
Leia a seguir a Ãntegra da nota divulgada pela Associação JuÃzes para a Democracia sobre as ações policiais no Rio de Janeiro:
À MARGEM DA LEI SÃO TODOS MARGINAIS
A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA – AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, fundada em 1991, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, em consideração à s operações policiais e militares em curso no Rio de Janeiro, vem manifestar preocupação com a escalada da violência, tanto estatal quanto privada, em prejuÃzo da população que suporta intenso sofrimento.
Para além da constatação do fracasso da polÃtica criminal relativamente à s drogas ilÃcitas no paÃs, bem como da violência gerada em razão da opção estatal pelo paradigma bélico no trato de diversas questões sociais que acabam criminalizadas, o Estado ao violar a ordem constitucional, com a defesa pública de execuções sumárias por membros das forças de segurança, a invasão de domicÃlios e a prisão para averiguação de cidadãos pobres perde a superioridade ética que o distingue do criminoso.
A AJD repudia a naturalização da violência ilegÃtima como forma de contenção ou extermÃnio da população indesejada e também com a abordagem dada aos acontecimentos por parcela dos meios de comunicação de massa que, por vezes, desconsidera a complexidade do problema social, como também se mostra distanciada dos valores próprios de uma ordem legal-constitucional.
O monopólio da força do Estado, através de seu aparato policial, não pode se degenerar num Estado Policial que produz repressão sobre parcela da população, estimula a prestação de segurança privada, regular e irregularmente, e dá margem à constituição de grupos variados descomprometidos com a vida, que se denominam esquadrões da morte, mãos brancas, grupos de extermÃnio, matadores ou milÃcias.
Por fim, a AJD reafirma que só há atuação legÃtima do Estado, reserva da razão, quando fiel à Constituição da República.