Enquanto o governo brasileiro insiste na internação compulsória de usuários de drogas, a França vai inaugurar sua primeira sala de uso seguro de drogas ainda neste semestre. E, se a notícia gerou polêmica por lá, causou estranhamento por aqui. Afinal, ações de redução de danos e políticas públicas de saúde voltadas para usuários, infelizmente, não são lá muito comuns no nosso Brasilzão.
Para quebrar o preconceito em torno das “shoot rooms” (salas de “tiro”/injeção), como são conhecidos esses centros lá fora, o DAR traduziu uma galeria de fotos que traz o interior de uma delas. Confira abaixo — e mostre para o seu conhecido mais reaça!
(original publicada em France24.com)







É lógico que o primeiro passo para que um viciado pesado consiga se livrar do vício é que ele tenha a oportunidade de se aproximar do estado sem sofrer o estigma social associado ao vício. É lógico que a melhor forma de o estado alcançar viciados pesados é garantindo um local seguro para o uso de drogas, onde os viciados possam a qualquer momento, por vontade própria, usufruir dos benefícios da assistência social. Porém, aqui no Brasil a prioridade não é a lógica, mas o benefício financeiro das comunidades terapêuticas, tentáculo obscuro das denominações neopentecostais criminosas que manipulam a lei através via bancada evangélica. Locais onde se cultivam métodos de “cura” medievais, onde todo crackeiro que definha é um testemunho de fé em potencial, esperando para deflagrar nos mais humildes o compulsivo pagamento do dízimo. Aqui é prioridade a limpeza social e valorização imobiliária das regiões devalorizadas pelas más decisões do poder público, que restam aos miseráveis como local de consumo segregado. Na Suiça não tem Assembléia de Deus, Igreja Universal ou Igreja Católica dando as cartas no governo. Não tem especulação imobiliária, favela ou estoque de mão de obra barata. Enquanto o estado reforçar em nossa sociedade todos os fatores que nos diferenciam de países como a Suiça, permaneceremos na idade média.