• Home
  • Quem somos
  • A razão entorpecida
  • Chame o DAR pra sua quebrada ou escola
  • Fale com a gente
  • Podcast
  • Quem somos
  • A razão entorpecida
  • Podcast
  • Chame o DAR pra sua quebrada ou escola
  • Fale com a gente
Março 10, 2010

Eduardo Galeano fala sobre preconceito contra Adriano, jogador do Flamengo

Do blog de Lúcio de Castro, da ESPN

Nos últimos dias, o “Caso Adriano” tomou conta de todos os jornais, Tvs, rádio, internet, etc. Escrevi aqui nesse blog meus pontos de vista e ponderações.  Li todos os comentários publicados aqui e deu muita esperança em olhar pra frente, assim como no debate de alto nível, sem jornalismo-manja no Linha de Passe, e no que li e ouvi de alguns outros colegas por aqui.  (Os comentários de blogueiros dão conta e esperança de um certo cansaço do jornalismo-manja).

Mas ainda são um grão nesse oceano.  Assim como o mestre uruguaio, sigo achando que a maior parte do que se fala e publica sobre Adriano, como foi com Romário, como foi fulano, sicrano, etc, é fruto de preconceito.  Quando eu, você e qualquer um de nós nos pronunciamos, sempre pode vir à tona aquele nosso preconceito enraizado lá no fundo da alma.

Lutar contra ele todo dia diante do espelho é tarefa de cada um, e não é fácil.  Repito, antes que os apressados de sempre tragam suas pedras: tou nessa também, tentando vencer esses demônios que se escondem em nossas almas todos os dias.

Senão, salvo tal preconceito e desprezo que vem lá da Casa Grande na direção da Senzala, como entender porque é possível tanta adjetivação, tanta conclusão?  Alcoólatra (e antes que alguém diga, Adriano já falou que “teve problemas com bebida”, o que é bem diferente de dizer que é alcoólatra), dependente químico, envolvido com o tráfico, dito assim, sem qualquer prova.

“Tenho boa fonte que me garante que…” é o que mais escutei sobre Adriano nos últimos tempos.  Se todas fossem verdade, estaríamos falando de um morto.  Pode ser que alguma seja comprovada amanhã ou depois.  Hoje não se pode nem especular.

Mas é aí que a porca torce o rabo, é aí que me vejo lutando diante do espelho contra os preconceitos.  Pois existe por exemplo um político brasileiro, alto escalão, de importante estado da federação, que “boas fontes garantem que…”. Fui a um jogo nas eliminatórias atuais em que o estádio, em coro, muito espirituoso como são os estádios, comparava o tal político a Maradona, não pela sua habilidade com a bola.

Ontem, um vespertino de esporte na tv foi inteiro dedicado ao drama do alcoolismo no esporte, sucessivas matérias, sempre vinculadas a Adriano.  Ainda aguardo ver programas de dependência química em referência ao político, já que estamos falando de suposições sem laudo, sem comprovação.

E então pergunto: por que razões ninguém fica na tv horas debatendo o vício e a dependência do sujeito ou de outro do naipe, vindo da Casa Grande, baseado nas especulações?

Com o negro e favelado pode?  Com o politicão, com tantos outros, não pode.  Por essas e outras, pedi mais uma vez ao mestre Galeano que me ajudasse a olhar.  Me ajudou a olhar para esse mar turvo, e enviei para ele o texto anterior sobre Adriano.  Depois, como um Fã do Esporte, nos deu a honra de algumas palavras, com exclusividade.  Pulo algumas palavras iniciais dele com sua imensa simplicidade e generosidade, e copio já a partir de onde espero que também ajude o Fã do Esporte a olhar.  Depois dele, não me resta nada a acrescentar.

EDUARDO GALEANO:

“…Eu creio que o caso de Adriano é revelador, como bem disse, de preconceitos e julgamentos que vão além das anedotas.

O bombardeio que Adriano sofre revela, por exemplo:

– A obsessão universal pela vida privada dos que tem êxito, e acima de tudo pelos desportistas vencedores que vem da miséria e que tinham nascido estatisticamente condenados ao fracasso.

– Exige-se deles que sejam freiras de convento, consagrados ao serviço dos demais e com rigorosa proibição do prazer e da liberdade.

– Os puritanos que os vigiam e os condenam são, em geral, medíocres cujo desafio mais audacioso, sua mais perigosa proeza, consiste em cruzar a rua com luz vermelha, alguma vez na vida, e isso tem muito a ver com a inveja que provoca o êxito alheio.- Tem muito a ver com a demonização dos pobres que não renegam sua mais profunda identidade, por mais exitosos que sejam.

– E muito tem a ver, também, com a humana necessidade de criar ídolos e o inconfessável desejo de que os ídolos se derrubem.

Um abraço do teu amigo,

Eduardo Galeano

http://espnbrasil.terra.com.br/luciodecastro/post/107727_EXCLUSIVO+FA+DO+ESPORTE+EDUARDO+GALEANO+FALA+SOBRE+O+CASO+ADRIANO

Comments

comments

Nos ajude a melhorar o sítio! Caso repare um erro, notifique para nós!

Recent Posts

  • NOV 26 NÓS SOMOS OS 43 – Ação de solidariedade a Ayotzinapa
  • Quem foi a primeira mulher a usar LSD
  • Cloroquina, crack e tratamentos de morte
  • Polícia abre inquérito em perseguição política contra A Craco Resiste
  • Um jeito de plantar maconha (dentro de casa)

Recent Comments

  1. DAR – Desentorpecendo A Razão em Guerras às drogas: a consolidação de um Estado racista
  2. No Grajaú, polícia ainda não entendeu que falar de maconha não é crime em No Grajaú, polícia ainda não entendeu que falar de maconha não é crime
  3. DAR – Desentorpecendo A Razão – Um canceriano sem lar. em “Espetáculo de liberdade”: Marcha da Maconha SP deixou saudade!
  4. 10 motivos para legalizar a maconha – Verão da Lata em Visitei um clube canábico no Uruguai e devia ter ficado por lá
  5. Argyreia Nervosa e Redução de Danos – RD com Logan em Anvisa anuncia proibição da Sálvia Divinorum e do LSA

Archives

  • Março 2022
  • Dezembro 2021
  • Setembro 2021
  • Agosto 2021
  • Julho 2021
  • Maio 2021
  • Abril 2021
  • Março 2021
  • Fevereiro 2021
  • Janeiro 2021
  • Dezembro 2020
  • Novembro 2020
  • Outubro 2020
  • Setembro 2020
  • Agosto 2020
  • Julho 2020
  • Junho 2020
  • Março 2019
  • Setembro 2018
  • Junho 2018
  • Maio 2018
  • Abril 2018
  • Março 2018
  • Fevereiro 2018
  • Dezembro 2017
  • Novembro 2017
  • Outubro 2017
  • Agosto 2017
  • Julho 2017
  • Junho 2017
  • Maio 2017
  • Abril 2017
  • Março 2017
  • Janeiro 2017
  • Dezembro 2016
  • Novembro 2016
  • Setembro 2016
  • Agosto 2016
  • Julho 2016
  • Junho 2016
  • Maio 2016
  • Abril 2016
  • Março 2016
  • Fevereiro 2016
  • Janeiro 2016
  • Dezembro 2015
  • Novembro 2015
  • Outubro 2015
  • Setembro 2015
  • Agosto 2015
  • Julho 2015
  • Junho 2015
  • Maio 2015
  • Abril 2015
  • Março 2015
  • Fevereiro 2015
  • Janeiro 2015
  • Dezembro 2014
  • Novembro 2014
  • Outubro 2014
  • Setembro 2014
  • Agosto 2014
  • Julho 2014
  • Junho 2014
  • Maio 2014
  • Abril 2014
  • Março 2014
  • Fevereiro 2014
  • Janeiro 2014
  • Dezembro 2013
  • Novembro 2013
  • Outubro 2013
  • Setembro 2013
  • Agosto 2013
  • Julho 2013
  • Junho 2013
  • Maio 2013
  • Abril 2013
  • Março 2013
  • Fevereiro 2013
  • Janeiro 2013
  • Dezembro 2012
  • Novembro 2012
  • Outubro 2012
  • Setembro 2012
  • Agosto 2012
  • Julho 2012
  • Junho 2012
  • Maio 2012
  • Abril 2012
  • Março 2012
  • Fevereiro 2012
  • Janeiro 2012
  • Dezembro 2011
  • Novembro 2011
  • Outubro 2011
  • Setembro 2011
  • Agosto 2011
  • Julho 2011
  • Junho 2011
  • Maio 2011
  • Abril 2011
  • Março 2011
  • Fevereiro 2011
  • Janeiro 2011
  • Dezembro 2010
  • Novembro 2010
  • Outubro 2010
  • Setembro 2010
  • Agosto 2010
  • Julho 2010
  • Junho 2010
  • Maio 2010
  • Abril 2010
  • Março 2010
  • Fevereiro 2010
  • Janeiro 2010
  • Dezembro 2009
  • Novembro 2009
  • Outubro 2009
  • Setembro 2009
  • Agosto 2009
  • Julho 2009

Categories

  • Abre a roda
  • Abusos da polí­cia
  • Antiproibicionismo
  • Cartas na mesa
  • Criminalização da pobreza
  • Cultura
  • Cultura pra DAR
  • DAR – Conteúdo próprio
  • Destaque 01
  • Destaque 02
  • Dica Do DAR
  • Direitos Humanos
  • Entrevistas
  • Eventos
  • Galerias de fotos
  • História
  • Internacional
  • Justiça
  • Marcha da Maconha
  • Medicina
  • Mídia/Notí­cias
  • Mí­dia
  • Podcast
  • Polí­tica
  • Redução de Danos
  • Saúde
  • Saúde Mental
  • Segurança
  • Sem tema
  • Sistema Carcerário
  • Traduções
  • Uncategorized
  • Vídeos