DAR – Desentorpecendo A Razão

Coletivo Antiproibicionista de São Paulo

Será lançada em maio a primeira revista sobre cannabis do Brasil

semsementeRevista foi divulgada na Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, ocorrida no último sábado (5) | Foto: Divulgação

Felipe Prestes

Ocorrerá ainda no mês de maio o lançamento da revista semSemente, a primeira publicação impressa sobre maconha no Brasil. Depois de alguns contratempos, como o fato de uma gráfica ter desistido do trabalho, temendo alguma ação judicial, os editores da revista esperam lançá-la já neste sábado (12), durante a Marcha da Maconha de Niterói. E pretendem estar em Porto Alegre, revistas em mãos, na marcha do próxima dia 26, no Parque da Redenção. “A mídia sempre trata a cannabis de forma marginalizada, como droga. Não fala sobre os benefícios que ela pode trazer para a sociedade, como o uso medicinal e industrial. Falta uma publicação para mostrar o outro lado da moeda”, defende William Lantelme, um dos idealizadores do projeto.

“Eu já estou à frente da Marcha da Maconha desde 2007, administro o Facebook, o email. Meu sócio é fundador do Grow Room, primeiro fórum de internet sobre o tema no Brasil. A gente percebe que o pessoal carece muito de informação. Então, este é o nosso principal objetivo”, concorda o outro idealizador da revista, Matias Maxx.

A publicação não falará simplesmente do uso recreativo da planta, mas de vários assuntos relacionados à cannabis, como o cultivo, o uso religioso, gastronomia canábica, além de temas políticos e culturais. A primeira edição tem uma entrevista com Pedro Abramovay, que foi secretário nacional Antidrogas por um curto período do Governo Dilma, sendo demitido porque defendeu penas alternativas para pequenos traficantes. Também traz uma entrevista com um dos integrantes do Cypress Hill, grupo de hip hop dos Estados Unidos, que costuma falar sobre a maconha. A publicação também terá espaço para quadrinistas como Arnaldo Branco.

A revista será bimestral e custará R$ 11,90. As vendas serão feitas principalmente online e por assinatura, mas haverá distribuição em algumas bancas e livrarias das principais cidades do país. Os pontos de venda serão divulgados no site da publicação. A tiragem inicial será de 10 mil exemplares.

Momento é propício para o surgimento da publicação

A ideia de uma revista brasileira sobre maconha surgiu em 2007, depois que William e Matias participaram juntos da organização da primeira Marcha da Maconha, no Rio de Janeiro. “Havia um grupo muito bom de pessoas trabalhando juntas, não queria desperdiçar este time”, conta William, que, em seguida, viajou para a Argentina e conheceu a revista THC. Voltou para o Brasil com a ideia de dar continuidade ao trabalho da Marcha com a criação de uma revista.

“Sempre faltaram colaboradores e anunciantes. Agora, o projeto ficou mais viável”, conta. A publicação terá anunciantes como tabacarias e lojas de cultivo de plantas. O clima em 2012 é mais favorável à criação da revista, segundo os idealizadores, uma vez que há inúmeros grupos que organizam marchas em todo o país e também devido à decisão do STF, que pôs fim à onda de proibições às marchas. “É um momento bastante propício. A gente sempre teve muito receio com a questão da liberdade de expressão, porque as marchas começaram a ser proibidas. A decisão do STF, apesar de ser restrita à marcha, diz muito mais sobre a liberdade de expressão do que pontualmente da marcha. Os votos dos ministros citam até o direito de o Planet Hemp se expressar”, diz William Lantelme.

“Agora a gente achou que era o momento ideal para lançar, porque já tem mercado e teve a decisão do STF no ano passado. O STF já deixou claro que você defender a legalização é diferente de fazer apologia. É a isto que a nossa revista se propõe”, relata Matias Maxx.

A inspiração da revista não é apenas com a publicação argentina THC, que está completando cinco anos de existência. “Está inserida no contexto global”, afirma William. Os editores da revista mantêm permanente contato com ativistas de todo mundo e com publicações de outros países sul-americanos, como o Chile. “Nestes países eles têm interesse de traduzir as matérias deles para o Brasil. Eles insistiam para que fosse feita uma revista aqui”, conta Matias.

A primeira edição da revista já sai com fotos cedidas pela revista argentina e tem até anunciante da Holanda. Há também uma reportagem com Jorge Cervantes, um norte-americano especialista em cultivo de cannabis. Os organizadores também pretendem cobrir eventos relacionados à maconha, que costumam ocorrer fora do Brasil.


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