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Abril 13, 2010

Temendo contrariar população, EUA fazem 'vista grossa' a ópio em área afegã

G1

Situação ocorre em Marjah, região dominada pelo Talibã desde fevereiro. Mas autoridades locais ainda defendem destruição de campos de papoula.

Rod Nordland Do New York Times, em Cabul

O esforço para conquistar afegãos numa antiga área de influência do Talibã em Marjah colocou comandantes americanos e da Otan na posição pouco comum de argumentar contra a erradicação do ópio – o que os coloca em oposição a algumas autoridades afegãs que pressionam pela destruição desse tipo de plantação.

Do general Stanley A. McChrystal até o posto hierárquico mais inferior, a posição militar é clara: “As forças americanas não erradicam mais”, como colocou um oficial da Otan. O ópio é o principal meio de vida de 60% a 70% dos agricultores de Marjah, que foi dominada por rebeldes do Talibã numa grande ofensiva em fevereiro. Marines americanos que ocupam a área receberam ordens de deixar em paz os campos dos agricultores.

“Marjah é um caso especial no momento”, disse o comandante Jeffrey Eggers, membro do Grupo de Consultoria Estratégica do general, seu maior órgão consultivo. “Não atropelamos o sustento daqueles que estamos tentando conquistar.”

Foto: AP

Fuzileiro americano em plantação de papoulas em fevereiro nos arredores de Marjah, no Afeganistão. (Foto: AP)

Autoridades que lidam com questões relacionadas a drogas das Nações Unidas concordam com os americanos, embora reconheçam o impasse. Imagens de soldados da Otan e outros aliados “caminhando perto de plantações de ópio não caem bem junto ao público doméstico, mas a abordagem de adiar a erradicação neste caso específico é sensata”, afirmou Jean-Luc Lemahieu, encarregado do Gabinete de Drogas e Criminalidade da ONU aqui no Afeganistão.

No entanto, autoridades afegãs estão divididas. Muito embora alguns apóiem a posição americana, outros, citando uma proibição constitucional sobre o cultivo de ópio, querem eliminar as plantações antes da colheita, que já se iniciou em algumas partes da província de Helmand.

“Como podemos permitir que o mundo veja forças da lei responsáveis por Marjah perto de plantações de ópio, que de uma forma ou de outra será colhido e transformado num veneno que mata pessoas no mundo todo?”, disse Zulmai Afzali, porta-voz do Ministério de Combate aos Narcóticos do Afeganistão.

“O Talibã é quem lucra com o ópio, então estamos deixando que o inimigo seja financiado por isso, depois ele vai nos matar”, acrescentou, referindo-se à forma como o Talibã pressiona agricultores para obter dinheiro para suas operações.

O argumento pode ser considerado por algumas pessoas como uma mudança radical nas tensões anteriores com autoridades afegãs, alguns dos quais resistiram veementemente à pressão americana para acabar com a produção de ópio nos anos após a invasão de 2001.

Embora a posição oficial do governo dos Estados Unidos ainda seja apoiar a erradicação das plantações de ópio em geral, algumas autoridades civis americanas afirmam que o debate internacional sobre Marjah está longe do fim em alguns setores do Departamento de Estado e da Administração de Coerção a Drogas.

Um porta-voz da embaixada americana em Cabul, Brendan J. O’Brien, disse que oficiais se recusaram a comentar enquanto o assunto estivesse sendo analisado.

No centro do debate com autoridades afegãs está uma importante questão de causa e efeito: será que a fraca segurança em Marjah é a razão pela qual há tanto ópio, ou será que é tanto ópio a razão pela qual a segurança tem sido fraca?

“Em todas as províncias do Afeganistão onde você encontra o cultivo de ópio há insegurança como resultado”, disse Afzali.

Militares americanos e oficiais das Nações Unidas veem o problema de outra forma. O cultivo de ópio tem sido amplamente eliminado em 20 províncias onde a segurança foi melhorada, e nas sete províncias mais inseguras a papoula ainda é cultivada.

“Nada pode competir com o ópio num ambiente inseguro”, disse Lemahieu. “Um ambiente seguro é precondição para governança e uma solução de longo prazo:”.

Embora a Força Internacional de Assistência à Segurança, a força da Otan comandada por McChrystal, já não realize mais programas de erradicação, sua posição oficial é apoiar os esforços do governo afegão para erradicar o ópio e ceder apoio e proteção a oficiais das províncias, responsáveis por operar o programa de erradicação.

O governador da província de Helmand, Gulab Mangal, entusiasmado antiópio, tem histórico de sucesso, havendo reduzido o cultivo em 33% no ano passado. Mas ele também está disposto a abrir uma exceção para a atual colheita em Marjah – pelo menos por enquanto.

“Em geral, meus superiores me disseram que este ano não vamos erradicar o ópio ali, pois as pessoas sofreram muitas dificuldades devido ao conflito”, disse Mangal. “Podemos fazer isso no ano que vem”.
Entretanto, Afzali disse que o Ministério de Combate aos Narcóticos ainda esperava prevalecer a tempo de erradicar a atual colheita em Marjah.
Mangal disse: “Se eles mandarem, começo a destruição do ópio de Marjah no mesmo dia”.

O problema da colheita de ópio de Marjah está sendo discutido intensamente pelos conselheiros de McChrystal, mas nenhuma das soluções propostas se mostrou satisfatória. Uma ideia era comprar e destruir a colheita de ópio, mas opositores desta proposta temem que isso só motivaria ainda mais o cultivo do ópio – e poderia ser ilegal de acordo com leis dos Estados Unidos, transformando tropas americanas em financiadores de drogas.

Outra ideia era dar incentivos a agricultores para que eles passassem a plantar cultivos legalizados no ano seguinte, enquanto este ano seria focado na interdição de traficantes e dos laboratórios usados por eles para produzir ópio ou heroína a partir da pasta de papoula. Isso instituiria um tipo de política “não pergunte, não diga” em relação aos agricultores e traria uma pergunta espinhosa: Onde as tropas interditariam o ópio – fora do portão da propriedade agrícola, no caminho saindo da fazendo ou na estrada para a cidade?

“Como apoiamos o cumprimento da lei enquanto aplicamos uma penalidade adequada e desincentivadora, para que eles mudem de plantação no ano seguinte?”, questionou Eggers. “Estamos num verdadeiro dilema”.
Resta pouco tempo para encontrar uma resposta: dois terços dos campos de Marjah estão agora cheios de papoulas vermelhas, e a próxima colheita geraria trabalho para milhares de afegãos de fora da região, pois necessita de muita mão de obra.

Helmand produz mais da metade da colheita de ópio do Afeganistão – 22% de sua terra arável é dedicada a papoulas, mesmo depois que forças de Mangal erradicaram um terço da plantação no ano passado. Sua província recebeu uma verba de US$ 10 milhões da Iniciativa de Bom Desempenho da embaixada americana por causa desse esforço.
O Afeganistão produz hoje 90% do ópio do mundo. De uma forma ou de outra, o comércio do ópio sustenta cerca de 1,4 milhões de lares no país, que tem uma população de 25 a 30 milhões de pessoas. Ele também fornece grandes quantidades de dinheiro para o Talibã – um recente estudo das Nações Unidas estima que os insurgentes tenham ganhado US$ 600 milhões em taxas cobradas de agricultores e traficantes, entre 2005 e 2008.

Os agricultores não ficam ricos com a colheita.

Hajji Said Gul, agricultor de 51 anos com 3,5 hectares de papoulas em Larjah, disse que, depois de ter quitado empréstimos para comprar sementes e dado ao Talibã 10% dos lucros, ele ganhou US$ 500 por acre com a colheita. Ele não teme a erradicação. “O Talibã já nos prometeu que continuará lutando contra o governo e as forças estrangeiras até que a gente tenha colhido as plantações”, disse ele. “Todas as minhas esperanças estão na colheita das papoulas”.

Muhammad Nabi, 52 anos, ancião tribal, disse: “É melhor que eles não destruam as plantações este ano. No ano que vem, se eles fornecerem uma segurança melhor, programas de reconstrução e trabalho, então nós garantimos que não vamos plantar papoulas.”

O preço do ópio está agora em baixa recorde, depois de anos de superprodução no Afeganistão. Há alguns anos, agricultores poderiam ganhar 37 vezes mais com o ópio do que com o trigo, a plantação substituta preferida dos tempos recentes; agora, o ópio vale duas ou três vezes mais, afirmam autoridades das Nações Unidas.

Lemahieu disse acreditar que, se houvesse a oportunidade de persuadir os agricultores a mudar para plantações legalizadas, o governo ofereceria serviços como escolas e clínicas, e então eles poderiam estar dispostos a aceitar lucros menores.

“Entre a renda do ópio de ontem e a renda legalizada de amanhã, o hoje exige um aumento na qualidade de vida para o agricultor e sua família”, disse ele. Autoridades ocidentais afirmam que, se destruírem a plantação este ano, não terão nenhum resultado, a não ser a raiva dos agricultores.

Taimoor Shah contribuiu com a reportagem de Marjah e um funcionário afegão do The New York Times contribuiu de Lashkar Gah, Afeganistão.

Tradução: Gabriela d’Ávila

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