ou pareça atingir o projeto de mercantilizaçao absoluta da vida que eles defendem e implementam.
Vocês do DAR escrevem bem demais.
Que orgulho!!!
Obrigado!
O texto está muito bom. Mas eu venho reparando em como nós usamos o termo fascismo meio sem critérios. Trata-se de uma política muito reacionária, mas não fascista. É que quando (se) nós tivermos que combater o fascismo, temos que ter certeza que é de fato.
Parabéns.
Acho que cabe a você então argumentar o porque não pensa se tratar de fascismo aqui. Me parece ser fascismo sim pois representa o crescente poder que uma coorporação militarizada tem sobre a vida social.
Se toque de recolher e ocupação de militar de universidade não é uma política fascista, então não sei mesmo o que é fascismo…
boto fé na problematização do daniel…o que não significa NÃO haver uma tendencia de crescimento do fascismo no país. sobre o debate, tem um livrinho bom do leandro konder, introdução ao fascismo que vale olhar abs
Daniel, por que você acha isso? Acredita que seria melhor classificar de que forma? Autoritarismo? Totalitarismo? Ditadura? Nada disso?
Valeu pelo comentário,
um abraço
texto formidável. parabéns aos redatores. e, sobre o comentário do julio, na mosca, como de costume.
Aqui eu me informo.!
de verdade…
[...] do Coletivo DAR (Desentorpecendo a razão), sugestão do Raul [...]
Bom se a campanha é pela segurança, pq essa cambada de cinicos, não clama pela aplicação das leis de trânsito por exemplo? até nessas são geralmente são eles os maiores vilões. A trânsito mata muita gente, e por que as leis são flouxas.
O artigo 201 do CTB, por exemplo, é uma piada ou um poema. Pq mesmo sendo de de responsabilidade da policia, só é aplicada quando o ciclista é atropelado, mas aí é tarde.
Essa é lei determina q a infração de passar a menos de 1,5 m do ciclista é infração media, e deve ter como consequência multa. Isso sem falar no respeito ao pedestre, e as faixas que tem por objetivo, proporcionar segurança.
Segurança? Lei?
aqui ó, a policia só aplica uma lei que é considerada infração media, numa situação onde comumente o lesado saí ou morto ou incapacitado.
Existem três assuntos aqui: Policia,Entorpecentes e ação na USP.
1.Discordo parcialmente…Polícia não é sempre boa, mas não é sempre ruim. Os pais tem agradecido a garantia de de segurança que eles não podem fornecer quando seus olhos não estão em cima dos filhos.
2.Vocês já pararam para se questionar o que aconteceria se o Brasil liberasse o consumo de entorpecentes? Já pararam para avaliar a repercussão?
- Exportação e importação com outros países seriam prejudicadas, pois sim, outros países já tem um pé atrás com o Brasil…um país que julgam não ser muito confiável.
- Diminuindo negócios com outros países iria afetar o nosso capital que afetaria produção alimentícia e quantidade de empregos…Entrariamos numa crise!
- Se a saúde pública já é ruim, o que fazer quando parte da população se acaba nas drogas e depois precisam de atenções médicas? Poderiam deixar morrer, não é?!Horrível!
3.Existem problemas no nosso país? Existem. Existem problemas nas nossas legislações? Existem. Podemos alterar a legislação? Podemos. Podemos resolver os problemas do nosso país? Podemos. Mas nada vai ser resolvido se as pessoas são totalitárias!!! O pessoal da USP não está sendo fascista, está sendo totalitário…só a opinião deles importa!
Houve assembléia na terça feira e a maioria ficou contra a postura do DCE. O que o DCE fez? Esperou que a maioria fosse embora, após a finalização do horário destinado a Assembléia e fizeram nova votação…voltaram seus lindos olhinhos para uma ocupação maior…invadir a reitoria!
Eu acho que o artigo abaixo representa mais essa situação:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/alunos-da-fflch-da-usp-sao-refens-das-disputas-entre-os-petistas-e-a-extremissima-esquerda-se-diretora-nao-pede-reintegracao-de-posse-incorreu-entendo-em-improbidade-administrativa/
O link deslegitima todos seus argumentos, cara Renata. Com extrema direita não há argumentos, vai la comentar no site do autor em questão que você será melhor acolhida.
Quanto às consequências do fim do proibcionismo, informe-se sobre os resultados positivos da descriminalização em Portugal por exemplo, ou sobre os índices de consumo atuais no Brasil, que provam que a proibição não inibe de forma alguma o uso. E volte com um linkzinho que ao menos não seja uma ofensa à inteligência humana.
Então qualquer texto da “extrema direita” é “ilegítimo” simplesmente por ser da “extrema direita”?
Quem é que não está aceitando argumentos? Eles ou vocês?
Se vocês têm tanta convicção sobre o que defendem, então contra-argumentem com base na racionalidade, ao invés de diminuírem seus adversários (e, assim, para dizer o mínimo, se rebaixarem ao nível a eles).
[...] http://coletivodar.org/2011/10/da-usp-ao-grajau-o-fascismo-em-dois-atos/ [...]
[...] terminal Grajaú, um pessoal curtindo um ensaio de uma escola de samba é enxotado da praça, numa operação de “limpeza” da praça feita pela PM, que agora acontece todo final de [...]
Olá, gostaria de pedir a ajuda de todos na divulgação do texto abaixo:
“A cortina de fumaça da segurança na USP
Por Pablo Ortellado
(Prof. Da EACH – USP)
A detenção de três estudantes da Faculdade de Filosofia da USP que fumavam maconha gerou protestos que terminaram num conflito com a polícia militar e a subsequente ocupação da administração da faculdade e do prédio da reitoria. Esse episódio soma-se a outros ocorridos nos últimos anos que envolveram piquetes, a ocupação de prédios administrativos e a atuação repressiva da polícia militar. Em todos os casos, um acalorado debate opôs defensores da atuação (mais ou menos rigorosa) da polícia e defensores da autonomia universitária (que limitaria ou impediria a atuação policial no campus). Acredito, no entanto, que os termos do debate estão mal-colocados e a questão de fundo relevante, completamente ausente.
liberdades individuais
O primeiro mal-entendido a desfazer é que não há objeção, que eu conheça, à atuação limitada e específica da polícia para reprimir crimes comuns, como assaltos a banco. Tanto não há objeção que antes do recente convênio firmado entre a reitoria e a polícia militar, ela já atuava nesses casos, sem que tivesse surgido qualquer tipo de protesto.
Todo problema começa quando ela começa a atuar de maneira abusiva no cotidiano deste espaço que é o lugar por excelência da liberdade de expressão e discussão. Para que essa alegação não pareça abstrata, gostaria de dar dois depoimentos e fazer referência a um terceiro. Os meus dois depoimentos são do ano 2006, quando a administração da minha unidade (a Escola de Artes, Ciências e Humanidades) decidiu instalar um posto da PM dentro do campus. Naqueles meses que se seguiram à decisão, testemunhei dois episódios que ilustram o despreparo da força policial para atuar no ambiente universitário (na verdade, demonstram seu despreparo para atuar numa sociedade democrática).
O primeiro, aconteceu com um estudante do meu curso, negro. No final da aula, ele saiu para o estacionamento e notou que tinha esquecido o celular. Quando voltou para a sala para buscá-lo foi abordado por um policial. Ele se identificou, apresentando a carteira de estudante e explicou que voltava para buscar o celular. O policial considerou-o suspeito porque caminhava no sentido contrário dos outros estudantes (e talvez também porque era negro e estava na USP) e, por isso, foi submetido a uma vexatória revista na frente dos colegas. O segundo fato, foi a ação de uma policial feminina que deteve duas estudantes homossexuais que se beijavam na hora do intervalo por “atentado ao pudor”. Note que esses são episódios testemunhados por um só professor, num período de poucos meses, pois, com a repercussão destes e outros casos, o posto da PM foi transferido para fora do campus. O que acontecerá com a presença massiva de policiais com esse tipo formação atuando de maneira permanente? Uma amostra do que está por vir aparece nos relatos de estudantes da Faculdade de Filosofia que reclamam de operações nas quais se abordam e revistam dezenas de estudantes que entram ou saem do prédio para ir às aulas.
É esse tipo de atuação da polícia, abusiva e lesiva de direitos que gera protestos. Não faz qualquer sentido discutir a atuação da PM no campus universitário fora deste tipo de caso. A polícia nunca foi impedida de agir no campus para coibir crimes comuns. O que havia, era um acordo para que a proteção do patrimônio fosse feita predominantemente pela guarda universitária e que a polícia não atuasse ostensivamente, por exemplo, fazendo abordagens individuais não motivadas por fatos concretos. Foi essa acordada limitação da atuação policial que se reviu, a pedido do reitor, após a comoção gerada pelo morte de um estudante durante um roubo de veículo.
liberdades políticas
Mas o elemento importante, ausente no debate, é a ameaça de uso da força policial para reprimir o movimento estudantil e o movimento sindical. Permitam-me uma breve digressão para argumentar como as duas coisas se juntam.
Maquiavel, teórico da política, defendia numa obra famosa (os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio) que a causa da intensa e fratricida violência política da cidade de Florença era a não institucionalização dos seus conflitos. Em Florença, dizia Maquiavel, cada partido (os guelfos e os gibelinos, os negros e os brancos, os nobres e o povo) consolidavam a vitória com a expulsão do partido adversário da vida política da cidade – de maneira que só restava ao grupo derrotado atuar de fora do jogo político estabelecido, preparando um golpe de estado. O resultado era uma vida política violenta e sanguinária, sem estabilidade política e sem paz interna.
Guardadas as grandes diferenças de contexto histórico, essa é uma excelente explicação para a conturbada vida política da Universidade de São Paulo. Ao contrário das outras grandes universidades públicas, como a Unicamp ou as federais do Rio, Minas e Rio Grande do Sul, a gestão da USP é incrivelmente não democrática, o que, com os anos, empurrou todos os setores não alinhados com o grupo no poder para ação extra-institucional – simplesmente por falta de opção. As eleições para reitor na USP são definidas por um colegiado de apenas cem pessoas – dessas, há um representante dos professores doutores (que compõem a maioria dos docentes), quatorze representantes dos estudantes e apenas três dos funcionários. Os demais são representantes dos órgãos de direção que, com poucas exceções, se autoperpetuam no poder. Todas as comissões estatutárias são compostas pelas mesmas vinte ou trinta pessoas que se alternam nas diferentes funções há pelo menos duas décadas. É um jogo marcado, viciado e sem qualquer espaço para que a comunidade de oitenta mil alunos, quinze mil funcionários e cinco mil professores consiga se manifestar ou influir efetivamente nas decisões. Essa forma institucional excludente e arcaica empurrou as forças políticas para atuar por meio de greves, piquetes e ocupações de prédios, já que simplesmente não têm outra maneira efetiva de atuar.
Para complicar ainda mais a situação, nem mesmo esses injustos procedimentos de eleição de reitor foram honrados, já que na última eleição o governador escolheu o segundo colocado na lista tríplice. E esse segundo colocado, o reitor João Grandino Rodas, tem tido uma gestão fortemente confrontativa, impondo decisões injustas e ameaçando a dissidência com o uso de força policial. Quando ainda era apenas diretor da Faculdade de Direito, o atual reitor usou a força policial para expulsar o MST do prédio da faculdade e, noutra ocasião, fechou o prédio e suspendeu as aulas para impedir que uma passeata de estudantes entrasse no edifício. Ele também foi o principal articulador da entrada da polícia no campus para desocupar a reitoria em 2009, o que resultou numa abusiva ação policial que feriu professores e estudantes. Pois é exatamente este reitor que está agora autorizando a atuação ilimitada da polícia no campus o que, dado o seu histórico, não pode deixar de ser visto como uma ameaça do uso deste contingente para reprimir as únicas formas efetivas de atuação política do movimento estudantil e dos sindicatos.
A atuação da polícia no campus da USP não é um problema sobre como adequadamente combater crimes comuns – é um problema sobre liberdades individuais e sobre a organização política da instituição. A única solução para a conturbada vida política da universidade é a democracia. O resto é apenas cortina de fumaça.”
Sem coments sobre a entrada da Pm no campus, e agora sobre o Grajau que eu entendoo…
a Limpeza da cidade de são paulo, não é só dos jovens que fumam UM, mais de toda massa pobre que ajudou a construir esse monstro que está nos engolindoo!!!
estamos sofrendo com despejoos nas areas dos manaciais com cheques despejo que não nos garante nada, somo reprimidos quando encontramos a galera, e humilhadoos diante do poder que é ter uma arma e varios Gases, a policia é um sintoma do sistema! e só com mt luta e conscientização podemos encontrar alternativas!!!!!
Cômico.
Certo. Agora que acabou seu post vai lá fumar seu baseadinho diário.
Patético!
Tirem a bunda de seus bancos escolares e vão fazer algo pelo país ao invés de ficarem criando pseudo intelectuais que de uma forma geral nunca chegaram a lugar nenhum.
Tem alguns caras que estão a mais de anos na Universidade só para manter um vinculo com a mesma e não cair na realidade. É necessario ter foco nos assuntos ficar citando Foucault, bobbio e outros o cumulo do absurdo.
Tirem suas bundas das carteiras e começem a usar toda essa retorica para fazer a diferença, vão até a periferia e iniciem um trabalho de educação e conscientização, mostrem e demostrem a população que realmente precisa qual é sua força e quais são seus direitos e deveres( o grande problema e que isso cansa, isso dá trabalho)
Todos fazem parte de algum grupo de manipulação, somos movidos por interesses uns mais ouros menos, mas reflita o que realmente vc está fazendo para melhora este país? Muitos sairam daí e toda essa carga filosofica será jogada na lata do lixo, palavras sem ação, são só palavras, açoes sem proposito são só açoes. Construa algo, seja algo e não se deixe levar com a maré.
Lembrem-se todos são instrumentos de manipulação uns mais outros menos.
Mas pense porque vc está fazendo isso? Onde realmente vc quer chegar? Todos que estão envolvidos buscam a mesma coisa?
Tirem suas bumdas das carteiras e vão fazer a diferença a quem realmente necessita.
Excelente artigo! Lúcido, coerente, bem articulado. Parabéns ao coletivo! O maior absurdo pra a mim é saber que essas coisas acontecem e as pessoas vão aceitando sem se darem conta da gravidade deste tipo de conduta do estado. Achando que estão sendo protegidas, mas na verdade caindo, mais uma vez, em uma armadilha.
Se a polícia exagerou, vcs deram motivo. Não esqueçam que consumo de drogas ilícitas é ilegal, e os PM’s estavam a conduta correta….
Mas já que vcs, mauricinhos da classe média alta não tem o que fazer, acham que o mundo seria melhor com a liberação da maconha… querem um mundo melhor? Vão aos subúrbios brasileiros, conforme já foi dito em outros comentários aqui, e façam algo realmente útil. No caso destes estudantes de Geografia, o que é realmente necessário para o país? Que eles passem o dia fumando maconha ou um dia dando aulas à crianças desfavorecidas e sem acesso à educação de qualidade? Sinceramente, vocês enchem de desgosto a elite intelectual brasileira!!!!!!!!!!!
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