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Novembro 16, 2010

Promoção de lançamento do novo site – concorra a um livro do NEIP

Novos e antigos leitores, sejam muito bem-vindos ao novo site do Coletivo Desentorpecendo A Razão (DAR). Depois de um ano e meio com um blog fazendo as vezes de nossa ferramenta de comunicação, conseguimos dar uma melhoradinha na forma com que apresentamos nosso conteúdo desentorpecidamente antiproibicionista. Esperamos que gostem, e contamos com sua participação para estarmos em constante processo de aperfeiçoamento.

Para marcar o início do novo site, sortearemos um exemplar do livro Drogas e cultura: novas perspectivas, organizado por Beatriz Labate, Sandra Goulart, Maurício Fiore, Henrique Carneiro e Edward MacRae, membros do NEIP. Editado em parceria com o Ministério da Cultura, o livro traz  em suas mais de 400 páginas diferentes olhares para a questão das drogas na contemporaneidade.

O sorteio será feito através do nosso twitter (@coletivodar), e concorrerão todos que retuitarem nosso novo site (através do link  encurtado desta postagem – http://kingo.to/lSU) até o dia 24/11/2010. O vencedor será indicado por uma ferramenta de sorteios virtuais (sorteie.me), e não poderá ser nenhum dos membros do coletivo. O envio obviamente será por nossa conta. O ganhador será divulgado na quinta-feira, 25/11/2010, aqui no site e no twitter.

Orelha do livro Drogas e Cultura: novas perspectivas.

Luiz Eduardo Soares (Professor da UERJ e da Universidade Cândido Mendes; Secretário de Valorização da Vida e Prevenção da Violência do Município de Nova Iguaçu)

Drogas são um tema paradoxal e enigmático. Importantíssimo, onipresente no dia a dia, capaz de sensibilizar, mobilizar, provocar controvérsias, alterar o rumo de disputas eleitorais, disseminar dissensos, inquietar autoridades, perturbar famílias, desestabilizar a ordem pública; ainda assim, quase ausente da pauta política e da agenda acadêmica –se excetuarmos esforços isolados de pioneiros e desbravadores. Nenhum repertório das grandes questões nacionais e globais estará completo sem a inclusão das drogas; entretanto, por mais extraordinário e surpreendente que seja, permanecem raríssimas as incursões intelectuais e políticas mais ousadas, que as tratem com profundidade e consistência, para além dos preconceitos. Paira esta curiosa e lamentável maldição sobre o tema, envolvendo-o em silêncio, cúmplice da irracionalidade que domina seu tratamento oficial mais freqüente.


Por isso, louve-se a iniciativa de Beatriz Caiuby Labate, Sandra Goulart, Maurício Fiore, Edward MacRae e Henrique Carneiro, pesquisadores do NEIP (www.neip.info), que organizaram este volume, e a participação qualificada de seus autores, graças aos quais um dos debates essenciais de nosso tempo sairá do armário, do ostracismo, da negligência. Trata-se de uma contribuição de muitos méritos, que se tornará referência tanto para os estudos acadêmicos, quanto para a reflexão pública, que mobiliza audiências mais amplas.


Os ensaios aqui reunidos nos ensinam que as drogas, as dinâmicas de sua produção e os circuitos de sua circulação semântica, conceitual-científica, econômica, social, religiosa, política, estética, psicológica, ideológica e simbólica constituem fenômenos complexos, multidimensionais, que exigem abordagens transdisciplinares. Em uma palavra, as drogas não existem; são invenções datadas, cujos significados variam conforme os contextos culturais, seus repertórios específicos, seus vocabulários particulares. Drogas são ministradas por médicos ou xamãs; são objeto de fruição individual ou coletiva; servem para excluir, excomungar, reprimir, prender ou violentar os que as consomem ou os que não as consomem, conforme o caso; são sacralizadas em rituais místicos; são institucionalizadas em celebrações familiares e sociais; são objeto de consumo; têm valor comercial; são alvo de legislações; saberes; terapias. Elas são criadas por dispositivos prático-discursivos, historicamente constituídos, os quais acionam regras morais, categorias de acusação, exercícios de poder, estratégias econômicas, padrões de fruição, linguagens que organizam a consciência e a sensibilidade, orientações valorativas e experiências de sociabilidade.


Abrindo-se a esta quase ilimitada pluralidade de apropriações, as drogas carregam consigo um potencial extraordinariamente rico para quem se disponha a pensar as sociedades. Talvez por essa razão represente risco, perigo, ameaça e incerteza. Fonte de prazer e de morte, as drogas nos interpelam e, pela mediação do presente livro, exigem que as incluamos no centro de nossa agenda política e intelectual.

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