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Dezembro 20, 2012

Amsterdã manterá maconha para turistas

Folha Online

Preocupada com a possível queda do número de turistas com a proibição de venda de maconha a estrangeiros a partir de janeiro de 2013, a prefeitura de Amsterdã decidiu que fará “vista grossa” sobre os turistas nos chamados “coffee shops”, bares especializados na comercialização da droga e seus derivados.

“Foi decidido que as autoridades responsáveis pela aplicação da lei não colocarão nenhuma prioridade sobre isso”, disse o prefeito de Amsterdã, o trabalhista Eberhard van der Laan, em comunicado enviado ao governo federal na última semana.

O governo conservador nacional, que foi derrotado nas eleições de setembro, havia prometido que, a partir de 1º de janeiro de 2013, apenas cidadãos holandeses seriam autorizados a comprar droga nesses locais.

O argumento é que os “coffee shops” atraem a criminalidade e visitantes indesejados ao país. Van der Laan, no entanto, pondera que a proibição poderá afetar não só a economia da capital, como incentivar o tráfico nas ruas e elevar a criminalidade.

“Nossa preocupação é que se aplicarmos a lei, os turistas vão comprar maconha e seus produtos na rua”, afirma o prefeito na carta.

Segundo o político, um em cada três dos quase 7 milhões de turistas que visitam Amsterdã por ano visita um “coffee shop”. Estima-se que haja mais de 200 estabelecimentos desse tipo na cidade.

Em entrevista ao jornal local “Volkskrant”, o prefeito lembrou que as políticas da nova coalizão estabelecem que a proibição só seja implantada com o aval da administração municipal.

O prefeito já prometeu publicamente ao ministro da Justiça, Ivo Opstelten, que a cidade reprimirá os estabelecimentos que não seguirem as regras, como locais que vendem a menores de idade. Também anunciou que vai proibir estudantes de fumarem maconha na escola –decisão inédita no país.

A nova lei foi aprovada em dezembro de 2011 e entrou em vigor em maio deste ano nas províncias de Brabante, Limburgo e Zeelandia. Em 1976, o consumo da maconha foi descriminalizado na Holanda.

O empenho do prefeito contra a lei causou irritação em Haia, sede do governo nacional, onde é travada uma disputa que irá definir o futuro da política de drogas adotada no país.

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