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Junho 08, 2010

Dilma, uma candidata proibicionista – parte 2

Em entrevista à Revista Carta Capital, a candidata do PT volta aapresentar seu modo proibicionista de encarar a questão das drogas. Veja também, abaixo, entrevista à agência Bom Dia, na qual a candidata aponta que “drogas devem ser combatidas” e não descriminalizadas.

CC: A senhora tem falado do combate ao crack, mas as políticas antidrogas têm fracassado. Sob que ótica se daria esse combate?
DR: O primeiro mecanismo é a prevenção. Não se combate droga sem repressão, tem de levantar a rota e combatê-la, mas só isso não adianta, está para lá de provado. Tem de fazer a prevenção e o apoio, e o apoio é complicado porque tem de apostar que tira o cara do crack depois que ele entrou. Há várias discussões a respeito, há casos que a pessoa saiu, mas não é fácil, não é igual às outras drogas. É altamente viciante e mata em seis meses. Não é algo, inclusive, que tenha tradição mundial, há dificuldade de fazer.

CC: O que a senhora acha da descriminalização das drogas, de maneira geral?
DR: Hoje não concordo. Não vou dizer que, numa crise de droga da proporção do crack no Brasil, caiba esse tipo de discussão agora. Não temos estrutura para isso e não temos como discriminar o que pode e o que não pode.

Para Dilma, drogas devem ser combatidas e não descriminalizadas

Em Minas, candidata do PT afaga mineiros e exalta distribuição de renda no governo Lula

Fernando Zanelato
Agência BOM DIA

A pré-candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, defendeu nesta sexta-feira, em Minas Gerais, a criminalização das drogas e o combate aos traficantes.

Fazendo vários afagos aos mineiros, terceiro maior colégio eleitoral do país, Dilma, que nasceu em Minas, mas fez toda sua carreira política no Rio Grande do Sul, disse que as autoridades não podem ser seduzidas por ideias de descriminalização das drogas. Ela chegou a chamar o crack de “praga”.

“Acho que a gente não pode ser seduzido pelas políticas de descriminalização da droga quando no Brasil a gente vê um caso tão grave como esse, que é o crack. Eu darei extrema prioridade a combatê-lo”, afirmou, em entrevista para uma rádio AM de Uberaba.

Em fevereiro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse ser a favor da descriminalização de todas as drogas. “A política de guerra às drogas não está funcionando”, disse na ocasião.

Apesar de não fazer qualquer menção ao tucano, Dilma, novamente, tentou mostrar suas diferenças com o PSDB, partido de José Serra, seu principal adversário.

A ex-ministra da Casa Civil afirmou ainda que o combate às drogas deve ser enfrentado com o tripé “autoridade, carinho e apoio”.

“Apoio para impedir que mais jovens caiam nessa armadilha fatal, carinho para cuidar dos que precisam se libertar do vício e autoridade para combater e derrotar os traficantes”.

Prioridades

Dilma reiterou que suas prioridades, se eleita, serão a saúde, segurança pública e educação. Ela aproveitou a entrevista para rasgar elogios à política de assistência social do presidente Lula.

“A renda no Brasil é distribuída muito desigualmente. Nós melhoramos muito isso. Tiramos 24 milhões de pessoas da miséria, elevamos 30 milhões para a classe C. Porque subir na vida era uma coisa que tinha acabado no Brasil”, disse, em clara alusão aos tucanos.

A petista culpou o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) pelo mau atendimento no SUS (Sistema Público de Saúde).

Ela não deixou claro se vai tentar criar um imposto semelhante para financiar a saúde. “Acho que o Brasil vai crescer e nós vamos ter mais recursos para investir em saúde”, comentou.

Quase mineira

De olho nos eleitores mineiros, Dilma chegou a dizer que traz um pouco de “mineiridade” dentro dela ao lembrar que sua mãe nasceu na cidade do Triângulo.

Segundo ela, as histórias sobre Uberaba que ouvia da mãe quando criança fazem parte de sua identificação com a terra natal. “É um pouco da mineiridade que eu trago dentro de mim”.

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