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Junho 10, 2010

Se Dilma é proibicionista, Serra não fica atrás

Serra defende tratamento de dependentes químicos pelo SUS

Terra.com.br – Marcela Rocha – Direto de São Paulo


O pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, defendeu nesta terça (8) que o SUS tenha clínicas especializadas para o tratamento de dependentes químicos, durante um encontro com especialistas em tratamento de viciados no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Foi destacado ainda, pelos especialistas presentes, que no programa de saúde pública não estão previstas clínicas especializadas de atendimento aos casos agúdos de dependentes químicos.

Serra recebeu dos professores Ronaldo Laranjeira e Valentim Gentil um documento com propostas de políticas para dependentes químicos, principalmente de crack. Os docentes apresentam o material a Serra ao lado de familiares de dependentes, que participam da reunião. Entre as propostas, os professores pediram um pouco mais de atenção primária e secundária e melhoria no atendimento ambulatorial. Segundo Valentin, é preciso dar mais esclarecimento na saúde e prevenção.

Os professores também criticaram a falta de suporte oferecida pelo SUS e Serra defendeu que o que o sistema deve financiar a internação em clínicas terapêuticas especializadas. O tucano disse que “há uma resistência a isso, por que há uma resistência de que se pode ter clínicas especializadas para dependentes químicos, isso é considerado equivalente a doenças mentais e que não poderia segregar a problemas de saúde mental”. Ele citou o exemplo de um hospital de São Bernardo do Campo e que, caso seja eleito, pretende disseminar a ideia pelo País. “Tem gente que é contra, e a proposta do governo federal espelha isso, contra clínicas especializadas e de internação, ou seja são contra ao que fizemos em, São Bernardo”, afirmou.

Na oportunidade, Serra defendeu a cooperação entre Estado e organização social. O tucano também criticou a atual relação entre a Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e o Ministério da Saúde, que, segundo ele, “não funciona adequadamente para enfrentar a questão das drogas”.

Sobre o combate ao tráfico, o presidenciável disse que “é preciso combater o tráfico do ponto de vista tanto do País que compra quanto do País que vende. O governo federal tem que colocar todo seu peso nessa ação”.

O ex-governador e pré-candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, que também participou do evento, disse que Serra deve ganhar um título de CRM – Conselho Regional de Medicina.

Em resposta, o Ministério da Saúde enviou uma lista de programas a serem implementados e ações em andamento voltadas ao tratamento de dependentes químicos. Segundo a assessoria, “o SUS possui 2,5 mil leitos para o atendimento a dependentes químicos, localizados em hospitais gerais”, “financia 35 mil leitos em hospitais psiquiátricos, que também estão habilitados a realizar internações de pacientes com transtornos relacionados ao consumo de drogas”, e “foram instalados 52 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)”. Ainda segundo o setor de comunicação da pasta, “o investimento anual é de R$ 17 milhões”.

“A internação involuntária está prevista na Lei 10.216, de 2001, para casos críticos, em que o paciente representa risco à própria integridade física ou a pessoas próximas. Por pressupor restrição de liberdade, esta medida deve, obrigatoriamente, ser comunicada ao Ministério Público, que acompanha e avalia cada caso”, afirmou a assessoria. “A internação é uma das medidas para tratamento da dependência, que deve ser acompanhada de seguimento ambulatorial e ações de inclusão social. É um erro reduzir o tratamento destes casos apenas à medida de internação”, acrescentou.

“Exagero”
Serra afirmou serem exageradas as reações às suas críticas direcionadas a Bolívia em relação ao combate à cocaína. Na reunião, o pré-candidato reforçou seu posicionamento e disse ainda que é crítico a qualquer país que não adote uma política de combate a droga

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