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Novembro 18, 2011

Entre duas guerras, por Rodrigo Alencar

Do blog Drogas e Psicanálise

Temos de reconhecer duas guerras que ocorrem neste momento:

A primeira vivida em formato de guerrilha, permanente e onipresente nas periferias paulistanas, a eficaz repressão aos pobres. O encarceiramento em massa, as ações de polícias como a ROTA. O controle estatal em sua face obscura, bem lembrada por Paulo Arantes na forma de racketeers (estratégia que se utiliza do método de causar medo para vender proteção). Nesta guerra não se usam só balas, há estratégias de sabotagem (incêndios e inundações), e diversos outros meios de enfraquecer possíveis revoltas. A dominação ideológica também se faz forte: a imagem do “cidadão de bem” que se ocupa de trabalhar e gastar seu dinheiro, atento aos reclames do Jornal Nacional e ao jabá da telenovela, também faz parte desta guerrilha. Para que haja opressão política, fincam-se ideias e estilos de vida como se fossem estacas, estas passam a servir de pilares que sustentem bons exemplos de “livre mercado”. Livre para quem tem papel e se assujeita ao monopólio político do que vender e de como vender. Esta guerra sem dúvida mata mais. Fragmenta laços familiares e amistosos, traça linhas que só são ultrapassadas por mercadorias ilegais, sofrimento ou dinheiro. É encoberta, geralmente por ONGs picaretas ou meramente assistencialistas que ajudam a colocar panos quentes tentando provar que esta guerra é um erro de comunicação. Não é. A máquina que produz esta guerra sabe muito bem o que ganha, os soldados que lutam nela não. Como em todas as outras guerras, os soldados eliminam uns aos outros acreditando que só sua língua é legítima, e que o inimigo é um monstro emudecido, sem língua nem coração. Nesta guerra, assim como nas demais, há pilhagens, saques e estupros para quem ganha uma batalha, e para quem perde, miséria, racionamento, humilhação e sobretaxação monetária. Porém, ao contrário de uma guerra clássica, daquelas em que impérios se erguiam e posteriormente tombavam, cada dia desta guerra faz com que o tombo seja adiado, e apesar da inconstância das batalhas, há quem sempre ganhe.

A segunda faz jorrar menos sangue, mas não é menos importante. Esta acontece nas principais avenidas, universidades, praças e sindicatos do país. Também possui batalhas, mais visibilisadas ainda que de maneira deturpada. Nesta as piores armas costumam ser relatadas como “munição menos letal”, balas de borracha, cassetetes e bombas de feito moral, mas não são. A pior arma desta guerra é o cinismo e a ironia. Seus canhões se posicionam em mega antenas de transmissão e fazem correr pelo ar seus golpes mais duros e fatais. Isolando os combatentes e enfraquecendo-lhes a moral, fazendo com que se sintam crianças e insistindo que tais ações são pertencentes à insensatez própria de um espírito juvenil. As baixas desta guerra, não são clássicas como na primeira. Nesta, as batalhas não se encerram nos cortejos fúnebres ou na vala comum. Se na primeira guerra a morte é Real, nesta a morte é Simbólica. Ao contrário da primeira, quando se perde essa guerra, não há racionamento nem sobretaxa. Quando perdem esta guerra, comem melhor, se vestem melhor, tomam mais remédios, bebem mais e usam mais drogas. A marca da derrota desta guerra, não é a falta, é o excesso. Ao fim destes combates, quem perde, deve lembrar de escravizar a si mesmo e a administrar as próprias correntes. Se tornar assinante de revistas e canais a cabo, e administrar seu tempo entre o excesso das coisas e a ausência dos outros. Os estopins das batalhas, geralmente saem da primeira guerra.  São fortes estrondos sobre produtos que foram contrabandeados para atravessar aquela linha, que deveria demarcar claramente quem deve ser combatido. Nesta guerra não há senhores que se resguardem imunes, mas não necessariamente falte candidatos. Não raramente, os perdedores desta guerra passam a ser os beneficiários daquela citada anteriormente. E altamente gabaritados, ostentando as insígnias de suas derrotas no peito, passam a ocupar altos escalões e a eliminar seus inimigos empunhando sua Mont Blanc, sublime fruto de tantas derrotas.

Na primeira os efeitos são vistos como causa. Na segunda as causas são vistas como efeitos.

Resta nos perguntarmos o que acontece quando os criminalizados por fazer política se unem aos criminalizados por serem pobres.

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