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Outubro 27, 2009

A tragédia do veneno do crack e o reducionismo no debate sobre drogas

Paulo Mussoi, no blog Sobre Drogas

Esta semana, dois casos envolvendo o abuso de crack assustaram a sociedade brasileira. Aqui no Rio, um músico de classe média matou a amiga (ou namorada) durante um surto de loucura (ou abstinência, ou os dois) causado pela dependência de crack. E em Minas, o prefeito da cidade de Raposos foi preso com três pedras da droga no bolso. Antes de ir à delegacia, João Carlos da Aparecida, de 45 anos, precisou ser levado ao hospital, para recuperar a consciência e ter condições mentais para depôr.

O uso dessa droga perigosíssima, que até há pouco era da população de rua, dos marginalizados, está crescendo cada vez mais entre gente esclarecida – profissionais liberais, músicos e até políticos. Uma tragédia muito preocupante, visto que o poder destruidor do crack é tão imenso quanto óbvio.

Mas igualmente preocupante, para mim, é a exploração de casos como esse para a propagação do discurso medievalmente moralista e intelectualmente paupérimo que ignora evidências científicas e históricas para posicionar todas as drogas ditas “ilícitas” no mesmo saco de discriminação unilateral. Em suma: usar a tragédia do crack para “alertar” os jovens contra o perigo das drogas, além de discurso inútil, é um reducionismo que desrespeita a evolução do debate sobre tema tão importante.

Ninguém duvida do problema de saúde pública gravíssimo que o crack representa. Pouca gente sabe, porém, que essa é uma droga que surgiu já no âmago da cultura da proibição e da marginalização do usuário. O crack não é uma droga de laboratório que teve seu uso popularizado e posteriormente proibido, como foram a cocaína, o LSD ou o ecstasy, todas substâncias descobertas várias décadas atrás. Ao contrário disso, o crack é uma droga de gueto, criada por traficantes e/ou produtores de cocaína, feita meramente para produzir mais “onda” ao menor custo possível, e aumentar os lucros. Literalmente, um subproduto da guerra às drogas, inventado por  “comerciantes” sufocados pela repressão ao seu negócio, que precisaram achar alternativas para a redução da oferta de matéria prima de qualidade e para a diminuição da demanda tradicional, afugentada pelo aparato repressivo. Muito mais forte e muito mais barato, o crack tem um potencial “mercadológico” ainda mais amplo e poderoso do que as outras drogas que traficantes armados costumam oferecer nas bocas de fumo.

A problemática do crack, contudo, nada tem a ver com o debate cada vez mais maduro sobre os benefícios que a flexibilização das leis sobre drogas – em especial no que diz respeito ao porte, consumo e plantio de maconha, tanto para fins medicinais quanto recreacionais – poderia trazer à sociedade na forma da redução da violência e da corrupção, bem como da melhoria nas políticas de prevenção e redução de danos.

O uso de entorpecentes acompanha a humanidade há milhares de anos, e isso precisa ser levado em conta com seriedade e sem moralismo quando se levanta a possibilidade de reduzir os efeitos nocivos da guerra total às drogas inventada pelos Estados Unidos há menos de 50 anos. Já as consequências e as causa do consumo de veneno em larga escala é um outro problema. E crack, definitivamente, não é droga. Crack é veneno. Humano e social.

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