
Mesmo ilÃcita, maconha é usada em pratos brasileiros e chefs internacionais criam “a cozinha chapada”
No Brasil, consumir ou comercializar drogas é crime. A legislação nacional prevê punições distintas a usuário e traficante. Ao primeiro, a lei imputa três tipos de pena: advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade e medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Já quem produz ou comercializa produtos ilÃcitos, a lei atribui pena de 5 a 15 anos de reclusão e pagamento de multa de R$ 500 a R$ 1500. Nos EUA, muitos estados também condenam estes tipos de substâncias, porém há aqueles que liberam o consumo da maconha para fins medicinais. Legislação à parte, o Gastronomia & Negócios repercute a polêmica revelação de chefs internacionais que confessam usar maconha nas criações e descobre produtos, feitos à base da erva, consumidos livremente em universidades brasileiras.
“Todo mundo sabe que nas festas da Universidade X, em São Paulo, estudantes produzem, vendem e compram o famoso brigadeiro de maconha”, revela Maria Helena, pseudônimo de uma jovem que já consumiu o produto ilÃcito, porém preferiu não revelar o seu nome e o da faculdade, onde o doce é comum. “O efeito da sobremesa é maior do que quando fumamos a erva. Por este motivo, o tal brigadeiro é tão procurado”, confessa Maria.
Em alguns sites da internet, há ainda receitas do doce, feito à base de leite condensado, chocolate em pó e maconha. Na rede de relacionamentos Orkut, o G&N encontrou também uma comunidade destinada à sobremesa. “Com tanta oferta de informações, meu namorado já chegou a fazer em casa o brigadeiro”, conta Maria Helena.
De acordo com especialistas, a cânabis ou a maconha produz efeitos psicoativos e fisiológicos quando consumida. Entre os sintomas ocorrem aumento da frequência cardÃaca, diminuição da pressão do sangue, diminuição da coordenação psicomotora e perda de memória. Alguns estudos associam o uso prolongado da cânabis com o desenvolvimento de cânceres, pois sua fumaça possui de 50% a 70% a mais de hidrocarbonos cancerÃgenos que o tabaco.
As Nações Unidas estimam que cerca de quatro por cento da população mundial usam maconha pelo menos uma vez ao ano e cerca de 0,6% consomem-na diariamente. Em alguns paÃses, como na SuÃça, a legislação é branda no quesito drogas, tanto que uma fábrica suÃça divulga no mercado o Prince Canna, um queijo feito com maconha. Por enquanto, o produto pode ser comprado apenas nos supermercados do paÃs. A embalagem informa que a composição inclui maconha e ‘óleo canábico’, mas avisa: o THC, o princÃpio ativo mais importante da maconha, causador dos efeitos psÃquicos normalmente associados à droga, foi extraÃdo da fórmula. Na embalagem consta ainda que o gosto é de consistência dura, e um pouco picante.
“Todo mundo fuma maconha no fim do dia, no restauranteâ€. Esta declaração foi dita pelo chef Anthony Bourdain, autor do livro “Cozinha Confidencialâ€, ao jornal americano New York Times. Durante a entrevista, o profissional avisou ainda que existem diversos restaurantes criados especificamente para o paladar do chef meio chapado, meio bêbado depois do trabalho.
E Bourdain não está sozinho na polêmica. Outros chefs também afirmaram que alguns de seus pratos elaborados foram criados sob o efeito da erva. Roy Choi, responsável por um restaurante em Los Angeles, disse ao NYT que usa maconha para relaxar de turnos de 17 horas de trabalho e para estimular sua criatividade.
A elaboração de menu sob o efeito da maconha é chamada pelo jornal americano de “haute stoner cuisineâ€. No tal estilo culinário, as ervas se misturam na cozinha. Um restaurante em Manhattan, por exemplo, serve uma sobremesa que consiste num sorvete com o sabor doce que fica no leite que resta no fundo de uma tigela de cereais. A chef Christina Tosi, responsável pela sobremesa, afirmou que não tinha usado nenhuma droga quando criou o tal sorvete, mas acredita que suas sobremesas tem textura e sabores muito profundos, insirados nas sensações causadas pela maconha. “Elas dão uma experiência sensorial exagerada em quem as come”, confessa.
Segundo a reportagem do New York Times, um dos motivos que pode contribuir para esta nova onda de consumo de drogas entre os chefs é o crescente número de estados norte-americanos que estão permitindo o uso da maconha para fins medicinais.
Apesar da declaração de Bourdain e de alguns chefs admitirem que fumam maconha no fim do expediente, o uso de drogas é motivo de preocupação para os restaurantes nos EUA: se um empregado é pego usando alguma substância ilegal, o restaurante pode perder a licença para vender bebidas alcoólicas. No Brasil, o G&N não localizou profissionais que seguissem o “haute stoner cuisineâ€.