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Março 30, 2011

Bendito livro maldito

Quem tem medo da publicação que ensina a plantar maconha medicinal em casa?
Ivan Moraes Filho

A parte da escrita certamente não foi a mais difícil da aventura literária de Sérgio Vidal. Afinal de contas, este antropólogo baiano se debruça sobre os diferentes aspectos da cannabis há nada menos que dez anos. Ainda na faculdade, estudou aspectos sociais e culturais da galera que resolveu plantar a erva para driblar o tráfico. Os anos de pesquisa viraram não só monografia de final de curso. Renderam convites para debates e seminários sobre o tema, além de fazer com que o moço mergulhasse de vez no ativismo pró-legalização da plantinha.

Um dos organizadores da Marcha da Maconha soteropolitana e consumidor voraz de textos sobre o assunto, Sérgio viu uma lacuna no mercado brasileiro de literatura. Enquanto gringos como Ed Rosenthal e Jorge Cervantes já venderam alguns milhões de cópias, quem não lê em inglês ainda sofre se quiser saber mais sobre o cânhamo, seu uso medicinal, cultivo, história e até questões ligadas à legislação. “Tem pouca coisa na internet. Mesmo em Portugal só há uma revista que fala do tema, mas nenhum livro”, percebeu.

Como quem-sabe-faz-a-hora-não-espera-acontecer, o baiano resolveu se movimentar. Releu tudo o que tinha, juntou anotações de suas pesquisas, sistematizou toda a parada. Conseguiu umas fotos com a revista argentina THC. Aí chamou um amigo diagramador, que também sabe desenhar. Pegou uma grana emprestada com a Associação Brasileira de Estudos Sociais sobre o Uso de Psicoativos e mandou tudo para a gráfica. Barabim, barabum, estavam prontos os três mil exemplares da primeira edição de Cannabis Medicinal – introdução para o cultivo indoor, que foi lançada em dezembro passado.

A bem bolada obra tem como foco principal os aspectos botânicos da ganja e recebeu sem bronca o ISBN da Biblioteca Nacional. Perrengue mesmo está passando o escriba para poder distribuir. Não bastassem os 40% ou 50% que as livrarias normalmente abocanham (e que tornam a venda proibitiva pra quem é independente), alguns serviços de venda online também andam dando uma dura no militante-escriba.

“No início contratei a empresa Pagamento Digital. Só que depois dos cinco primeiros livros vendidos eles bloquearam minha conta e ainda ficaram com a grana dos clientes. Depois me disseram que meu livro oferecia risco ao funcionamento da firma deles”. Como assim, cara pálida? “Era puro medo de que alguém resolvesse entrar com um processo me acusando de apologia

e eles fossem envolvidos”, acredita o antropólogo. O Mercado Livre também anda farrapando. Por duas vezes, o anúncio da publicação foi retirado do ar. “Não vendo maconha, não vendo sementes. Vendo um livro!”, arretou-se no twitter dia desses.

Antes de você jogar o primeiro pacotinho de seda Colomy, entenda que as instruções das 160 páginas de “Cannabis Medicinal” podem, sim, ser utilizadas dentro da legalidade. A lei no Brasil permite que se cultive maconha, com a autorização da Anvisa, para fins medicinais. Só que até hoje nenhuma instituição fez esse pedido formalmente. Inocência às favas, o principal público que paga R$ 29,90 (mais R$ 6,00 de frete) é mesmo o pessoal que pretende usar o conhecimento adquirido para plantar e colher suas próprias belotas, com a consciência limpa de não dar mais nenhum real para a criminalidade.

Esquivando-se da caretice, Sérgio tem distribuído sua obra por conta própria, contando com a ajuda dos amigos. O sites Growroom (www.growroom.net) e Hempadão (www.hempadao.com) estão divulgando o livro, que pode ser comprado diretamente com o autor, por email (sergiociso@gmail.com) ou na loja virtual criada especialmente para este fim (www.cultivomedicinal.com.br).

Pra não atiçar o possível preconceito de algum vizinho, o livro segue pelo correio em embalagem discreta. O autor também garante que não guarda o endereço de ninguém. Nessa luta quase quixotesca, o importante mesmo é disseminar a informação.

“Hoje em dia já se sabe o suficiente pra maconha ser liberada. Mas falta popularizar esse conhecimento e cobrar de políticos que as leis sejam mudadas”, pitaca o ativista. “Precisa ter mais livros, revistas, sites falando sobre o tema de forma mais aberta”. Para Sérgio, mais importante que a legalização é o que ele chama de ‘normalização’ “Leis são regras num papel. É a cultura que diz

como serão aplicadas. A lei diz que é proibido vender CDs piratas. Mas na cultura brasileira isso é normal. A lei diz que o usuário de maconha que planta sua própria erva não pode ser preso, mas na cultura brasileira isso não é normal ainda, então, muitos usuários ainda são presos por isso”.

Verdade seja dita. Quem não conhece um maconheiro, declarado ou não, que atire o primeiro baseado. E você, como acha que esse assunto vem sendo tratado por quem dá as cartas no país?

Quem tem medo da publicação que ensina a plantar maconha medicinal em casa? Ivan Moraes Filho

Ivan Moraes Filho é escrevedor e não tem opinião formada sobre tudo. E as que tem ainda pode mudar.

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