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Junho 23, 2010

Eleição na Colômbia: vence candidato do governo, logo a continuidade da guerra às drogas

Colômbia elege mais do mesmo

Agência Carta Maior

Vitória do ex-ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, consolida o modelo vigente na Colômbia desde 2002. Mais de 9 milhões de colombianos votaram em Santos, superando os 7,3 milhões de eleitores que reelegeram, em 2006, o atual presidente direitista Álvaro Uribe. Abstenção foi uma das mais altas da história colombiana, chegando a 55,52% dos eleitores. “Santos terá que responder ao país sobre seu papel na execução de 2.279 pessoas durante sua gestão como ministro da Defesa”, diz representante da oposição.

Constanza Vieira – IPS

Bogotá, 21 jun (IPS) – O ex-ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi eleito presidente com o voto de apenas 30% dos eleitores habilitados a votar. A abstenção superou a casa dos 55% neste país que vive em guerra interna desde 1964. Santos obteve 69,06% dos votos dados no domingo (20), no segundo turno da eleição presidencial. Com esse resultado, consolida-se o modelo vigente na Colômbia desde 2002. Mais de 9 milhões de colombianos votaram em Santos, superando os 7,3 milhões de eleitores que reelegeram, em 2006, o atual presidente direitista Álvaro Uribe. “Trata-se da “maior votação jamais obtida por um candidato em nossa história. Eu a recebo com humildade e gratidão”, disse Santos em seu discurso da vitória.

“Se chegamos tão longe é porque estamos sentados sobre ombros de gigantes”, acrescentou, atribuindo a frase ao físico britânico Isaac Newton, ainda que se considera que ela pertença, de fato, ao filósofo bretão Bernard de Chartres. Santos também superou a soma de votos dados a candidatos oficialistas no primeiro turno, apoio que se complementa com o controle ou adesão de mais de 80% dos parlamentares, que acataram seu chamado para um “governo de unidade nacional”. O resultado já esperado segundo as pesquisas, a Copa do Mundo de Futebol e as chuvas torrenciais elevaram a tradicional abstenção para 55,52%, índice superior aos 50,76% do primeiro turno e à média histórica de 52,17%, registrada desde 1958.

Cerca de 27,52% dos votantes apoiaram o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus (Partido Verde), que se recusou a negociar politicamente com a esquerda para somar forças no segundo turno, propondo, ao invés disso, a construção de uma “aliança cidadã”. Seu volume de eleitores aumentou pouco mais de 460 mil votos em relação aos 3.588.183 que obteve no primeiro turno, em maio. Mockus anunciou a independência do PV frente ao novo governo: “Apoiaremos as propostas que forem consideradas boas, após uma troca de argumentos livre de pressões”, disse Mockus, ao reconhecer o triunfo governista. Os 1.329.512 votos (9,15%), obtidos pelo opositor Pólo Democrático Alternativo (PDA), de esquerda, no primeiro turno, engrossaram o índice de abstenção no domingo e, em menor medida, o dos votos em branco, que atendeu a uma diretriz de não votar em nenhum dos dois candidatos. O voto em branco foi magro, ainda que tenha crescido mais do que o dobro, passando de 1,54%, no primeiro turno, para 3,41% no segundo.

O domingo teve registros de choques armados com o saldo de nove soldados mortos no departamento de Norte de Santander, onde houve combates na região de Catatumbo, fronteira com a Venezuela. A guerrilha promoveu a abstenção e conseguiu diminuir o transporte público em Caquetá e Putumayo, departamentos do Sul. Em Nariño, houve ataques à rede elétrica e ao oleoduto Transandino. Referindo-se ao maior grupo insurgente, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Santos afirmou: “Repito que o tempo das FARC se esgotou. Os colombianos sabem muito bem que eu sei como combatê-los”. O novo vice-presidente será o ex-líder sindical Angelino Garzón, ex-comunista e ex-governador do departamento de Valle. “É um campeão dos direitos humanos e da defesa dos trabalhadores”, definiu Santos.

Em maio foram assassinados sete defensores de direitos humanos e líderes camponeses. Quatro deles reclamavam a restituição de suas terras, ocupadas por milícias paramilitares de ultra-direita, acusadas dos mais graves crimes cometidos nos últimos 20 anos na Colômbia. Além disso, entre maio e a primeira semana de junho receberam ameaças de morte mais de 100 organizações camponesas, sindicais, de direitos humanos, de mulheres e dos movimentos negro e indígena.

Em seu discurso, Santos não mencionou nem os paramilitares nem as vítimas, observou Ivan Cepeda, porta-voz do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado (Movice). “Não houve uma palavra sobre a paz, nem sobre a solução negociada do conflito, em uma linha de continuísmo”, disse a IPS Cepeda, parlamentar eleito pelo PDA. O convite de Santos foi “mais para a unanimidade do que para a unidade nacional”, acrescentou. “Se efetivamente pretende respeitar a autonomia do Poder Judiciário, deverá eliminar sua proposta de anexar a Procuradoria Geral da Nação ao Poder Executivo”, advertiu Cepeda sobre anúncio feito por Santos. Este mês, Uribe propôs ampliar o foro militar que, por mandato da Corte Constitucional, não tem jurisdição para tratar de violações de direitos humanos. Em sintonia com Uribe, o presidente eleito propôs uma reforma no Judiciário. Cepeda assinalou que essa reforma “não pode incluir limitações de conquistas no julgamento de violadores de direitos humanos e de responsáveis por crimes contra a humanidade, incluindo aqueles relacionados às execuções extrajudiciais massivas”.

Santos “terá que responder ao país sobre seu papel na execução de 2.279 pessoas supostamente por integrantes da força pública durante sua gestão como ministro da Defesa (2006-2009), fato que está sob investigação judicial”, apontou ainda o porta-voz do Movice. Nos últimos dias recrudesceram as intimidações contra as Mães de Soacha que buscam justiça pelos assassinatos de seus filhos, apresentados oficialmente como guerrilheiros mortos em combate quando Santos estava a frente do Ministério da Defesa.

Tradução: Katarina Peixoto

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