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Outubro 27, 2009

A saúde do baseado – O lobby da marijuana sai às ruas

Ananda

By Kathleen Parker

Em um ato de sanidade piedosa, a administração Obama cumpriu sua promessa de parar de interferir em estados que permitem o uso médico de marijuana.

Tim-tim, saúde, et cetera, et cetera.

O anúncio do Procurador Geral Eric Holder certamente chega como um alívio para muitos dos que dependem da cannabis para diminuir o sofrimento de várias condições clínicas. Essa abordagem nova, não tão rígida, não deixa os traficantes de drogas fora de alcance da lei. Ela significa apenas que os 14 estados que permitem algum uso médico de marijuana não precisam mais temer batidas federais em dispensários e usuários que agem de acordo com leis estaduais.

É uma ótima iniciativa, há muito necessária. Mas é suficiente? Não mesmo.

O debate sobre se os americanos deveriam ter o direito de ser estúpidos – ou de fazer outros parecerem mais interessantes – continua vivo depois de 40 anos da (falhada) “guerra contra as drogas”.
Argumentos contra e a favor da descriminalização de algumas ou de todas as drogas já são familiares. Destilados ao básico: a guerra das drogas aumentou o poder de criminosos ao mesmo tempo em que criminalizou cidadãos que cumpriam todas as outras leis, e desperdiçou bilhões que poderiam ter sido melhor empregados em educação e reabilitação.

Em números cada vez maiores, os americanos apóiam a descriminalização pelo menos da marijuana, que milhões admitem ter usado, incluindo um par de presidentes e um juiz da Suprema Corte. Uma pesquisa recente do Instituto Gallup descobriu que 44 por cento dos americanos aprovam a legalização para qualquer propósito, não apenas para uso medicinal, contra 31 por cento em 2000.

O mais alto nível de apoio, sem surpresa, está nos estados da costa oeste e entre pessoas que se autodefinem como liberais, com 78 por cento dos liberais concordando com a descriminalização. Mas a mudança em direção a uma política nacional mais sensível já não está confinada à esquerda. Nem a cara do novo lobby pró-baseado é mais a do cabeludo chapado. A ativista de hoje se depila, e tem filhos.

Entre os recém-incorporados à diminuta multidão conservadora, liderada em outros tempos pelo anti-proibicionista William F. Buckley, está Jessica Corry, do Colorado, uma mulher republicana casada, contrária ao aborto e mãe do “lutador da liberdade do mês” da revista High Times [uma revista patriótica de direita].

Espectadores recentes sem dúvida terão que esfregar seus olhos e olhar novamente quando virem Corry, que discursou no mês passado em uma conferência da NORML [pronuncia-se “normal”], a Organização Nacional pela Reforma das Leis sobre Marijuana, em São Francisco, usando um broche com a bandeira americana, um colar de pérolas com três voltas e um broche dourado com a folha de marijuana.

Um outro dia, um outro estereótipo na lata do lixo.

Além de escrever e falar a favor do fim da proibição da marijuana, Corry, que não fuma maconha, está tentando organizar mulheres republicanas em torno da causa. Até agora, ela tem o compromisso de outras 20 mulheres do Colorado, a maioria das quais advogada, como Corry. Seu marido, também advogado, representa usuários médicos de marijuana.

Os argumentos de Corry não enfocam apenas a desumanidade de punir ainda mais pessoas doentes que buscam alívio no uso da maconha, mas também a necessidade de proteger suas crianças caso elas decidam experimentar maconha algum dia. Não há nada como imaginar suas próprias crianças sendo tratadas como “criminosas” para colocar leis irracionais em perspectiva.

Corry dificilmente estará sozinha, e, na verdade, ela pode ser parte de um “ponto de inflexão”. (Já há alguma droga para o “estresse pré-mudança”?) Em sua edição de outubro, a revista Marie Claire publicou “Stiletto Stoners“, um artigo sobre mulheres bem-sucedidas profissionalmente que preferem relaxar com maconha. Uma capa da revista Fortune, “Is Pot Already Legal?“, examinou o assunto. Em abril de 2006 a Miss Nova Jérsei, Georgine DiMaria, assumiu-se como usuária secreta de marijuana para o tratamento de sua asma.

As direitas dos estados e o conservadorismo costumam ser bons amigos – mas às vezes não são. Embora mutos republicanos nutram um certo libertarianismo [doutrina da primazia dos direitos individuais sobre o Estado], o partido tem sido seletivo em seu apoio a princípios federalistas. A administração de George W. Bush se recusou a respeitar os estados que autorizavam usos medicinais da maconha, por exemplo, mas tentou devolver as questões relativas ao aborto e ao casamento à jurisdição dos estados.

Em uma coluna para o jornal Colorado Daily, Corry argumenta que os princípios conservadores de governo mínimo estão em conflito com leis que tentam controlar o que colocamos para dentro de nossos corpos. Álcool e cigarros – para não falar de xisbúrgueres com 700 calorias – são sem a menor dúvida mais prejudiciais que um pequeno baseado, escreve ela.

A decisão de não invadir dispensários ou punir pessoas que se beneficiam do uso de marijuana, embora laudável, está muito aquém do que é necessário. Para ficar no mínimo, quando empregos e dinheiro estão difíceis, legalizar a marijuana parece tanto prudente quanto benéfico. Em 1929, a Organização de Mulheres para a Reforma da Proibição Nacional liderou o movimento para acabar com a lei seca. Será que as mulheres liderarão a próxima revolução na autonomia pessoal?

Mantenham suas maricas e narguilés (e bongs?) à mão.

Tradução: Fábio Baqueiro
Fonte: Washington Post

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