
Nathália Duarte Do G1, em São Paulo
Tráfico de entorpecentes, roubo, furto e homicÃdio qualificado. Em 2009, a maioria dos presos em todo o paÃs respondia por esses crimes, segundo o Infopen – Sistema Integrado de Informações Penitenciárias, do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça. Durante esta semana, o G1 publica uma série de reportagens que destacam dados sobre a população carcerária no paÃs. O levantamento trará também a opinião de especialistas.
De acordo com o levantamento, em 2009, mais de 86 mil pessoas estavam nas prisões por tráfico de entorpecentes. O roubo qualificado é o segundo crime mais cometido, com mais de 74 mil presos; furto qualificado e roubo simples, com quase 33 mil; e homicÃdio qualificado, com 29 mil.
Para ser considerado qualificado, um crime deve ocorrer mediante ameaça ou violência. Outra variável que pode qualificar um crime é cometê-lo contra mais de uma vÃtima, segundo José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional da Segurança Pública e consultor em segurança pública.
“Esses dados destacam uma média nacional, mas em cada região do paÃs há crimes mais e menos frequentes. Isso porque o crime depende de oportunidade. É preciso entender que o crime é um negócio, por isso quanto menor o risco para o criminoso e maior o lucro, mais um determinado crime irá ocorrerâ€, diz o consultor em segurança pública Paulo César Fontes, tenente-coronel da reserva da PolÃcia Militar.
Segundo Fontes, em Manaus, “uma cidade ilhadaâ€, o furto de veÃculos, muito comum em cidades como São Paulo, Recife e Rio de Janeiro, não é um bom negócio. “O mesmo ocorre em São LuÃs, onde os ladrões que roubam um carro não têm para onde ir. Por isso cada lugar tem uma realidade e sua particularidade no que diz respeito ao crime. Em Manaus, o furto em residências acontece muitoâ€, afirma o consultor.
Já o tráfico de drogas é considerado por especialistas um caso à parte. Em 2005, eram 31,5 mil presos em todo o paÃs- um aumento de mais de 54,5 mil em cinco anos. “A droga é campeã entre os crimes em todos os lugaresâ€, diz Fontes.
O crescimento da população carcerária feminina pode ter relação direta com o aumento no número de casos, e prisões, por tráfico de drogas. “A população carcerária feminina cresce o dobro da masculinaâ€, diz André Luiz de Almeida e Cunha, diretor de polÃticas penitenciárias do Depen, do Ministério da Justiça.
Para Roberto Aguiar, especialista em segurança pública e professor da Universidade de BrasÃlia (UnB), o aumento da atividade de tráfico de drogas leva à necessidade de “mão de obra”. “As mulheres presas por tráfico de drogas geralmente entram no crime para ajudar seu companheiro”, diz.
A pesquisadora Paula Ballesteros, do Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo (USP), acredita que a maior parte das mulheres presas esteja envolvida no transporte de drogas. “Uma minoria acaba sendo responsável pelo planejamento do crime, como cabeça desse sistema. Geralmente elas têm função de transporte porque costumam ter mais sutileza e usam essa caracterÃstica a favor do crime”, afirma.
Estrutura para presas mulheres
A prioridade do Ministério da Justiça, segundo André Luiz de Almeida e Cunha, diretor de polÃticas penitenciárias do Depen, é construir penitenciárias femininas para atender ao novo perfil de demanda.
“Existem apenas duas ou três unidades no paÃs que foram construÃdas especificamente para mulheres. As demais são conventos ou colégios reformados, mas que não foram construÃdos pensando nas condições da mulher”, diz Heidi Ann Cerneka, vice-coordenadora nacional da Pastoral Carcerária.
Outro dado alarmante destacado por Heidi é que nem todos os estados brasileiros têm presÃdios separados para mulheres. “Há estados em que as mulheres estão apenas em prédios separados, ou ainda estão no mesmo prédio, em celas separadas. Isso torna difÃcil a garantia de privacidade, de manter funcionárias femininas e até de condições de higiene para a mulher”, afirma.
Segundo a vice-coordenadora, em estados com menos estrutura, a detenta precisa ir para longe de sua famÃlia para ficar em um presÃdio feminino. “A maioria das mulheres prefere ficar em lugares precários, sujos, para ter a visita dos filhos. O dever do Estado, no entanto, é garantir as duas coisas à s presas, condições de vida e visitas familiares.”