• Home
  • Quem somos
  • A razão entorpecida
  • Chame o DAR pra sua quebrada ou escola
  • Fale com a gente
  • Podcast
  • Quem somos
  • A razão entorpecida
  • Podcast
  • Chame o DAR pra sua quebrada ou escola
  • Fale com a gente
Agosto 06, 2011

Forçados à internação, jovens dependentes de crack vivem rotina de disciplina em abrigo no Rio

UOL

Fabíola Ortiz
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

“Quando eu falar já, joga o bambolê no chão, dá um pulo e grita: ‘eu sou feliz’.” É assim que começam as atividades no período da tarde no Centro Especializado de Atendimento à Dependência Química (CEADQ) Bezerra de Menezes, no Rio de Janeiro, que trata de menores usuários de drogas.

A brincadeira é encarada como disciplina. “Está faltando sorriso no rosto de vocês… 1, 2 e já…!”, exalta o palhaço Rogério Rodrigues, que consegue animar as meninas a participar dos jogos lúdicos. O bambolê é uma das principais armas no tratamento de jovens menores de 18 anos dependentes de crack.

É neste centro de atendimento à dependência química, localizado em Guaratiba, zona oeste do Rio, onde ficam abrigadas crianças e adolescentes pegos nas operações conjuntas da Secretaria Municipal de Assistência Social nas chamadas cracolândias –geralmente localizadas em favelas violentas.

Ver em tamanho maior

Abrigo no Rio recebe jovens retirados

Foto 2 de 7 – O abrigo possui cerca de 30 profissionais que compõem uma equipe multidisciplinar de educadores, assistentes sociais e psicólogos Fabíola Ortiz/UOL

O UOL Notícias visitou uma das quatro unidades de acolhimento compulsório da Prefeitura do Rio para onde são encaminhados os adolescentes menores de idade para internação forçada. Proposta semelhante é estudada em São Paulo.

Nas unidades do Rio, os menores só saem ao cumprirem 18 anos ou por determinação do juizado de menores após provar terem se livrado do vício com a comprovação de uma equipe multidisciplinar.

O crack é a principal dependência tratada no instituto. Aqui, quase todas as 40 meninas acolhidas têm um histórico de vício nesta e em outras drogas pesadas.

Rotina

O abrigo possui cerca de 30 profissionais que compõem uma equipe multidisciplinar de educadores, assistentes sociais e psicólogos. Construído num espaço arborizado, o local abriga duas casas que acolhem 20 crianças cada uma e conta com uma área de lazer.

Entre as atividades diárias estão oficinas de dança, canto, teatro, palhaço e momentos de discussão. A rotina é sempre a mesma para formação de hábitos: levantar às 7h30, arrumar a cama, cuidar da higiene pessoal, escovar os dentes e tomar banho.

A educadora Siomara Pimentel trabalha no abrigo há um ano e já trata de dependentes químicos há quase dez. Ela conta que as meninas chegam muito debilitadas das abordagens feitas nas ruas.

Muitas vêm infectadas com doenças sexualmente transmissíveis, além de doenças de pele, tuberculose e pneumonia. “Geralmente elas chegam pernoitadas, dormem o tempo todo e têm problemas de saúde por causa do uso contínuo da droga. Elas precisam de um tempo até mesmo para se sintonizar. Na rua, o crack tira toda a fome, a sede, não se dorme, elas passam o tempo todo usando.”

Pimentel lembra que no abrigo tem horário para tudo. “Geralmente, lemos um texto para que elas possam refletir. Às sextas-feiras é o dia de visita”, afirma. São servidas cinco refeições diárias: o café da manhã, o almoço ao meio-dia, o lanche por volta das 15h30, o jantar às 18h e a ceia às 21h. Às 22h é hora de dormir.

A educadora afirma que, após ser liberada, a jovem tem que manter o tratamento fora para evitar recaídas.

“Comecei a namorar com o gerente da favela”

“Com 12 anos eu usava cocaína, loló [lança-perfume], maconha e haxixe. Depois parei de estudar na 8ª série, faltava à aula para ir à favela, comecei a namorar com o gerente da favela e a ir aos bailes funk. Ele usava muita cocaína e, de tanto vê-lo, eu experimentei e comecei a usar direto”, conta a adolescente B.S, 16 anos.

Há cinco meses no abrigo, B. passou por muitos momentos de dificuldade: antes de se tratar, ela ficou desaparecida por três meses sem dar notícias à sua família.

“Já aconteceu muita coisa comigo, antes de vir para cá em fevereiro, fiquei dois meses internada no hospital. Por efeito da droga, tive sete problemas de saúde. Meu pulmão esquerdo parou de funcionar, tive derrame na pleura, água no pulmão, na barriga, no coração, tive fígado grande e anemia profunda e desnutrição. Isso tudo num momento só, cheguei a pesar 29 quilos”, relembra.

Com pneumonia e tuberculose, B. foi encontrada pela mãe numa favela próxima ao bairro Senador Camará, na zona oeste do Rio, e levada para o hospital. Com a saúde recuperada, B. ainda toma medicamento para controlar a ansiedade. Ela teve dificuldades para se acostumar ao abrigo. “São muitas regras, na rua a gente não tinha isso. Quando eu sair, vou levar a disciplina comigo. Aqui a gente aprende, equilibra o pensamento e o corpo”, avalia.

“Quero ir embora”

Com uma filha de dois anos e sete meses, E.S, de 18 anos, foi recolhida em uma operação realizada em Manguinhos (zona norte), em junho, quando 58 pessoas foram retiradas das ruas. Ela era uma das dez crianças e adolescentes encontradas na cracolândia.

“Não adianta mentir, eu não sou uma usuária: eu sou uma viciada. Está sendo boa a experiência aqui, mas eu quero ir embora. A minha filha está entre a vida e a morte por causa de mim”, disse.

A adolescente usa drogas desde os 13 anos. “Fumei crack, depois experimentei loló [lança-perfume] no baile funk e foi quando eu comecei a fumar cigarro [mistura de maconha com crack] –tem também o capetinha, que é a nicotina do cigarro com o crack”, lembra.

Com a fala prejudicada, ela ainda não vai receber alta. Por ter completado a maioridade, deverá ser encaminhada para outro abrigo. “Desejo morar com a minha mãe e ser feliz com a minha família, não quero voltar para as drogas, se eu quisesse já teria fugido daqui”, disse. Recolhida da rua há cerca de um mês, entretanto, a menina afirma não se lembrar da última vez que esteve em casa.

A educadora Maria Helena de Sousa, que é recém chegada ao abrigo, conta ter vivido um histórico de vício na família. “Já tive experiência com a minha própria família, que era de usuários –minha irmã e minha mãe. Na época eu não pude ajudar, eu tinha quase 10 anos”, lembra.

Sousa afirma que usa sua experiência pessoal para incentivar as meninas. “Eu passo para elas que a vida não é fácil, mas não precisa ser tão difícil. Eu fui criada no meio das drogas, mas não deixei que me atingisse”, finaliza.

Comments

comments

Nos ajude a melhorar o sítio! Caso repare um erro, notifique para nós!

Recent Posts

  • NOV 26 NÓS SOMOS OS 43 – Ação de solidariedade a Ayotzinapa
  • Quem foi a primeira mulher a usar LSD
  • Cloroquina, crack e tratamentos de morte
  • Polícia abre inquérito em perseguição política contra A Craco Resiste
  • Um jeito de plantar maconha (dentro de casa)

Recent Comments

  1. DAR – Desentorpecendo A Razão em Guerras às drogas: a consolidação de um Estado racista
  2. No Grajaú, polícia ainda não entendeu que falar de maconha não é crime em No Grajaú, polícia ainda não entendeu que falar de maconha não é crime
  3. DAR – Desentorpecendo A Razão – Um canceriano sem lar. em “Espetáculo de liberdade”: Marcha da Maconha SP deixou saudade!
  4. 10 motivos para legalizar a maconha – Verão da Lata em Visitei um clube canábico no Uruguai e devia ter ficado por lá
  5. Argyreia Nervosa e Redução de Danos – RD com Logan em Anvisa anuncia proibição da Sálvia Divinorum e do LSA

Archives

  • Março 2022
  • Dezembro 2021
  • Setembro 2021
  • Agosto 2021
  • Julho 2021
  • Maio 2021
  • Abril 2021
  • Março 2021
  • Fevereiro 2021
  • Janeiro 2021
  • Dezembro 2020
  • Novembro 2020
  • Outubro 2020
  • Setembro 2020
  • Agosto 2020
  • Julho 2020
  • Junho 2020
  • Março 2019
  • Setembro 2018
  • Junho 2018
  • Maio 2018
  • Abril 2018
  • Março 2018
  • Fevereiro 2018
  • Dezembro 2017
  • Novembro 2017
  • Outubro 2017
  • Agosto 2017
  • Julho 2017
  • Junho 2017
  • Maio 2017
  • Abril 2017
  • Março 2017
  • Janeiro 2017
  • Dezembro 2016
  • Novembro 2016
  • Setembro 2016
  • Agosto 2016
  • Julho 2016
  • Junho 2016
  • Maio 2016
  • Abril 2016
  • Março 2016
  • Fevereiro 2016
  • Janeiro 2016
  • Dezembro 2015
  • Novembro 2015
  • Outubro 2015
  • Setembro 2015
  • Agosto 2015
  • Julho 2015
  • Junho 2015
  • Maio 2015
  • Abril 2015
  • Março 2015
  • Fevereiro 2015
  • Janeiro 2015
  • Dezembro 2014
  • Novembro 2014
  • Outubro 2014
  • Setembro 2014
  • Agosto 2014
  • Julho 2014
  • Junho 2014
  • Maio 2014
  • Abril 2014
  • Março 2014
  • Fevereiro 2014
  • Janeiro 2014
  • Dezembro 2013
  • Novembro 2013
  • Outubro 2013
  • Setembro 2013
  • Agosto 2013
  • Julho 2013
  • Junho 2013
  • Maio 2013
  • Abril 2013
  • Março 2013
  • Fevereiro 2013
  • Janeiro 2013
  • Dezembro 2012
  • Novembro 2012
  • Outubro 2012
  • Setembro 2012
  • Agosto 2012
  • Julho 2012
  • Junho 2012
  • Maio 2012
  • Abril 2012
  • Março 2012
  • Fevereiro 2012
  • Janeiro 2012
  • Dezembro 2011
  • Novembro 2011
  • Outubro 2011
  • Setembro 2011
  • Agosto 2011
  • Julho 2011
  • Junho 2011
  • Maio 2011
  • Abril 2011
  • Março 2011
  • Fevereiro 2011
  • Janeiro 2011
  • Dezembro 2010
  • Novembro 2010
  • Outubro 2010
  • Setembro 2010
  • Agosto 2010
  • Julho 2010
  • Junho 2010
  • Maio 2010
  • Abril 2010
  • Março 2010
  • Fevereiro 2010
  • Janeiro 2010
  • Dezembro 2009
  • Novembro 2009
  • Outubro 2009
  • Setembro 2009
  • Agosto 2009
  • Julho 2009

Categories

  • Abre a roda
  • Abusos da polí­cia
  • Antiproibicionismo
  • Cartas na mesa
  • Criminalização da pobreza
  • Cultura
  • Cultura pra DAR
  • DAR – Conteúdo próprio
  • Destaque 01
  • Destaque 02
  • Dica Do DAR
  • Direitos Humanos
  • Entrevistas
  • Eventos
  • Galerias de fotos
  • História
  • Internacional
  • Justiça
  • Marcha da Maconha
  • Medicina
  • Mídia/Notí­cias
  • Mí­dia
  • Podcast
  • Polí­tica
  • Redução de Danos
  • Saúde
  • Saúde Mental
  • Segurança
  • Sem tema
  • Sistema Carcerário
  • Traduções
  • Uncategorized
  • Vídeos