DAR – Desentorpecendo A Razão

Coletivo Antiproibicionista de São Paulo

Coletivo DAR

Como propor um debate produtivo e inclusivo sendo que as mulheres são vistas e colocadas, por um setor do movimento, no mesmo patamar da planta que veneram – portanto como um objeto a ser adorado sim, mas sobretudo consumido?

“Ah sim os defensores das mulheres, ta me parecendo caô pra comer”
“Esta daqui é a Marcha da Maconha ou a Marcha do Politicamente Correto???”
“Agora vem pagar aqui de moralista. é isso mesmo ou é careta ou não gosta de buceta. viva a liberdade”

A foto acima foi tirada durante a II Conferência Latino-americana sobre políticas de drogas, realizada no Rio de Janeiro, em 2010, em uma reunião de “movimentos canábicos” do continente. Contando com representantes de marchas e coletivos de Argentina,Brasil, Colômbia, México  Uruguai e Peru, a reunião visava traçar estratégias comuns ao movimento em nível continental e não contou com nenhuma mulher presente.

As frases citadas em seguida fazem parte de um debate virtual vivido recentemente no interior da Marcha da Maconha, por conta de uma discussão a respeito da divulgação ou não de um calendário cuja arrecadação contribuiria com o movimento e no qual as imagens são de “pot models” -modelos maconheiras ou algo assim. Como houve visões divergentes, expomos aqui a posição do DAR, no intuito não de recriminar ou moralizar o Calendário e as meninas que cederam sua imagem e seu trabalho para sua feitura, mas por acreditarmos que essa é uma boa oportunidade para trazer à tona relações de desigualdade que são frequentemente naturalizadas, não percebidas, e assim mantidas e perpetuadas.

Organizado há quase três anos, o Coletivo DAR nasce no interior da Marcha da Maconha visando ampliar o enfoque do debate antiproibicionista para além de demandas meramente de usuários e enfocadas apenas na maconha. Com o tempo, consolidou-se entre nós também a concepção de que não basta regulamentação e controle social justos das drogas se vivemos num mundo injusto, e que portanto cabe a nós ativistas relacionar o antiproibicionismo com todas as lutas e pautas que propõem a transformação social de maneira mais ampla. Inclui-se aí, obviamente, o debate relativo às opressões de gênero, que tentamos travar já há algum tempo.

Acreditamos que as frases e a fotografia apresentadas no calendário fazem parte de um mesmo contexto. Não é por acaso que a participação feminina é tão pequena, e tão coadjuvante, dentro do movimento antiproibicionista. Iniciativas como a deste calendário não são exceção dentro de nosso campo de atuação, pelo contrário, fazem parte de uma tradição que vem de cultuadas revistas estrangeiras, como a High Times ou a argentina THC, e que vigora no Brasil não só no projeto em questão como em concursos como Miss Marijuana e em sites como o Mulher e Maconha, por exemplo. Trata-se de “combate à caretice” ou mera reprodução de estereótipos e preconceitos nascidos no interior de uma sociedade desigual e opressora?

Os homens pensam e as mulheres posam?

É famosa a frase de Bernard Shaw, que, ao criticar o racismo nos Estados Unidos, dizia que o norte-americano relega o negro ao nível do engraxate, e conclui daí que ele só pode servir para engraxar sapatos. Iniciativas como esta parecem partir do pressuposto de que as mulheres pouco são além de corpos a serem admirados, divulgados, explorados, e parte dos objetos masculinos de prazer, e portanto “incluem” no âmbito do antiproibicionismo a participação feminina apenas nestes marcos. Fica parecendo que pensar a política e tomar a linha de frente das ações é tarefa masculina.

Como incluir mulheres em pé de igualdade no interior do movimento se sua participação é requisitada – e desejada – apenas no nível da beleza e da sensualidade? Como esperar que elas se sintam à vontade e atuem enquanto protagonistas quando já se sugeriu, em reuniões da Marcha de SP, a utilização de modelos com pouca roupa para promover o evento? Como propor um debate produtivo e inclusivo sendo que as mulheres são vistas e colocadas, por um setor do movimento, no mesmo patamar da planta que veneram – portanto como um objeto a ser adorado sim, mas sobretudo consumido?

Não existem homens, mulheres e homossexuais por si só. Nós nos tornamos homens, mulheres, homossexuais, transexuais ou qualquer outra identidade de gênero num processo social que está em permanente atualização e recriação. Um processo histórico, que no presente momento não pode ser dissociado do ordenamento social conhecido como capitalismo, que tem como uma de suas características principais o ocultamento das relações sociais entre pessoas através do predomínio da mercadoria. Sob a égide do dinheiro e da divisão social e sexual do trabalho, tudo se torna produto, tudo é vendável, publicizável, a começar dos corpos das pessoas.

Ora, mas isso acontece não só com os corpos femininos, muitos dirão. E com razão: apesar de ter nascido com forte componente misógino, o sistema do capital não é muito preconceituoso em matéria de mercantilizar vidas. No entanto, se não há igualdade – e as opressões de classe, mas também de gênero, raça, nacionalidade, etc. comprovam isso – obviamente os efeitos de tal mercantilização atingem de forma diferenciada os distintos setores e grupos sociais. No caso das mulheres, isso é muito claro.

Nesse sentido, os argumentos de que isso seria “machismo ao contrário”, ou o de “faça um calendário de homens”, não se sustentam a partir do momento que percebemos que a realidade de onde partimos não coloca homens e mulheres em pé de igualdade, pelo contrário, as mulheres partem de uma condição de desigualdade histórica. Igualdade de tratamento dentro da desigualdade não é nada menos que injustiça, manutenção do status quo. Vivemos em uma sociedade machista, homofóbica, racista e de opressão sobre os pobres, é do lado dos que reagem que devemos nos colocar, não dos que oprimem.

Como aponta Simone de Beavouir, no clássico O segundo sexo, “é difícil para o homem medir a extrema importância de discriminações sociais que parecem insignificantes de fora e cujas repercussões morais e intelectuais são tão profundas na mulher que podem parecer ter suas raízes numa natureza original”. Muitas vezes é difícil identificar a especificidade das questões de gênero frente aos problemas e questões mais amplos de nossa sociedade, sobretudo quando se têm diante do “outro” uma postura tão marcadamente distante e delimitada, como é o caso de alguns dos setores do antiproibicionismo – compostos hegemônica, majoritária ou mesmo completamente por homens, e aparentemente sem disposição de questionar e transformar tal panorama. Cria-se aí um perigoso ciclo vicioso: somos quase todos homens, por isso não nos preocupamos com questões específicas das mulheres, logo, atraímos apenas novos homens, que se preocupam apenas com questões de homens e assim vai. Questionar isso? “Ou é careta ou não gosta de buceta”!

Especificidade da opressão à mulher

Obviamente, não podemos analisar a situação vendo as mulheres somente como objetos ou “vítimas”, ou estaríamos procedendo da mesma forma que criticamos. Claro que as garotas que posaram para as fotos, ou as que fazem propagandas de cerveja expondo seus corpos como se fossem logomarcas, o fizeram de forma voluntária, honesta e muitas vezes orgulhosa. Este ponto levanta alguns aspectos a serem levados em conta.

Em primeiro lugar, podemos citar novamente Beauvoir para lembrar que “os homens encontram em sua companheira mais cumplicidade do que em geral o opressor encontra no oprimido; e disso têm autoridade para declarar com má-fé que ela quis o destino que lhe impuseram”. “Toda a educação dela conspira para barrar-lhe os caminhos da revolta e da aventura (…). Ela aceita alegremente essas mentiras, porque elas a convidam a seguir o caminho em declive da facilidade: e nisto está o maior crime que cometem contra ela”. Beauvoir alinha-se aqui à concepção histórica de identidade de gênero citada acima, lembrando que não é possível que individualizemos as escolhas e atitudes diante de um quadro em grande medida determinado socialmente.

Individualizar tais questões mantém a posição social da mulher intacta. Um exemplo é do entendimento da mulher como sujeito, incluindo a relação com o prazer e principalmente dos prazeres corporais. No caso das drogas, primeiro, é importante apontar que as mulheres formam o grupo no qual há maior prescrição de medicamentos psicotrópicos (levantando aqui uma série de questões que não podemos explorar nesse texto, tais como: são silenciadas, sua posição social segue intacta, a loucura vista como feminina, etc). Segundo, em relação ao uso de drogas, como esse é um prazer visto como imoral para as mulheres, quando essas usam drogas em público o estigma sobre elas é ampliado e diretamente ligado à sua posição sexual (como se não houvesse outras posições sociais para a mulher, apenas sexual), ou seja, se usam drogas não são “boas meninas” (portanto, vistas como más mães ou más mães-a-ser), ou vistas como prostitutas, “fáceis” ou lésbicas (termos usados no discurso público como qualidades ruins). Em todos os casos, seu prazer não é reconhecido, não é legítimo, e é como se seu corpo não pertencesse a ela. O prazer corporal para a mulher é estigmatizado, patologizado e criminalizado.

A opressão à mulher, portanto, traz algumas especificidades importantes de serem salientadas e debatidas. Diferentemente da opressão ao negro ou ao homossexual, a fronteira entre elogio e desrespeito/opressão é embaralhada no caso feminino, na medida em que muitas vezes a posição de objeto é combinada com o status adquirido pelo padrão de beleza. Uma mulher que posa seminua em uma propaganda de cerveja não só o faz voluntariamente como muito provavelmente se sente muito bem a respeito: ela está sendo cobiçada, ela é gostosa, todos vão olhar sua imagem no outdoor e a desejarem, ou vão querer imitá-la. Ao mesmo tempo em que alcança esse status, a mulher aparece pura e simplesmente como objeto de desejo para o homem, não como sujeito de seu próprio desejo. Mais que isso, é retratada na propaganda como um brinde que acompanha o produto a ser vendido. Passe um desodorante que você ganha mulheres gostosas correndo atrás de você pela rua, compre um carro que uma gostosa vai querer entrar, beba cerveja que a maravilhosa jogadora de vôlei de praia vai se aproximar. Além de sermos construídos culturalmente de acordo com os papéis sociais que nossa condição de gênero nos impõe, no caso das mulheres muitas vezes a reafirmação de sua função de servir ao prazer do homem é justamente confundida com uma posição admirável. Sua própria reificação é o que lhe dá status social.

Somos a favor de liberdade sexual e autonomia de decisão sobre o que fazer com o próprio corpo. O que questionamos é a reprodução da mulher-objeto-para-satisfazer-o-prazer-do-homem, baseada na heterossexualidade como regra, concepção com a qual somos bombardeados cotidianamente e que reproduzimos em nossas próprias produções e relações sociais. O modo como as mulheres são representadas costuma ser, na realidade, a forma como os homens as veem e como querem que se comportem.

Feminismo e antiproibicionismo: lutas irmãs

Na Marcha da Liberdade (2011), só mulheres carregaram a faixa principal

Neste momento, o movimento antiproibicionista e as lutas antissexistas vêm se aproximando, pouco a pouco, com a presença de mulheres na Marcha da Maconha aumentando gota a gota. Antiproibicionismo e feminismo têm em comum sobretudo a bandeira do livre decidir sobre o corpo, isso frisamos desde este texto de 2010. Consideramos o debate sobre a legalização do aborto – pauta histórica do movimento feminista – como luta “irmã” da luta pela legalização das drogas, pela autonomia do próprio corpo e liberdade de escolha que ambas reivindicam, assim como pela opressão e consequências nefastas que a proibição e criminalização representam em ambas as políticas. Neste momento de aproximação, pensamos que é fundamental firmar posição ao lado de quem resiste e propõe outro mundo, onde quando uma luta avança e nenhuma retrocede.

No entanto, não podemos confundir a liberdade para se fazer o que quiser com seu corpo, e para exibi-lo da forma como se bem entender, com a liberdade para explorar o corpo alheio da forma como se bem entender. Acusações de “censura” ou de tolhimento à liberdade foram utilizadas durante o debate a respeito do calendário, com seus enunciadores esquecendo-se de como desde séculos atrás o discurso supostamente defensor da liberdade também foi usado para esconder a defesa da livre dominação – os capitalistas ingleses, por exemplo, bradavam contra a limitação das jornadas de trabalho no século XIX dizendo que isto feria a “liberdade” do trabalhador vender sua mão de obra por 14, 16 horas ao dia se “quisesse”. Quanto à ideia de que por ser considerado uma obra de arte, uma avaliação política do calendário seria totalitarismo ou censura, limitamo-nos a citar Walter Benjamin: “Se os fascistas estetizam a política, nós devemos politizar a estética”.

Outro aspecto que não pode ser ignorado é que não estamos diante de uma manifestação artística desinteressada. Tanto pelos interesses comerciais dos envolvidos nos projetos citados – que mesmo não tendo fins lucrativos servem incontestavelmente como forma de consolidação e difusão de marcas com fins comerciais – mas sobretudo por se tratar de iniciativa vinculada a um movimento político específico. Como uma obra de arte pode ser algo intocável ou impassível de avaliação política estando inserida dentro de um modelo de sociedade que criticamos e sendo publicizada em nome de um movimento social que participamos? Uma coisa é uma mulher sentir vontade de expor seu corpo da maneira que ela quiser, outra é uma organização política empreender e difundir esse tipo de representação do corpo feminino sob o argumento de que vende, tomando este discurso para si.

Não se trata de censura: uma vez que o calendário está exposto no site nacional da Marcha da Maconha, passamos a vincular o discurso sexista e heteronormativo à nossa luta. Por outro lado, há uma diversidade de discursos porno-eróticos possíveis, em que a pluralidade de sexualidades possa se manifestar sem reproduzir mais do mesmo. Qual seria, então, nosso critério? Para conseguirmos grana não há problema em reproduzir opressões às quais muitos de nós, que lutamos por uma alternativa societária diferente da que vivemos, combatemos? Somos um movimento social autogestionário e temos tido sucesso em buscar o financiamento de nossas atividades com parceiros, voluntários e políticas de ativismo.

O movimento antiproibicionista tem se colocado nos últimos anos como pretenso campo de elaboração de alternativas à guerra às drogas. Nas mais variadas vertentes, tem ajudado a multiplicar o debate sobre as drogas, sua proibição, seus usos e as implicações desta convivência na sociedade. Para além do antiproibicionismo, vemos que desde o século XVIII existem lutas concretas contra o cárcere, contra a reclusão manicomial, contra o racismo e contra a penalização de pessoas que por algum motivo não se enquadram no funcionamento de uma sociedade capitalista. Seria injusto, portanto, admitir o monopólio do tema das drogas ao antiproibicionismo, estando ele na verdade intrinsecamente relacionado com todos os âmbitos políticos, sociais e históricos da nossa sociedade. O mais correto seria observarmos como a luta por mudanças na política de drogas contém elementos de muitas outras lutas – e certamente não podemos desprezar o peso e a importância do caminho há muito trilhado pelo feminismo. Como um caleidoscópio que se mistura em diferentes ângulos, a verve libertária encontra-se presente em todas as posições.

Após debate sobre a questão de gênero, na edição de 2011 da mesma conferência da primeira foto, desta vez no México, a uruguaia Clara Musto foi escolhida porta-voz dos ativistas em pronunciamento

 

65 Comentários

    • Jeferson Mattos disse:

      Não é só “um setor do movimento” que coloca as mulheres no patamar de objeto – elas próprias, ao incorrerem em recorrentes práticas, já se colocam nesta posição. Posição de fêmea, dada a obsessão pela maternidade; posição de doméstica, dado o extremo apego à casa; posição de vadia, dada a opção por “roupa de atrair cliente”. É muito curioso que, em nome das liberdades, o exibicionismo, a vaidade, de tão grande valor de mercado, passem incólumes pelo crivo de análise sérias, assim como passa o sacrosanto – individualista e irresponsável quando relacionado à maternidade – direito de dispor do próprio corpo. Aborto geralmente é sim questão de foro íntimo, mas concepção é problema social, porque é a sociedade que vai embalar Matheus no berço dos serviços públicos que, “economicamente” disponibilizados pelo Poder, terminam promovendo a exclusão. “O modo como as mulheres são representadas costuma ser, na realidade, a forma como os homens as veem e como querem que se comportem” é afirmação vitimizadora, por ignorar a enorme cota de responsabilidade que lhes cabem por, mesmo com todas as possbilidades abertas pela modernidade, continuarem a ser bonequinhas domésticas, ultradependentes deste coisa mesquinha chamada casa. Estas bonequinhas podem não gostar de cerveja, mas não abrem mão de um carro, é tão confortável… Se as mulheres querem respeito, elas têm de se fazer respeitáveis, e isto requer a troca do lar pelo espaço público, vale dizer, do individualismo pelo interesse coletivo.

      • Ilana disse:

        Por que questionar as relaçôes de gênero causa tanto conflito?
        Não é homem contra mulher, estamos tod@s implicados na situação! Silenciar ajuda a perpetuá-la.
        Parabéns ao DAR por aproveitar essa oportunidade para questionar e explicitar essas relações desiguais de poder!

      • Alvaro disse:

        Elas proprias quem? Ha homens com obsessao por paternidade… e mulheres que nao querem ter filhos, é bem simples: se discute se é ou nao machista o calendario… a responsabilidade que cabe aos defensores de igualdade e respeito esta sendo exercida aqui pelo DAR, isso sim… de que responsabilidade voce fala? Se colocar contra a exposiçao sexual de mulheres é querer ser “bonequinha doméstica”? Voce leu realmente o texto? o que vc quer dizer com “trocr o lar pelo interesse coletivo? estranho…

      • Lucas disse:

        Falar que a culpa do machismo e da mulher e a mesma coisa que falar que a culpa da pobreza e do pobre, que a culpa do racismo e do negro e por ai vai… Não é um simples jogo de encontrar de quem é a culpa, mas um exercício constante de contestação de toda uma estrutura que mantém a ordem vigente.

  1. Douglas disse:

    Parabéns por posicionarem-se contra essa atitude equivocada. Mulheres são mais que corpos, são seres pensantes e elas devem falar seus argumentos, essa é a melhor contribuição!

    • Amanda disse:

      São seres pensantes donas de seu própio corpo e sua própia imagem. Participar deste caléndário e dar a cara a tapa é obviamente uma atitude pensada, essa foi a contribuição que elas quiseram dar.

  2. David disse:

    Olá gente, nunca participei de nenhuma marcha até agora, ou seja, sou daqueles que ainda pode ser motivado a aderir.
    Não gostaria de ver a Marcha da Maconha vendendo calendário de “mulher pelada” nem CD´s do Michel Teló. Arrecadar dinheiro pode ser importante, mas mais importante do que isso é saber para que. O objetivo do movimento é ter um papel de formação social ou simplesmente se mimetizar no senso comum gerado pela indústria cultural?
    Gostaria de parabenizar em muito este artigo e o coletivo DAR. Na qualidade de quem é leigo por nunca tem participado do movimento e de seus debates, creio que a importância do movimento deve ser mais do que uma simples defesa vazia do consumo de uma mercadoria. Creio que o movimento trava justamente uma batalha cultural. De um lado defendendo o culto a práticas de prazer, contrário a apologia que o cristianismo faz do sacrifício. O cristianismo incute nas classes oprimidas e exploradas a idéia de que nosso valor, como seres humanos, está no nosso sofrimento, por isso é contra o sexo por prazer (principalmente para as mulheres) e, consequentemente, contra o homossexualismo e as substâncias que nos dão prazer. Defendamos o prazer também para quem “não gosta de buceta”! Por outro lado, a maconha, mais do que uma simples “droga” como o álcol ou o cigarro, se construiu socialmente como um símbolo de rebeldia. Muitas vezes, começar a fumar significa contestar a família ou mesmo a sociedade, de alguma forma. Creio, humildemente, de fora, que a responsabilidade do movimento que estão construindo é não deixar que essa rebeldia deixe de ter conteúdo, e menos ainda que passe a ser utilizada como algo “funcional” ao sistema, ou que essa rebeldia seja tornada “mercadoria”. Não estou dizendo que o movimento antiproibicionista esteja descuidando disso, não conheço para criticar. A mim, e imagino que a muitos antiproibicionistas, deve chamar a atenção o fato de ver um FHC agora “quase maconheiro” (com ironia).
    Alguns podem achar que o movimento antiproibicionista deva ser apolítico e até festejar um mercenário que levante a bandeira, outros podem achar que tudo deva se resolver por consenso, como às vezes se defende em outros movimentos rebeldes. Não há consenso, e o falso consenso é o pior autoritarismo. Viva a polêmica, viva o debate, viva a nossa formação! Muito bom o texto! A luta de todos nós deveria ser conra a proibição à maconha, contra o machismo e a homofobia, mas tem que ser também uma luta junto com a classe trabalhadora contra o capitalismo, como os Ocuppy Wall Street e estudantes franceses de 68. Maconha para a classe proletária! Há opostos interesses em jogo nesta sociedade.
    Pode parecer muito crítico e “não careta” defender a liberdade para reproduzir conceitos dominantes. Mas talvez isso signifique entrar acriticamente na mesma lógica de programas de TV “populares” ou de “Ai se eu te pego…”. Se a nossa rebeldia não tiver conteúdo político e souber se localizar na luta de classes, corre o risco de virar mero diversionismo ou um novo logo alternativo para fazer o mesmo que os comerciais de cerveja.

  3. David disse:

    Nossa luta é junto com a Comunidade do Pinheirinho, junto com a juventude reprimida na cracolândia.

  4. Bruno disse:

    Poxa, as vezes a maldade também está em que vê. Confesso que até ler este texto, muito bem escrito como tudo do DAR, nem sabia de “sexismo” na Marcha. Vejo tantas maconheiras quanto maconheiros defendendo a causa e as mulheres que conheço são até mais cara de pau em não negarem o uso até em seus círculos sociais e de trabalho.

    E achei o trabalho do calendário legal, as poucas fotos divulgadas eu achei que foram bem feitas e profissionais, mulherada e flores lindas.
    não vi “objetos” e sim mulheres com coragem. Até entendo que isso possa ser negativo, muita gente vai consumi-las apenas como objeto e fap fap fap.

    Mas sei lá, a maldade está em quem consome. Assim como quem mata é quem aperta o gatilho e não a arma, assim como quem faz a ofensa é o ofendido: quem ve aquelas mulheres como objeto e não arte são os culpados. Não quem produziu o trabalho!

    Porra, eu queria é que tivesse uma iniciativa em SP, uma rifa, alguma coisa pra poder ajudar além de ir na marcha. Ano passado cooperei com a do rio e fui na de SP, mas queria cooperar na de SP também. Iniciativas como prêmios, rifas – até mesmo um calendário – por que não?

    Fazer a mulher não ser tratada como objeto não implica proibir arte ou o fapfapfap.

    Proibir, mesmo que moralmente a iniciativa de produzir e vender o calendário não é muito diferente de proibir a maconha. Você assume por antecipação que quem comprar vai estar vendo como objeto assim como os caretas acham que quem fuma é desajustado e bandido.

    • Júlio disse:

      De fato, Bruno, proibidir o calendário seria uma posição bizarra. Imagino – e espero – que você tenha entendido que a intenção da discussão nunca foi essa. Questionamos apenas sua divulgação no site – e em nome – da Marcha, defendíamos que seus realizadores divulgassem apenas em seus próprios meios, já que não há consenso e nem intenção de nossa parte de coadunar com a iniciativa. Como foi publicado, sentimos o imperativo de nos posicionarmos.

      Aquele abraço,
      Júlio

    • Alvaro disse:

      Em quem consome o que? ha algo nas imagens pra ser consumido? Quem esta cogitando proibir a mulher de posar? Ha um debate sobre o assunto, sobre uma decisao, qual seja, a de expor modelos femininas… simples… a marcha nao pode proibir mulheres de posar nua, mas sim, decidir nao usar um emblema machista como propaganda, qualquer mulher pode posar nua, essa nao é a questao… alias, isso esta super claro ali… machistas go home!

  5. Isabella disse:

    Texto riquíssimo…parabéns ao Coletivo!

  6. Joao Menezes disse:

    O calendario não é de modo nenhum sexista.
    Existem milhares de iniciativas destas pelo mundo, muitas iniciadas por mulheres, lucidas e donas do seu proprio, procurem são muitos os exemplos. É um modo bonito de se fazer dinheiro. Por exemplo, um calendario com imagens da natureza é exploração capitalista da natureza? Claro que não.
    O que é bonito vende por que as pessoas gostam. Homens e mulheres são e devem ser iguais perante a lei e a sociedade, mas são diferentes biologicamente e não podemos negar. No caso do calendario homens tendem a gostar de ver, são visuais, o calendario então faz sentido, é bonito para quem admira o corpo feminino, instiga os desejos. Nada errado nisto. O foco da luta feminista é outro. Mas é louvavel a preocupação do pessoal do DAR. Espero que isto não crie um conflito egoico entre o pessoal da marcha. Seria a toa, e espero que o pessoal do DAR saiba descer deste pedestal da certitude. As pessoas são diferentes e isto é bom.

    • Júlio disse:

      “O calendario não é de modo nenhum sexista” – engraçado um comentário que começa assim terminar criticando nosso suposto “pedestal da certitude”.

      Respeito sua posição, João, mas repare tanto que em nosso texto está escrito que não acreditamos em igualdade na desigualdade, e portanto não partimos de sua premissa de que homens e mulheres sejam iguais NESTE MOMENTO HISTÓRICO,e que portanto não cabe igualdade de tratamento, quanto que há entendimentos em diversos setores, grupos e indivíduos de que o calendário – e não só – representa uma postura questionável.

      Respeitar a diversidade de opiniões me parece um bom primeiro passo para evitar o pedestal da certitude, não? Ou só faremos isso quando acharmos o que você acha?

      Obrigado pelo comentário, um abraço,
      Júlio

      • Joao Menezes disse:

        Voce tem razao Julio,
        Peço desculpas pelo pedestal. Inapropriado. Pensei nesta figura de linguagem por que foi iniciativa do DAR, querer retificar o “errado” e enfrentaram a reaçao que considerei natural. Quem teve a iniciativa do calendario, nao queria “retificar” nada. A postura entao de “pedestal de certitude” foi tomada pelo DAR. Mas obviamente eu tive a mesma “certitude” geradora de conflitos. Inclusive, com esta frase, tirei o foco do que importante voce nao abordou o teor da minha opiniao. O que tem de sexista no calendario? Nada. Nao vi nem vejo nenhuma exploracao das meninas que nao forma forçadas a nada, que participam do movimento. Volto a reiterar que a luta pela igualdade das mulheres na sociedade esta em outro lugar. No mais concordo com o que vc disse no seu argumento sobre o estado geral das coisas, mas em nada invalida a defesa do calendario

        • Júlio disse:

          Oi, João, como dissemos no texto a fronteira é tênue, e não basta ser voluntário o trabalho para que seus efeitos não possam ser considerados – como foram por nós e por muitas outras pessoas – prejudiciais, e mesmo opressivos. Usamos inclusive o argumento das propagandas de cerveja para ilustrar. Como também colocado, estamos diante de um movimento que é pouco ou nada atraente para a presença feminina, e nos cabe indagar as causas. Na lista da Marcha houve grande debate, e de umas 30 pessoas que se posicionaram creio que apenas 3 eram mulheres. Isso não diz muito? Os comentários, na linha dos citados acima, em defesa do calendário, não dizem muito? A desigualdade de participação e importância não dizem muito? Agora será muita coincidência termos um movimento com pequena participação feminina e com práticas que a tradição feminista considera sim opressiva?

        • juliana disse:

          Joao, talvez exista aqui uma confusão entre o que entendemos como sexista. Sexista nao é a exploração explicita e cruel. sexista é divulgar e difundir um produto erótico ou pornografico pautado no consumo do corpo feminino e voltado para atender ao desejo de homens heterossexuais. Sexista é reduzir a sexualidade a apenas uma possibilidade. é reduzir a pornografia a apenas um modelo, quando há diversas outras possibilidades de se produzir pornografia, sem que uma das partes seja feita objeto pela outra, que consome e deseja. Produzir e vender um calendario, em si, nada tem de errado, ou “moralmente” condenavel. Nossa questão aqui é com a vinculação deste discurso à marcha da maconha.

          • juliana disse:

            Joao, apenas um complemento: vc diz que o foco da luta feminista é outro, ou que “a luta pela igualdade das mulheres na sociedade esta em outro lugar”, e eu fico curiosa para saber que outro lugar é este que vc nos reserva, para a luta que é nossa. como mulher, sei que o foco da luta feminista é a liberdade e emancipação de nossos corpos e nossa sexualidade, sendo que a discussao que estamos propondo passa necessariamente por este mesmo foco.

    • Alvaro disse:

      O calendario nao é machista por quer “existem muilhares de iniciativas dessa pelo mundo”, ou seja… basta copiar o trivial, ainda que tal seja descriminatorio, que nao havera sexismo… sim, sabemos que sao muitos os exemplos e esse é o maior problema, os exemplos de machismo sao muitos, tantos que voce sequer consegue enxergar mais… a natureza nao pode decidir, nao tem personalidade, a mulher é um ser humanio, voce esta comparando a mulher com uma arvore? esta né… nada de errado nisso?Qual é o foco da luta feminina, ja que voce é tao entendido do assunto? A, um conflito seria “a toa”? E e o pessoal do DAR que esta em um pedestal de certitude?

  7. Marcia disse:

    Parabéns pela análise ampla e pela coragem de abordar e exemplificar…. é muito importante sempre levar em conta que uma luta não é só uma luta, ela faz parte de todo um contexto onde outras (e todas) questões devem ser consideradas. Machismo, aborto, liberação, livre expressão, etcetal, fazem parte do todo, do conjunto. Brilhante análise, tinha tudo para cair no senso comum e conseguiu fugir e adentrar em questões que podiam passar ao largo em nome do objetivo comum. Parabéns!!!

  8. Henrique disse:

    Parabéns, ótimo texto!

  9. Angelo disse:

    Preconceito se combate com preconceito?

    maconheiro não é so o dreadlock nem o cara alternativo, maconheiro é a mulher bonita também, o homem bonito, pq a beleza da pessoa não deve ser ignorada, triste ler isso.

    • juliana disse:

      Angelo, não sei de onde vc tirou que o texto é preconceituoso. Em todo o texto há exemplos de fatos e atitudes que aconteceram. Sim, o “maconheiro” tambem é o homem bonito e a maconheira tambem é a mulher bonita, ninguem ignora a beleza aqui, na verdade se criticou a vinculação de um discurso/produto baseado exclusivamente no desejo do homem, e nao é esta a beleza ou a pornografia que nós mulheres antiproibicionistas queremos que o movimento divulgue. Triste é achar que o homem é quem deve dizer quando a mulher é tomada como objeto. Quem pode falar do desrespeito é aquel@ que está na posição de baixo desta relação.

      • Amanda disse:

        Achei o texto preconceituoso também. “Os homens pensam e as mulheres posam?” Quem disse? Quem disse que aquelas mulheres não pensaram esse trabalho? Quem são vocês pra dizer que a imagem dessas mulheres está sendo explorada pra vender. A comparação com modelos de cerveja que são pagas pra anunciar um produto é absurda e condescendente. Essas mulheres lindas que estão no calendário não são modelos, são ativistas e fazer o calendário é um ato político de muita coragem que não deve ser diminuído por quem quer que seja. Vocês clamam por uma participação maior das mulheres mas só serve se for nos termos que vocês julgam adequado?

        • Júlio disse:

          Verdade, Amanda, essa frase ficou meio dúbia e talvez infeliz. A ideia não era dizer que as garotas, sejam participantes do calendário ou não, não pensam – no sentido de não usar o cérebro, mas sim que não pensam (ou não são chamadas a pensar) a política da Marcha, saca?

          Então elas são chamadas para se engajar apenas enquanto modelos, afinal a participação feminina nos espaços de decisão, formulação e posicionamento público é pequena e pouco estimulada (pelo contrário, veja as aspas citadas no texto para ver como essa recepção é pouco acolhedora). Se quer tirar a dúvida, procure vídeos das falas nos carros de som ou megafones nas Marchas ao redor do Brasil, por exemplo, e veja a discrepância… Sobre o final do comentário, se a participação de mulheres no movimento for feita de uma forma que pode frear ou inibir uma participação mais ampla e plena, como avlaiamos que é possível que se dê em casos como esse, aí achamos que vale questionar.

          Por fim reitero apenas que criticar uma ação, posição ou atitude não significa em nada DIMINUIR o trabalho ou as posições de quem quer que seja, é apenas uma discordância política, que também crieo que não pode ser diminuída.

          Valeu pelo comentário,
          abraço

          • Amanda disse:

            Acho que as vezes não levamos em consideração certas diferenças culturais, parecemos ter um mesmo background mas tem coisas que tem pesos diferentes no Rio e em São Paulo, talvez o Rio por ser um balneáreo já tenha uma tradição política mais satírica. Não estou falando de bairrismo estou falando de ruído branco mesmo. Não tenho a menor relação com o calendário mas essa discussão me deixou tão irritada que tive que me manifestar e esse texto de vocês me ofendeu como mulher e feminista. E eu nem fumo maconha! E desculpe mas vou aproveitar o embalo para criticar outro ponto do texto, vocês usam uma retórica panfletária de esquerda que acho contraproducente, afinal a causa alem de ser apartidária tem que ser realmente neutra, afinal tem muito “burguês” que fuma e ninguém deve ser excluído, pelo contrário quanto mais inclusivo e variado o movimento mais forte. Achei o calendário lindo inclusive por ter uma representação abrangente de beleza feminina, tem magra, gorda, branca, negra..e nenhuma nudez. E se vocês ainda não tem um faço questão de dar um de presente é só me passar o endereço.

        • Alvaro disse:

          Nao é questao de servir nos termos que alguém julga adequado, é debater a adequaçao, e como vemos, de forma livre, algumas pessoas implicadas nos movimentos se declarou contra o calendario, se pensaram o trabalho, nao foi exatamente o foco e sim se pensam a marcha como um todo, ainda que hajam mulheres favoraveis à campanha, nao quer dizer que nao é machista… a comparaçao com modelos de pubs de cerveja é valida e parte do mesmo principio: homens atraidos por corpos femininos sexualizados, é tanto assim que ha uma foto com a cabeça da mulher cortada, quer mais emblematico do que isso? O que se esta “diminuindo” nao é o ato das modelos e sim a ideia concebida… a participaçao das mulheres servira de for de forma respeitosa e os termos adequados devem ou deveriam ser debatidos… sem imposiçoes.

    • Alvaro disse:

      Isso, a mulher bonita deve participar da mrcha por que ela fuma, entao, vamos analisar o papel desempenhado por ela… vejamos, segundo voce, ela deve… posar semi nua pra fotos… e voce ficou triste?

  10. ja ja disse:

    estrita observação dos seres pensantes.viva a igualdade dialética e histórica.

  11. Aline disse:

    Concordo com o texto. Penso que um comercial como este de Portugal não é sexista. Aliás é muito bem feito:

    http://www.youtube.com/watch?v=W8CVtuVVox4

    Agora na foto do calendário realmente não vi diferença nenhuma da Playboy. Ridículo.

    Desculpem o link errado do comentário que enviei acima.

    • Thiago Tomazine disse:

      Qual a diferença?? Ambos mostram mulheres com maconha….

      Porque o comercial português usa mulheres? Porque naturalmente chamam atenção.

      está mercantilizando o corpo da mulher tanto quanto o calendário…

      Mas como foi gringo que fez é bonito. É isso?

      • Tânia Carlos disse:

        Thiago,no vídeo as mulheres são protagonistas, e não objetos. O vídeo é sobre a relação DELAS com a maconha. O vídeo não as mercadoriza. Claro, houve todo um cuidado na hora de selecionar garotas esteticamente aceitáveis perante à sociedade, mas esse vídeo não tem 10% do sexismo que um calendário tem.

        • Aline disse:

          É claro. O calendário parece a playboy, as mulheres estão sendo mostradas como objeto sexuais, muito mais do que usuárias de maconha. O vídeo português mostras as mulheres consumindo e e passando a impressão de que a sua relação com a maconha é agradável e faz bem à elas, respaldado pelos dados de pesquisas. As duas são bonitas mas esse fato não se sobrepõe à questão do uso. Elas são sujeito no vídeo e não suporte de campanha.

      • Alvaro disse:

        A unica semelhança apontavel que ha entre o video e o calendario é o fato de nos dois haver mulheres…

  12. Cabo Canavial disse:

    Excelente texto do pessoal do DAR. Me identifico totalmente e não estou sozinho.

    É lamentável que o movimento tenha escolhido ignorar o contexto em que vivemos, no qual a imagem da mulher já é explorada pela industria da “droga lícita” através de táticas rasteiras de propaganda e lançado mão de um recurso que, embora motivado por boas intenções acaba por aproximar a luta anti-proibicionista, do ponto de vista da comunicação com a sociedade, das propagandas de cerveja.

    Publicidade negativa para o movimento e oportunidade de auto-afirmação para algumas garotas. Uma delas no fórum da marcha simplifica em caps-lock: “PAREM DE PRECONCEITO, ARRUMAMOS UMA LINDA BOA IDEIA PARA ARRUMAR GRANA NESSE MUNDO MONETARIO E EGOISTA; (…) SOMOS LINDAS, SOMOS NATURAIS, SOMOS DE PERSONALIDADE CATIVANTE, QUEREMOS A LIBERAÇÃO DA MACONHA!” No Brasil também tem negros que acham que não existe racismo. A alienação não acontece a partir de um linha divisória, é um espectro gradiente. Tem pessoas que defendem nossa causa, mas são totalmente alienadas em relação a outras questões.

  13. Mac disse:

    legal
    qto mais se discute e polemiza, mais se chega a conclusões que é o que interessa
    eu fico aqui pensando se nos nao estamos dando muniçao aos evangelicos em suas conclusões pequenas
    bem num momento crucial à luta
    tbm nao digo que nao desejo uma folhinha na parede do meu quarto:], mas digo que gostaria de estar lendo as mulheres e suas ideias a respeito
    em todas as situações elas atuam do outro lado da balança que sem elas fica desequilibrada

    • Gabi disse:

      Mac, não entendi sua pergunta. Por que estaríamos dando munição aos envangélicos com essa discussão? Aproveito pra reiterar, caso não tenha ficado claro, já que você diz que gostaria de ler opinião das mulheres a respeito, que nós mulheres do Coletivo DAR fizemos parte da formulação e elaboração do texto.

  14. Thiago Tomazine disse:

    Essa é a posição do DAR ou do Julio Delmanto?

    Julio já viu o calendário?

    • coletivodar disse:

      Caro Thiago, todos do DAR puderam ver diversas amostras do calendário, tendo em vista que há material divulgado na Internet, esqueceu? E repare que o texto não é somente sobre o calendário, e sim parte dele (e da discussão em torno dele) para discutir questões mais amplas, que são (in)convenientemente ignoradas.

      Júlio é apenas um dos membros do DAR que participou da lenta construção coletiva deste texto, foi o responsável apenas por enviar o texto na lista da Marcha. Diferentemente dos que insistem em seguir personalizando as discussões, os que falam ou atuam em nome do DAR o fazem representando discussões coletivas – e se você leu o texto verá que discutimos feminismo e gênero já há um bom tempo.

      Obrigado pelo comentário

      • juliana disse:

        Thiago, como conversamos em porto alegre, vc bem sabe que esta nao é uma posição do julio, mas do coletivo DAR como um todo. Personificar a discussao me parece um desvio do seu conteudo. Vc discorda do que escrevemos, e tem todo direito de discordar. Procure se atentar ao conteudo, e poderemos discutir em pé de igualdade e civilidade. Entendo que vc e outros tomaram este manifesto como um ataque pessoal, porem a proposta é fomentar o debate. Se há um calendario de moças seminuas no site, haverá tambem os outros discursos, afinal nao há consenso. O importante é que nenhum dos discursos seja interditado. abraços,

  15. Larissa disse:

    legalzona a conversa – principalmente pela rejeição que vejo ao debate. se fosse uma possivel acao racista ou homofobica as pessoas agiriam assim com receio de discutir e ver que tem opressão na jogada? isso mostra o quanto é importante aprofundar discussao de genero, em todos movimentos. tem gente que nao aguenta nem falar sobre o tema imagina mudar a forma de agir.

  16. Mafalda disse:

    Bela iniciativa!

    Demorô, já estava mais do que na hora de colocarmos essa disparidade de papéis dentro do movimento antiproibicionista, tendo em vista que ela está presente não apenas na marcha, mas também em outros espaços como o Hempadão e o Growroom.
    Mas embora concorde que esses pontos e fragilidades tenham de ganhar visibilidade e ser cuidadosamente debatidos, penso que a discussão não pode se direcionar exclusivamente no sentido da crítica a um tipo de comportamento e perspectiva sobre as mulheres que discordamos, mas tem de se ampliar para algo mais propositivo, mais concreto.
    Se nós, “mulheres maconheiras” não nos sentimos representadas (e de certa forma, até agredidas) com esse tipo de esteriótipo feminino apoiado por parte do movimento antiproibicionista (que, segundo Sérgio Vidal – um cara que eu respeito muito, diga-se de passagem -, em resposta às críticas ao concurso Miss Marujuana, é apenas a tentativa do movimento se “normalizar”), quais seriam essas outras representações femininas que gostaríamos de dar mais visibilidade?
    Que mecanismos poderiam ser criados para estimular outros tipos de participação e de representatividade, para além da crítica desse modelo apoiado tanto por homens quanto por mulheres?
    Como seria o nosso “calendário”?
    abs e parabéns pela proposta do debate!
    Vovó

  17. Julhana disse:

    Acho importante vocês se posicionarem desta forma e manterem os princípios e a noção de justiça. Mas no fim, o que aconteceu com os calendários? Foram aprovados ou não? (espero que não!).

    • coletivodar disse:

      Como não houve espaço para um consenso, o “acordo” ficou que, já que o calendário já estava sendo divulgado sem Ok geral, ficou como estava e divulgaríamos também textos de opinião publicados no Blog. Houve um texto em favor do Calendário e esse do DAR.

      Abraços

  18. cannabis_project disse:

    Cara, conheci hoje o coletivodar e o esse foi o primeiro post que eu li! Estão de parabéns! Eu sou homem, casado e concordo com tudo que foi dito, é inteligente ir contra a proibição da maconha, mas é GENIAL ir contra o sistema e todas os conceitos que empurram na nossa mente desde criança, o preto é bandido, o branco é playboy, a mulher é pra “comer” ( se for bonita ) se for feia “come” também mas não conta pra ninguém pq não CONTA PONTOS no atual JOGO DA VIDA, cara só existe um caminho o amor, o perdão e aceitação! Acho que a cannabis de certo ponto ajuda a se QUESTIONAR, se usada CORRETAMENTE você consegue inclusive uma MUDANÇA DE VIDA de 300% é uma ferramenta DIVINA, mas com certeza nem todos estão preparados para ela, vamos buscar conhecimento, vamos buscar a paz, vamos deixar de ignorância para com o próximo!!! ONE LOVE

  19. Fabbao disse:

    nunca vi tanto maconheiro careta, tem que somar e não dividir.

    • Lucas Gordon disse:

      Exato! Somemos as bandeiras de luta, de emancipação social, e não dividamos os seres humanos entre sujeitos e objetos de acordo com o gênero.

    • Alvaro disse:

      Voce chama “somar” de ignorar a realidade machista que paira na sociedade e que acabou, como nao poderia ter sido diferente, respingando no movimento?

  20. maconheira politika disse:

    muito importante ver esta discussão aqui no dar. alguem tem q tocar nos assuntos ‘invisiblizados’!
    não surpreendente é ver a logica de exploração do capital presente em tudo: na exploração do tráfico de drogas, do sangue dxs trabalhadorxs, no corpo das mulheres, nas mentes dxs companheirxs…

    mesmo depois de um texto desses, onde se fala de maneira bem simples e entendível sobre a formaçao social das nossas mentalidades… às vezes é tão difícil um minímo de omnilateralidade… será que não enxergam? vão continuar individualizando as questões? mas gente, e a leitura de mundo? e o projeto de sociedade?
    então e simples? “fumar maconha” não é uma coisa simples.

    sim, não estranhe, existe machismo na marcha, existe machismo nesse calendário, existe machismo na cabecinha de nós mulheres, existe machismo na estética, existe machismo na cultura da maconha…

    antiproibicionismo e feminismo: sim, precisamos ser irmxs!

  21. [...] vencendo, dizíamos e dizemos. E eis que a terceira também nasce na rabeira de mais polêmicas (Sexismo dentro da Marcha da Maconha? Não em nosso nome) : em homenagem (e não parabéns) do Dia Internacional da Mulher, apresentamos A [...]

  22. Gabriela disse:

    Acompanhava a organização e o site da Marcha da Maconha até começarem com a história de Miss Marijuana e com o calendário.
    O texto traduz bem meu sentimento: era pra isso então que me queriam na luta pela legalização? É isto o que esperam de mim?
    Um bando de maconheiros pseudo-politizados produzindo e consumindo pornografia dentro de seu próprio movimento (porque, sejamos honestos, o calendário dificilmente conseguiria mudar a cabeça de “caretas” mostrando uns peitos enrolados em maconha). Feito por eles e para eles mesmos, as custas da exploração do apoio das simpatizantes femininas do movimento.

    Sim. Ninguém foi obrigada a posar.
    Mas me fere o respeito saber que a Marcha da Maconha me quer em seu corpo pra se aproveitar do meu corpo.

  23. Dbiepolonesa disse:

    mto válido o debate, mas será que esse lance de sexismo nao seria somente p/ desestabilizar a causa? fazer associaçao negativa ao tema? sei nao viu, mas seria uma coisa tao simples de resolver..pq nao fazer um calendário com “personalidades q fumam”tipo homens, mulheres, famosos e anônimos,pessoas que não dao pinta tb seria interessante…doutores, médicos, ajudaria inclusive a acabar c/ preconceito q cannabis é coisa de vagabundo..poxa, com mais jogo de cintura poderia ser feito um trabalho mto bom!

  24. Dbiepolonesa disse:

    qquer coisa me chamem! Bruno Logan, tamo ae na luta rapaz!

  25. luca disse:

    “Ou é careta ou não gosta de buceta”!

    Esquerdista autoritário e homofóbico é dose.

    Digno de um passeio solitário no antigo prédio do DOPS durante a madrugada.Ou mais alguns anos de faculdade.

    Que continuem racionais os ativistas de hoje em dia…

  26. FERNANDO disse:

    QUANDO VC TOCA NO NOME “MARCHA DA MACONHA” JA VEM UM MONTE DE ALIADO DENFENDER A VISÃO LIMITADA DESSE GRUPO, SÓ LAMENTO.

    PEDIR DINHEIRO ELES SABEM, PRODUZIR CALENDÁRIO E VENDER TBM, O QUE ELES NÃO SABEM É PRESTAR CONTA DO QUE ARRECADAM.

    CADE A PRESTAÇÃO DE CONTAS DAS MARCHAR POR AI? SERA QUE SOBRA ALGUMA COISA PRA AJUDAR MOVIMENTOS IGUAIS EM OUTRAS CIDADES OU FICA TUDO NO DISTRITO? VC SABE? EU NÃO SEI.

    VAMOS ALEM? SERA QUE O QUE SOBRA AJUDA A FINANCIAR CAMPANHA POLITICA?

    QUAL É A REAL MISSÃO DESSES CARAS? VISIBILIDADE OU AÇÃO?

    SE FOSSE AÇÃO ELES JA TERIAM PEGO OS TAIS ADVOGADOS E PRODUZIDO UM MANIFESTO PARA A MUDANÇA DA LEI, COMO FOI NO CASO DA LEI DA FICHA LIMPA E COMO É NO CASO DO PESSOAL DO “NÃO FOI ACIDENTE”, INICIATIVA POPULAR, E NESSES ANOS DE MARCHINHA JA TERIAM COLHIDO MUITAS ASSINATURAS OU EU TO ERRADO?

    PRA MIM ISSO É PURA PROMOÇÃO E POLITICAGEM PRA BENEICIO PROPRIO, AÇÃO QUE É BOM FICA PRA QUEM DA A CARA A TAPA E VAI PRA RUA GRITAR PELA CAUSA “DELES” QUE É SOMENTE PROMOÇÃO E VISIBILIDADE.

    PARABENS DAR PELA MATERIA, PELA VISÃO E POR SUAS AÇÕES.

  27. Marta Resende disse:

    Acho plenamente possível lutar pela legalização da maconha e contra a legalização do aborto e discordo que sejam lutas irmãs. O ato de fumar maconha só envolve uma pessoa e não passa da esfera do individual, no caso do aborto há duas pessoas envolvidas, sendo que o uso de maconha não representa nenhuma violência ao contrário do aborto.


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