
Thiago Feres, Jornal do Brasil
 RIO DE JANEIRO – O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, reagiu com rispidez a divulgação de um relatório pela Organização Não Governamental americana, Human Rights Watch, que acusa os policiais do Rio de promoverem execuções desnecessárias em serviço.
 O relatório da ONG, de 134 páginas, recebeu o nome de Força letal: violência policial e segurança pública no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foram analisados 51 casos de supostas execuções feitas pela polÃcia nas duas capitais.
 – Essa é mais uma daquelas ONGs que fazem pesquisa ideológica e não gostam de ouvir sobre a realidade existente no Rio de Janeiro. Eu até agora não conheço detalhes do relatório, mas sei que temos três facções criminosas que defendem ideais próprios. Isso a pesquisa não leva em consideração – desabafou Beltrame.
 De acordo com dados da Human Rights Watch, a polÃcia fluminense prendeu 23 pessoas para cada morte no ano de 2008. Em São Paulo, o número foi maior: 348 para cada vÃtima fatal. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram 37 mil prisões para cada morte.
 – Policiais são autorizados a usar força letal como último recurso para se protegerem ou defenderam a sociedade. A noção de que esses homicÃdios seriam cometidos em legÃtima defesa ou justificados pelo alto Ãndice de criminalidade, é insustentável – afirma José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas da ONG.
 Beltrame apontou as Unidades de PolÃcia Pacificadora (UPPs) como a solução para os problemas existentes até mesmo nos Ãndices criminais.
 – Não pactuamos com crimes. A prova disso é que na favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá (Zona Oeste), tivemos uma redução de 20 óbitos para apenas dois por mês logo depois da instalação do policiamento comunitário. A solução é essa – afirma Beltrame.
 O relatório da ONG diz ter provas que contradizem as versões dos policiais nos 51 casos analisados. Entrevistas detalhadas com mais de 40 autoridades da justiça criminal também foram utilizadas.
 A Human Rights Watch recomendou a criação de unidades especializadas dentro dos Ministérios Públicos Estaduais do Rio e de São Paulo para apuração de casos semelhantes.
 – ONGs não conhecem o trabalho que é feito aqui no estado. O policial não é treinado nem autorizado para matar, mas algumas situações exigem que eles tenham essa atitude. A prova disso foi o material apreendido esta semana na favela Vila Vintém, quando até uma metralhadora .50 foi encontrada – finalizou Beltrame.
 Zona Sul ganhará reforço de efetivo policial no fim do ano
 O aumento da presença de turistas na cidade devido à s festas de fim de ano, principalmente na Zona Sul, e a instalação das UPPs podem estar sendo responsáveis pelos últimos crimes ocorridos no Rio. Por conta disso, o comandante-geral da PolÃcia Militar, Mário Sérgio Duarte, anunciou nesta terça-feira que nos próximos dias haverá uma intensificação do patrulhamento na Zona Sul.
 – Não tenho números ainda, mas vamos reforçar as ações antes mesmo das festas de Natal e de Ano Novo. Apesar disso, ressalto que as operações nos morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo não reduziram o efetivo responsável pelo policiamento naquela região, por exemplo – destacou o coronel.
 Somente nesta semana, dois shoppings da Zona Sul (em Botafogo e São Conrado) e a atriz Lady Francisco, 69, foram assaltados.
 – Nesta época, ocorrem muitos assaltos aqui em Botafogo. Os ladrões sabem que a população está com mais dinheiro, devido ao 13º salário e resolvem agir – opinou a presidente de associação de moradores do bairro, Regina Chiaradia.
 O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, acredita que as últimas ações são tÃpicas das cidades consideradas grandes.
 – O Rio de Janeiro é uma grande metrópole, assim como São Paulo, onde se trabalha para o todo. Ações como essas são normais em grandes capitais do mundo – diz.
 Novo sistema vai integrar orgãos de segurança do Rio
 A Secretaria de Segurança Pública apresentou nesta terça-feira um novo sistema que passa a ser utilizado pelas esferas policiais do estado e unifica as informações criminais de 12 bancos de dados em apenas um. As polÃcias Civil e Militar, a Secretaria Especial de Administração Penitenciária e o Detran foram os responsáveis por cederem as informações para o que foi chamado de Portal da Segurança. Porém, dados de outros órgãos, como a PolÃcia Federal, ainda devem ser anexados ao novo sistema.
 – Um policial na rua deve ter disponibilizado todas essas informações para poder prestar um bom serviço. Nos paÃses de primeiro mundo, uma única senha é capaz de levantar a ficha criminal de um cidadão – ressaltou o chefe de PolÃcia Civil, Alan Turnowski.
 O novo sistema integrado já está em funcionamento e foi desenvolvido pelo diretor de identificação civil do Detran, Luiz Abrantes, em apenas 90 dias. O custo foi praticamente zero.
 – Nosso nÃvel tecnológico ainda é baixo. Esse pode ser considerado o primeiro passo para essa integração – lembrou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
 As senhas dos usuários do novo sistema terão nÃveis de acesso e vão passar por auditorias periódicas para evitar fraudes. O governo pretende instalar aparelhos nas viaturas para permitir o acesso de policiais ao banco de dados nas ruas.