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Outubro 10, 2013

PM compra novo lote de munição química após confrontos em SP

G1

Três meses após os primeiros confrontos nas manifestações de junho e um dia depois de o governo do estado anunciar medidas mais duras contra vandalismo, a Polícia Militar deSão Paulo anunciou a compra de mais munições químicas.

De acordo com o Diário Oficial do Estado de SP desta quarta-feira (9), na segunda-feira-feira (7) foi assinado um “aditamento contratual” com a Condor S.A. Indústria Química, com sede no Rio de Janeiro, que trata do “Termo de Recebimento Definitivo das munições químicas” para obter novo estoque do material no prazo de um mês.

No documento, não foi detalhado o motivo da aquisição do produto, nem sua quantidade e custo. O pedido foi feito pelo Centro de Suprimento e Manutenção de Armamento e Munição da PM. Questionada pelo G1, a assessoria de imprensa da corporação informou que não poderia responder aos questionamentos da equipe de reportagem por questão “estratégica”.

“A Polícia Militar esclarece que informações referentes a aquisição, distribuição e emprego de material bélico são de natureza eminentemente estratégica, restringindo-se exclusivamente ao âmbito das forças de segurança, o que não nos exime, contudo, da devida prestação de contas aos respectivos órgãos governamentais de auditoria”, informa a nota divulgada por e-mail pela corporação.

Procurado para comentar o assunto, o coronel Benedito Roberto Meira, comandante da PM no estado de SP, afirmou que os motivos da compra da nova munição se devem a três fatores. “Reposição de estoques por causa do que já foi utilizado, substituição devido a validade vencida e alteração de local de recebimento, para centralizar tudo num mesmo lugar”, disse Meira.

Segundo o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e integrante da Câmara Técnica de Análise e Pesquisas na Área de Segurança da Secretaria da Segurança Pública (SSP), um dos motivos da aquisição de munições químicas pode ser o fato de o estoque ter se esgotado durante as manifestações de junho.

“Quando ocorreram as manifestações em junho e julho, as polícias esgotaram todos os estoques nos seus estados, inclusive em São Paulo, de balas de borracha e bombas de efeito moral e gás. Conversei com muita gente para saber disso, pessoas de quatro estados. Em São Paulo, por exemplo, tivemos problemas em Campinas e São José dos Campos”, disse José Vicente da Silva.

O comandante da PM não quis informar a quantidade, tipos e valores das munições que serão adquiriadas. Também negou que elas tenham sido compradas para suprir o estoque dos meses de junho e julho, quando a PM utilizou armamento não letal para durante os atos.

“Em junho e julho, em razão das manifestações, o estoque reduziu muito, mas já foi reposto”, disse Meira. “Essa munição de agora não está vindo por causa somente das manifestações. Temos outras ações no estado, como ações em bailes funks e reintegrações de posse de terra, onde as vezes é necessário o uso dessa munição”.

A Condor, principal fornecedor de armas não-letais para forças de segurança no país, informou que não houve aumento na procura de armamento e munições por São Paulo e outros estados por causa das manifestações iniciadas em junho. De acordo com a empresa, foi detectado um aumento de 50% no pedido de treinamento das forças de segurança do país em agosto e setembro.

Por e-mail, a fornecedora informou que “a empresa está impossibilitada de divulgar dados de faturamento e/ou de contratos em função de cláusulas de confidencialidade previstas nos mesmo”.

A informação do ‘aditamento’, que significa uma espécie de ‘acréscimo, foi publicada um dia após o anúncio feito pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) estadual de que a PM voltará a usar balas de borracha em protestos. Os projéteis estavam proibidos pelo governo paulista desde junho, quando pessoas ficaram feridas nos atos.

O endurecimento contra vandalismo nas manifestações passa ainda por uma força-tarefa, que reunirá promotores, delegados e policiais militares. O objetivo é identificar, atuar e prender envolvidos em ações de dano ao patrimônio. Os alvos são integrantes dos movimentos Black Bloc e Anonymous. Eles também poderão responder por formação de quadrilha.

A assinatura do aditamento do contrato também foi feita na segunda-feira (7): dia em que policiais militares entraram em confronto com vândalos mascarados infiltrados num protesto de professores na capital paulista. Ao todo, 11 manifestantes foram detidos na região da Praça da República. Ao menos oito agências tiveram vidros e caixas eletrônicos destruídos. Um carro da polícia foi virado e depredado. Entre os presos pela PM, um casal foi indiciado pela Polícia Civil pela Lei de Segurança Nacional (LSN), usada na ditadura militar.

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