
Três semanas depois do desaparecimento de Amarildo de Souza na Rocinha, o delegado Ruchester Marreiros pediu a prisão preventiva de Elizabete Gomes da Silva, mulher do pedreiro. É o que revela hoje em manchete o jornal “Extraâ€.
Medeiros era delegado-adjunto da 15ª Delegacia de PolÃcia, que cuidou da apuração do sumiço de Amarildo nas primeiras semanas. Em relatório acerca da investigação do tráfico de drogas na favela, Marreiros afirmou que Elizabete presta serviços para quadrilha, como guardar material para traficantes em casa e avisar sobre a chegada da polÃcia.
O delegado escreveu que só não pediu também a prisão de Amarildo por existirem indÃcios de que ele já estaria morto. O trabalhador desapareceu depois de ser levado irregularmente, na noite de 14 de julho, para a sede da Unidade de PolÃcia Pacificadora da Rocinha.
Delegado-adjunto da 15ª DP até poucas semanas atrás, Marreiros concluiu o relatório depois de já ter deixado aquela unidade policial, localizada na Gávea.
O delegado titular, Orlando Zaccone, divergiu, de acordo com “O Globoâ€: “Causam muita estranheza o espaço e o destaque dedicado pela autoridade policial [Ruchester Marreiros] a possÃvel participação de Amarildo de Souza e sua companheira Elizabete como integrantes de organização criminosa objeto desta investigação. Em nenhum relatório anterior os dois apareciam como suspeitosâ€, observou Zaccone em relatório.
Ex-delegado adjunto da 15ª DP (Gávea), Ruchester Marreiros solicitou a prisão temporária da doméstica Elisabete Gomes da Silva, mulher do pedreiro Amarildo de Souza — desaparecido há 24 dias. O pedido — feito seis dias depois da transferência de Ruchester para a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) — foi desconsiderado pelo titular da delegacia, Orlando Zaccone, e pela promotora responsável do caso, Marisa Paiva.
Segundo o relatório feito pelo delegado Ruchester, há indÃcios da ligação de Bete com o tráfico de drogas na Rocinha. O delegado pediu ainda as prisões de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e de sua mulher, Danúbia Rangel, conhecida como Xerifa da Rocinha.
— A Bete guarda material para o tráfico em casa, utiliza subterfúgios durante as abordagens policiais a meninos na favela, avisa sobre a chegada da polÃcia, participa de reuniões e churrasco dos bandidos — garante ele.
Ruchester explica que, durante as investigações da Operação Paz Armada, pelo menos quatro testemunhas, um policial militar infiltrado e três moradores da favela, falaram sobre o envolvimento de Bete com o crime. Ainda haveria interceptações telefônicas citando a participação de Bete no crime. Relator do inquérito, Orlando Zaccone, no entanto, descarta qualquer ligação da doméstica com o tráfico na região.
O delegado Orlando Zaccone frisa que o documento feito por Ruchester Marreiros foi usado apenas como peça de informação no inquérito.
De acordo com Ruchester, as investigações da operação Paz Armada — deflagrada um dia antes do sumiço de Amarildo — identificaram 75 pessoas e qualificaram 60.
Bete e o marido, também conhecido como Boi, já foram citados ao longo das investigações, segundo Ruchester. Só depois do desaparecimento de Amarildo, entretanto, os dois tiveram os nomes identificados.
Zaccone, no entanto, garante que o material colhido sobre os dois neste perÃodo não garante o indiciamento por associação ao tráfico.
Zaccone entregou, na manhã de ontem, o inquérito sobre o sumiço de Amarildo nas mãos da promotora Marisa Paiva. Em um dos despachos, o delegado desconsidera o relatório feito por Ruchester. O documento que está valendo é o assinado pelo próprio Zaccone.