Drogas: mudança de paradigma ou reforma do proibicionismo?, por Henrique Carneiro
22/10/2012 7 ComentáriosCarta à Reunião Inaugural da Rede Latino-Americana de Pessoas que Usam Drogas (Salvador 25/26 de outubro de 2012)
Henrique Carneiro
O proibicionismo das drogas parece abalado como nunca antes. O ano de 2011 assistiu inúmeros governantes e ex-governantes mudarem suas convicções e suas práticas de décadas e passarem a defender o fim da guerra contra as drogas. FHC, Gaviria, Zedillo, Paul Volcker e George Schultz se somaram a opinião de que a regulamentação das drogas ilícitas é a única saída para a espiral de violência, mortes, aprisionamento e hipertrofia de lucros causados pela proibição de certas drogas.
As marchas dos tradicionais ativistas da legalização da maconha cresceram, ocuparam as ruas com coragem de desafiar a interdição policial e ganharam seu direito de expressão levando o debate para o STF. Aumenta o consenso entre cientistas, artistas e intelectuais de que a proibição é uma política falida. Filmes, debates e simpósios se sucedem sobre o tema.
Da mesma forma que sempre ocorreu diante das grandes causas sociais, diante da falência e da derrocada de políticas injustas que subsistiram por muito tempo, como foi com a causa da abolição da escravidão, do direito ao voto feminino ou dos direitos civis para homossexuais, quando começam a desabar os pilares de uma injustiça, muitos dos que antes estavam no campo da velha ordem passam a mudar de lado com o intuito de amenizar a mudança repetindo a velha toada do “é preciso mudar para que tudo continue igual”. Diante das exigências de rupturas, clamam pela impossibilidade de mudança radical, propondo pequenas alterações que não atinjam a estrutura básica em questão.
Assim como no passado, ao invés de defender a abolição total da escravidão, buscaram-se medidas transitórias como uma lei do ventre livre ou dos sexagenários.
Ora, o que se exige atualmente é o fim do proibicionismo e não sua adaptação.
Dezesseis estados norte-americanos já permitem o uso terapêutico da maconha, nas próximas eleições em três estados (Colorado, Oregon e Washington) haverá plebiscitos pela legalização plena para maiores de idade. No Uruguai, o presidente Mujica está propondo a legalização com controle estatal da grande produção e comércio e, em seu projeto, menciona que o Uruguai tem defendido a necessidade de um debate que “debe poner en cuestión las modalidades de control y fiscalización, y los princípios que sustentan dicho modelo, sustanciados en instrumentos jurídicos internacionales: la Convención Única de Estupefacientes de 1961, y la Convención Contra El Tráfico Ilícito de Drogas de 1988”. Mesmo sem explicitar que “por em questão” deva significar a denúncia do tratado, ou seja, a ruptura e retirada do país de sua participação nele, que é, ao meu ver, o único caminho e condição sine qua non para a revisão global do paradigma proibicionista.
Enquanto isso, no Brasil, vemos algumas iniciativas como a da reforma do Código Penal ou a campanha por uma nova lei de drogas levada pelo Viva Rio. Mais recentemente, também se somou a esse debate as propostas da rede Pense Livre, lançada com a presença mais festejada do próprio FHC. Em todas estas iniciativas subsiste um consenso: o uso de drogas pode ser descriminalizado, mas continuará sendo punido como crime hediondo caso se configure o comércio. E nenhuma palavra se diz quanto ao questionamento da ordem internacional da política de drogas.
Isso é não só uma incongruência como uma injustiça. Mesmo que se aceitasse o direito de autocultivo de maconha, o que é mais do que legítimo, restaria a questão da manutenção de um comércio clandestino, regido pela ilegalidade, violência e corrupção.
E as propostas de reforma no Brasil são mais do que tímidas e limitadas. São cúmplices com a própria lógica proibicionista ao proporem medidas que mantém a criminalização do plantio, do pequeno comércio e até mesmo da cessão gratuita!
Está sendo apresentado como se fosse uma grande mudança na política de drogas algo um conjunto de propostas que alteram pouco a situação atual.
A proposta de alteração do Código Penal continua a incluir diversas condutas ligadas ao uso de drogas[1]. Aquilo que é apresentado como um suposto avanço, a exclusão do crime no caso de consumo pessoal, continua ao arbítrio da autoridade, pois “Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, à conduta, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, bem como às circunstâncias sociais e pessoais do agente”. E, ainda pior, alguns parágrafos à frente e se criminaliza a cessão para o uso gratuito a “pessoa do seu relacionamento”:
“Indução ao uso indevido de droga
Art. 219. Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:
Pena – prisão, de seis meses a dois anos e pagamento de cem a trezentos dias-multa.
Consumo compartilhado de droga
Art. 220. Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem:
Pena – prisão, de seis meses a um ano e pagamento de e pagamento de setecentos a mil e quinhentos dias-multa.”
O projeto de lei que está sendo objeto de uma campanha de arrecadação de um milhão de assinaturas com uma campanha de mídia apoiado pelo Viva Rio sofre da mesma insuficiência de querer ser um remendo supostamente progressista no edifício em desabamento do proibicionismo, ao continuar tipificando como crime a conduta de comércio de substâncias ilícitas.
A única saída possível da guerra às drogas é a legalização do consumo e do abastecimento. Subsiste o debate sobre a melhor forma de fazê-la, se por meio do Estado, da iniciativa privada, de cooperativas ou de qual combinação entre estas esferas, mas deveria haver um consenso do pensamento antiproibicionista de que o denominador comum mínimo é a legalização. O projeto uruguaio ao menos propõe “la normalización e inclusión social del uso de marihuana, de forma que los usuários no sean estigmatizados ni tratados a partir de la aplicación de ley penal” e resolve o problema do abastecimento ao propor que o Estado regularize e nacionalize a grande produção e o atacado.
Reduzir o objetivo estratégico da legalização por medidas de criminalização só de certas quantias mantém o mercado paralelo e toda violência, corrupção e danos vigentes. A ideia de uma quantia aceitável de “cinco dias de consumo” significa a impor aos consumidores a necessidade de frequentarem um traficante a cada cinco dias!
Uma descriminalização apenas do consumo mantém o centro do problema que é o mercado ilegal e suas consequências de violência e corrupção. Só a legalização pode levar a um efetivo controle da produção, distribuição,comercialização e consumo de drogas
Atores antes ausentes ou do lado da repressão no debate da política de drogas como os presidentes da Colômbia, da Guatemala ou do México surgem nos últimos anos defendendo reformas num sistema proibicionista que deve não ser reformado, mas desmantelado como estrutura repressiva global de controle social e criminalização da pobreza. O tema vem se tornando um debate cada vez mais intenso e é preciso demarcar claramente um campo democrático radical antiproibicionista.
O proibicionismo viola princípios da autonomia humana. A legalização das drogas é uma causa ética e filosófica, pois envolve um aspecto profundo da autodeterminação humana, dos direitos civis em relação ao próprio corpo. É uma causa social, pois defende milhões de vítimas diretas, presos ou assassinados, e de toda a sociedade que, com a proibição, se vê tutelada por mecanismos de controle social e de criminalização da pobreza. A legalização é uma das grandes reformas sociais necessárias. Haver obstáculos para sua realização, especialmente numa opinião pública conservadora alimentada pela mídia e por muitas religiões e, em parte, financiada pelos lucros diretos ou indiretos da proibição, só deve nos fazer afirmar mais categoricamente a condição inalienável de direito humano a liberdade de amenizar o seu sofrimento por meio dos fármacos que a natureza e a ciência disponibilizaram para a humanidade.
Assim como ocorreu com os homossexuais, vai ser a saída às ruas dos milhões de usuários que vai poder conquistar as mudanças necessárias.
Estima-se em cerca de um milhão e meio os consumidores diários de maconha no Brasil. Seu direito de existência como cidadãos é uma garantia democrática fundamental do direito à liberdade sobre o próprio corpo e modo de vida.
Proponho os seguintes tópicos centrais para um posicionamento sobre drogas para uma articulação e uma ação antiproibicionista real e unificada:
1) Recusa à guerra contra as drogas como doutrina totalitária, neo-colonial e imperial. Denúncia dos tratados iniciados desde a Convenção Única sobre Entorpecentes, de 1961. Pela retirada do Brasil desses tratados.
2) Defesa da legalização das drogas. O uso de drogas é uma questão social e cultural e o seu abuso pode ser um problema de saúde pública, mas não pode ser encarado como um crime, pois tal conduta não fere nenhum direito alheio, não constitui uma agressão ao patrimônio nem à pessoa, não tendo, portanto, nenhuma lesividade.
3) Ênfase numa campanha internacional e nacional imediata pela legalização da maconha, com eixo em três aspectos:
a) uso terapêutico
b) uso recreacional
c) uso para investigação neurocientífica
4) Abertura de um amplo debate sobre os modelos necessários e possíveis de uma legalização real com respeito aos direitos humanos e de cidadania dos consumidores de drogas.
[1] TÍTULO VII
CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA
Capítulo I
Dos crimes de drogas
Tráfico de drogas
Art. 212. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – prisão, de cinco a quinze anos e pagamento de quinhentos a mil e quinhentos dias-multa.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
I – importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas;
II – semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
III – utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
Exclusão do crime
98
§2º Não há crime se o agente:
I – adquire, guarda, tem em depósito, transporta ou traz consigo drogas para consumo pessoal;
II – semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de drogas para consumo pessoal.
§3º Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, à conduta, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, bem como às circunstâncias sociais e pessoais do agente.
§4º Salvo prova em contrário, presume-se a destinação da droga para uso pessoal quando a quantidade apreendida for suficiente para o consumo médio individual por cinco dias, conforme definido pela autoridade administrativa de saúde.







texto perfeito!
queria ouvir contra-argumentos, eles existem?
Nesse mundo realmente as coisas são invertidas, parece que os proibicionistas não olham pro lado e não querem ver a coisa como ela é, alguem perguntou a algum usuario de maconha o que ele acha que poderia ser feito, sem zombaria mas num estado democrático de direito? eu como usuario de canabis a mais de vinte anos posso me dizer ESPECIALISTA, então nas minhas afirmações eu posso citar alguns detalhes que esses caras “os que mudam as leis” se recusam a ACEITAR:
no caso do plantio caseiro vc fica livre do traficante e não alimenta o sistema paralelo, não corre risco na rua andando com bagulho, consome uma erva de qualidade limpa de sujeira e outras drogas viciantes que os traficantes misturam.
o plantio caseiro, proporciona a 80% dos maconheiros que a lei abrange, a plantarem sua erva sem ter que recorrer a sistema paralelo, iriamos contribuir com as companhias de luz e agua e ajudaríamos o mercado de jardinagem a ganhar um folego, os outros 20% não vão plantar por algum motivo.
Esses 20% não vão ter espaço em casa, a mãe não vai deixar entre outros… então eles são possiveis consumidores do sistema paralelo, ou dos amigos que tiveram uma produção melhor, ai é melhor ficar com os amigos pela qualidade e por não alimentar sistema paralelo,
nesse caso,para ajudar esses 20% e pra erradicar de vez o trafico de canabis, poderia ser possivel aquele amigo que tem um sitio plantar para outros 5 ou 10 que não tem condições de plantar em casa, ai formariam pequenas cooperativas mas tudo bem documentado e fiscalizado. não ia doer nada…
o plantio caseiro a curto e medio prazo acabaria com o trafico de maconha e isso seria um processo natural, a qualidade e a alimentação do crime organizado seriam as grandes motivações.
Lembram da invasão do alemão? 44 toneladas de maconha? x 500,00 o kilo, chutando baixo temos QUANTOS MILHÕES DE REAIS?, faz a conta ai… imaginem isso fora das mãos dos traficantes? imaginem 40% desse valor não alimentando mais a policia bandida?
como eles não conseguem ver isso?
ou é muita cegueira, ou é muita limitação cultural e informativa, ou eles estão ganhando alguma coisa pra tentar manter o atual modelo, agora remodelado mas ativo…
quais são os reais interesses? porque se os interesses são com a população, ja teria sido legalizada a maconha a muito tempo, até porque o canhamo é a fibra mais ecologicamente correta que existe, sua fibra produz papel e roupas bem mais duraveis do que as de algodão, as arvores que são derrubadas para produção de papel poderiam continuar vivas com a utilização do canhamo.
mas qual os reais interesses?
é com as famílias? com os jovens? ou com possíveis ganhos que não virão mais…?
agora eles vem com essa:
“Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, à conduta, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação” TIPO ASSIM, SE EU TIVER 10 PÉS EM CASA VOU SER RECOLHIDO DA MESMA FORMA E ESPERAR O JUIZ 60 DIAS PARA ANALISAR MEU CASO E DIZER SE É TRAFICO OU NÃO? OU SEJA , NADA MUDOU AI MESMO…
Art. 219. Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena – prisão E multa. OU SEJA, SE ALGUEM ME PEDIR UMA CEDA EU POSSO IR EM CANA POR AUXILIA-LO? LEGAL NÉ? E CAIXA 2 NÃO É CRIME…
Consumo compartilhado de droga
Art. 220. Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem: QUER DIZER QUE SE CADA UM ESTIVER COM O SEU TUDO BEM? MAS SE EU ESTIVER COM A MINHA NAMORADA NA PRAIA, SE SOU EU QUEM PLANTOU A ERVA, ELA TBM FUMA E ESTAMOS DIVIDINDO UM EU POSSO SER PRESO? BOM EU POSSO FAZER UM PRA ELA FUMAR SOZINHA…DAI EU TO LIBERADO DA CADEIA E DA MULTA?
AI PRO MINISTRO DO SUPREMO, FORMAÇÃO DE QUADRILHA NÃO SE APLICA AO MENSALÃO…
VIVER NUM MUNDO ONDE TA TUDO INVERTIDO SÓ SENDO VC POR VC MESMO, ESPECIALISTAS DE MERDA NENHUMA FALAM NO SEU LUGAR, NUCA FUMARAM UMA ERVA, NUNCA TOMARAM UMA AYAHUASCA PRA FALAR DELA TBM, É TANTA PUTARIA QUE DESANIMA, POR ISSO FAÇO MINHA PARTE…
E FICO NO SILENCIO…NINGUEM PRECISA FICAR SABENDO DA SUA VIDA…
Fiquei com algumas dúvidas, gostaria de esclarecimento:
1) Concordo que o consumo de drogas é um direito individual, mas e quanto à venda ou à distribuição? Se eu vendo ou distribuo algo que pode fazer mal a saúde de alguém de maneira por vezes devastadora, isso não gera um problema ético? O governo faria esse papel, ou seriam entidades privadas? Se fosse o governo, isso seria feito em nome do bem comum?
2) Se o consumo de drogas for liberado, haverá uma idade mínima? Será necessário alguma avaliação psicológica prévia? Crianças e pessoas com distúrbios mentais terão proteção especial?
3) “a condição inalienável de direito humano a liberdade de amenizar o seu sofrimento por meio dos fármacos que a natureza e a ciência disponibilizaram para a humanidade.”, sem receita médica?! Quer dizer que para tomar um analgésico precisamos de um receita, mas para ópio não? Ou será necessário receita médica para comprar drogas?
Se for necessário, os médicos poderão fazê-lo sem violar seu juramento? E se não for necessário, as farmácias continuariam a pedir receitas para as drogas lícitas (todas), ou haveria um mercado paralelo ainda maior do que o que já existe?
Obrigado pela atenção!
1)O problema ético já está posto nos diversos comércios que vendem mercadorias que podem trazer danos às pessoas: postos de gasolina, lojas de ferramentas, lojas de chocolate, etc. O controle social é necessário em todos estes casos.
2)Da mesma forma, um controle social é necessário. Creio que há um certo consenso de que 18 anos é uma idade adequada para a auto-administração de drogas, como já ocorre hoje.
3)O poder médico hoje é uma das melhores armas da indústria farmacêutica para lucrar horrores com doenças que não existem. O homem deve ser livre para experimentar as substâncias para que encontre as que melhor funcionam para o que ele busca. Isso não quer dizer descontrole, apenas o acesso universal, não pautado num poder médico, mas, uma vez mais, num controle social que deve ser exercido por diversos setores da sociedade, ex: profissionais de saúde, assistência social, leis e normas publicamente definidas.
1)O texto não fala da legalização da maconha, que eu até considero uma droga socialmente aceitável, assim como o álcool e o tabaco (esse último cada vez menos, felizmente), mas da legalização das drogas em geral, inclusive as que viciam quase imediatamente como o crack e a metadona. Há claramente uma diferença de grau entre o chocolate e a metadona, por isso a comparação é francamente ridícula.
2) O fato de haver uma idade mínima implica necessariamente um mercado paralelo para os que estão abaixo da idade mínima, persistindo o problema que se queria evitar.
3) De fato, existem muitos interesses escusos por trás da indústria farmacêutica: não seriam eles os maiores beneficiados com a liberação das drogas? Quem poderia concorrer com eles? Os “pobres” cocaleiros bolivianos perderiam imediatamente o mercado da coca, por exemplo, se as indústrias pudessem vender drogas sintética baratas similares à cocaína (entre cheirar um pó batizado de procedência duvidosa e comprar um pó com selo de qualidade da Bayer, a maioria das pessoas escolheria a segunda opção, creio).
Fala Cético, eu não sou a melhor pessoa pra lhe responder porque eu não sou de nenhum grupo desses que defende a legalização, mas é estritamente necessário alguns esclarecimentos e detalhes que posso lhe dar dentro da visão de um usuário de maconha que sou.
acho que a primeira coisa é reclassificar as coisas, quando falamos em droga esquecemos o alcool e o tabaco, se formos na tabela da OMS vamos ver la que a maconha esta abaixo do alcool e do tabaco, e mesmo assim ela é tratada da mesma forma que o crack, ok? ou seja o alcool e o tabaco deveriam ser tratados igualmente como o crack mas são LIBERADOS E A CERVEJINHA TÃO INOCENTE MAS QUE É A GRANDE PORTA DE ENTRADA É OFERECIDA NO COMERCIAL DO NOTICIÁRIO DE ESPORTE NA HORA DO ALMOÇO, SENDO ASSIM, COMERCIAL DE CERVEJA NÃO SERIA APOLOGIA AO USO DE DROGAS? ENTÃO O QUE É MAIS DROGA? É A INDUSTRIA DA CERVEJA FINANCIAR A SELEÇÃO E VENDER SEU PRODUTO LIVREMENTE OU É A MACONHA QUE É REMEDIO PRA MUITA DOENÇA, PRINCIPALMENTE ESCLEROSE MULTIPLA?
Querido amigo cetico, quando vc fala de responsabilidade de venda e etica, me responda, vc acha que o governo ta pensando nisso quando continua liberando o alcool e o tabaco para consumo das pessoas? e pior, sabendo que eles são a principal porta de entrada para o mundo das “loucuras”? eu comecei minha vida enchendo o rabo de cerveja, depois provei o cigarro e depois que provei a maconha, e depois que veio a erva eu larguei todo o resto, sabe por que cetico? se eu beber a noite toda posso acordar num hospital de coma alcoólico se acordar, se eu fumar um maço de cigarro em 4 horas na balada eu vou encher meu organismo de 4mil substancias toxicas, se eu fumar minha erva, 3 baseados, vou colocar algumas substancias toxicas devido a carburação mas como fico? me da sonos e me torno a pessoa mais serena do mundo, quanta diferença hem?
tem coisas ainda que não foram conversadas a respeito de quem vai produzir e quando e quanto, pra mim esse detalhe é pros acomodados e maconheiros de merda, pois sou contra alimentar qualquer tipo de sistema, pra mim, usuario de erva, a legalização traria a unica coisa que preciso, o direito de plantar, se todos plantassem não existiria farmacinha de erva ou outras drogas, e pra mim o caminho é esse, quer fumar? plante o seu…
e se o governo fizesse isso meu amigo seria sim para um bem comum, veja a coragem do presidente do uruguai, ele esta pensando nas pessoas, nós como usuarios existimos e temos direitos, principalmente o DIREITO DE NÃO FINANCIAR TRAFICANTE OU SISTEMA PARALELO, MUITO MENOS SISTEMAS DO GOVERNO.
em relação a sua segunda pergunta, é obvio que deve haver uma idade minima, da mesma forma que existe com o cigarro e o alcool, muito piores e liberados para seu deleite e prazer…porque nós não podemos ter prazer? mas para tomar uma dose de wisk precisa de alguma avaliação psicológica prévia? porque com a maconha precisaria, uma vez que ela é menos prejudicial?
em relação a sua terceira pergunta a resposta é muito obvia, assista no you tube videos de rick sympson, acho que é assim que escreve, veja la com seu próprios olhos o que ele tem feito e defendido, ele diz que poderíamos ter a farmácia no nosso quintal e não podemos, porque? industria farmaceutica e manipulação da informação… em resumo, interesses… a resposta é curta mas é muito ampla, vc acha que ACHE ou a NEOQUIMICA do ronaldo vão querer aceitar que o remedio pode estar no quintal das pessoas? eles querem vender as drogas deles…nesse caso foda-se o que é a verdade ou o melhor para as pessoas, é tudo interesse num mercado que é enorme e rende bilhões por ano para essas industrias que tbm pagam milhões em impostos… e a macula continua…e vc continua a creditando na aspirina…
vc disse tbm ” Quer dizer que para tomar um analgésico precisamos de um receita, mas para ópio não? Ou será necessário receita médica para comprar drogas?” meu amigo se alguma coisa acontecer nesse pais, o mesmo vai se basear em modelos ja existentes, então sugiro que vc procure se informar sobre o que ja acontece no mundo canabico e em países onde isso ja acontece.
te dou outra dica, procure no you tube o documentario “o sindicato” ali estão as respostas para muitas das suas duvidas, esse doc foi produzido no canada e mostra a realidade da situação, e o legal dele é que no inicio ele relembra os motivos dessa ultima proibição que vem desde 1930, e ali mostra bem os “interesses” e os “reais motivos” que os donos do mundo tiveram para manter essa erva proibida, o motivo é extremamente futil e desde então a coisa só piora e as informação são sempre as piores a respeito principalmente da erva.
se vc me perguntar se eu sou a favor de liberar a cocaina ou o crack eu te digo que não sou não, mesmo porque é muito dificil produzir cocaina em casa, a maconha é só plantar na terra e cuidar, mas as outras drogas precisam de produtos quimicos para chegarem no ponto.
eu não conheço o juramento dos medicos, mas se for preciso receitar maconha para um alcoólatra largar a bebida eu não vejo problema nisso, se for pra largar o crack tbm só vejo beneficio, são diferentes os pontos de vista, sou um usuario falando com um cetico, prefiro receitar maconha do que anti-depressivos…
receita medica sempre deve existir, pois muita gente é viciada nessas drogas, vc ja ouviu falar em BOLA? quem toma bola toma remedio pra ficar doidão, é vicio, tarja preta precisa de receita, é droga forte isso, o que precisa é a população sair da escuridão e da maculação, ser independente em suas ideias e ter a humildade de ver a verdade como ela é.
e a verdade do nosso pais cetico é que todo dia vemos na tv bebados matando gente no transito, vc ja ouviu algum caso de maconheiro matando gente no transito? eu sempre fumei dirigindo e nunca me envolvi num acidente… vc ja viu alguem chegar em casa emaconhado e bater na mulher e filhos? e bebados? quantos são os casos?
uma coisa deve ficar bem entendida, pelo menos pra mim que sou usuario da erva, eu não quero mais comprar de ninguem, eu só quero plantar, eu não quero mais financiar traficante nem policia corrupta, eu só quero plantar, eu não sou traficante por ter 10 pes de erva em casa sendo que o destino final é o meu pulmão e a minha diversão ou prazer, sou muito menos doente do que um alcoólatra ou um tabagista, enquanto eu fumo 2 por dia um tabagista fuma 20 e um alcolatra bebe muito em uma semana…e nem por isso existe etica do governo para brecar o consumo de alcool, a AMBEV patrocina a seleção de futebol…ta injetando milhões na copa…e te digo meu amigo, idiotas somos nós que caimos no papinho desse povo chamado de governo.
se eles legislassem para a população a erva ja teria sido regulamentada e o pais estaria bem diferente, porque a equação é simples, plantando em casa não saimos pra comprar do sistema, seja ele qual for, vc acha que o trafico vai aumentar com essa liberação? é isso que eles te falam e te convencem a acreditar…mas enquanto vc não se informar de verdade e sem prejulgamentos a hipocrisia só vai se estacionar na sua cabeça.
o pais precisa de informação, mas a verdade verdadeira ninguem vai apresentar porque ela é cruel e é um choque pra quem é cetico como vc, vai trazer revolta, e vc acha que eles querem uma população revoltada? eles mantem todos na ignorância e a paz esta garantida, como aceitar que o governo nunca teve etica e sempre ajudou as pessoas a terem acesso a drogas piores liberadas pra consumo? como aceitar que a industria farmacêutica é uma maquina de interesses e uma industria de drogas tbm viciantes…como aceitar os reais motivos da proibição da erva desde 1930?
é como eu disse no outro comentario, o mundo ta todo invertido, agora as pessoas estão tendo essa necessidade de colocar as coisas na posição certa e estão vendo as sujeiras e os reais motivos dessas maculas que foram criadas e invertidas, o que poderia ser a solução da lavoura é vista como droga…
por isso meu amigo cetico, va atras de se informar tbm por vc mesmo, não fique esperando respostas das pessoas, dei umas dicas pra vc, ta tudo ai na rede, é só uma questão de mudança de ponto de vista, porque pra verdade não existe argumento e a verdade é uma só, vai atras e vc vai ver por vc mesmo.
abraço
Fala cetico, esqueci de falar, vc acha justo eu ser preso numa praia por dividir um “baseado” com a minha namorada que tbm fuma? no entendimento da nova lei eu estaria oferecendo, incentivando, ai meu amigo vc olha pro lado e ve familias e seus ISOPORES recheados de cerveja e a criança deles indo ali pegar o refrigerante, o pai bebendo ao lado filho, de latinha na mão, isso pode? ai vc olha pra tras e ve o boteco lotado de gente enchendo o rabo de pinga, chegam uns amigos na roda e UM deles pede mais copos, isso não é incentivo? isso não é oferecimento de droga? não seria crime tbm?
tai a hipocrisia…
aaaaa mas a coisa é diferente… onde? no seu modo de ver a coisa ou como ela realmente é?
quem chamou os copos fica onde esta, eu que dividi um com minha namorada posso ser preso…
é justo isso? sendo que a droga deles é mais viciante e mais alucinante que a minha? depois da praia eu posso pegar um carro e chegar em casa numa boa, eles não tem condições com tanta pinga na cabeça, as vezes nem de andar.
tbm não é justo eu continuar financiando traficante, nem sistema paralelo, eu tbm não vou financiar a industria do alcool, eu quero meu direito de poder fumar minha erva de forma recreativa ou da forma que a lei permitir, mas o governo acha que é assim que tem que continuar, a descriminalização só é boa se vier com a possibilidade de plantio, se não o trafico continua forte como esta, os usuarios vão ter que continuar a colaborar com o bandidos, são eles que trazem e vendem, para alimentar o sistema deles, compra de armas, aliciamento de jovens, entre outros que todos ja conhecemos, é justa essa continuidade?
ai vem um idiota e diz que o problema são os usuarios…ai pra mim a discussão acaba, pois gente assim ta longe de ver um palmo na frente e muito menos de falar desse assunto, até porque um lixo desse nunca fumou um verdadeiro para poder ter uma opinião sobre.
o trafico existe porque o governo permite, não tem coragem de mudar a lei e permitir nossa libertação do sistema paralelo, se o governo pensasse nesse 1milhão e meio de brasileiros que fumam a erva todos os dias seria um milagre divino, imagina vc libertar esses brasileiros do trafico? imagine o desfalque que o trafico iria sofrer sem esse mercado? o soro anti ofídico vc não produz com o próprio veneno da cobra?
é melhor libertar as pessoas do trafico, permitindo o plantio na caso da erva, tratando doente como doente e não como criminoso, digo isso pelo crack, ou é melhor manter como esta? a guerra e o financiamento, tudo continua?
então o meu prazer vai continuar vindo da mão do sistema paralelo? eu poderia ter no meu quintal e ficar longe de tudo isso, não posso? vou ser “meu traficante de mim mesmo” e ser preso se pegarem 10 pes para consumo próprio na minha casa, é justo?
se eu encher a geladeira de cerveja e vodka no congelador pro mes todo pode?
abraço.