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Dezembro 13, 2011

Droga urbana, crack chega aos canaviais de São Paulo

Diário Liberdade– [Diego Zanchetta, Agora] Consumo entre bóias-frias está em relatório da ONU divulgado na Espanha


“Nos canaviais, a droga surge como algo para enfrentar o insuportável”, diz pesquisadora que compilou dados do relatório

O jovem maranhense E.D., 27, está feliz com os R$ 900 de salário mensal. Ele não vê a hora de encerrar mais uma jornada. Às 15h20, o bóia-fria já cortou dez toneladas de cana, e agora quer relaxar com os conterrâneos. No alojamento, onde mora com 18 colegas, nem troca a roupa imunda de fuligem antes de largar o podão.

Com o cachimbo improvisado em um cano de plástico, vem a “recompensa” por mais um dia exaustivo. “É uma tragada e a dor nas costas passa na hora.”

Essa era a rotina do bóia-fria E.D., natural de Coroatá, no interior do Maranhão, um dos 15 cortadores de cana dependentes de crack internados em uma pequena clínica em Pradópolis, a 320 km da capital. Há 20 dias ele deixou o alojamento de bóias-frias para se tratar.

Como ele, centenas de trabalhadores rurais se viciaram na droga comum dos grandes centros urbanos, como apontam documentos da Pastoral do Migrante divulgados em relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), na Espanha, no final de setembro. O documento criticava a expansão de 15% na área plantada de cana em São Paulo, em relação a 2006 -o salário, porém, é o mesmo de 2003, de R$ 2,70 a R$ 3,07, dependendo do tipo da cana.

O consumo do crack entre cortadores de cana na região de Ribeirão Preto (314 km de SP) também é relatado por autoridades policiais, pesquisadores acadêmicos e até por usineiros.

“O crack aparece nas situações degradantes para o ser humano, como entre os moradores de rua. Nos canaviais, a droga volta a surgir como algo para enfrentar o insuportável”, analisa a pesquisadora Maria Lúcia Ribeiro, coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Maria Lúcia foi a responsável por compilar os dados que apontaram o consumo da droga entre os cortadores.

Difícil acesso

Para a polícia, o tráfico se infiltrou em uma área de difícil acesso para investigação. Já especialistas dizem que o crack é usado para amenizar dores – os bóias-frias trabalham até dez horas sob sol forte.

Os dependentes contam diferentes histórias sobre como conheceram o crack. E.D., por exemplo, disse que costumava fumar maconha no Maranhão. Procurou pela droga ao chegar, em 2005, mas conheceu o crack. “Um pedreiro de Piracicaba disse que tinha crack. Comecei a fumar e não parei mais”, disse o maranhense, que conta já ter passado um mês morando em construções abandonadas nos canaviais.

Como seu colega, J.G. perambulou como mendigo pelos canaviais de Motuca (325 km de SP) em abril. Só buscou ajuda após correr dois dias de um carro de polícia que não existia. “Tinha 120 kg em 2004. Agora só tenho 64 kg.” Os dependentes dizem que a pedra é vendida nos alojamentos por R$ 5 -em São Paulo, custa R$ 10.

Para o padre Antonio Garcia, da Pastoral do Migrante, o crack se alastrou no campo como opção ao sofrimento. “Pelos relatos e com a falta de assistência médica, o problema só tende a aumentar.”

Bóia fria tratava crack como o “diabo no corpo”

Em 2006, a cientista social Maria Aparecida Moraes, da Unesp de Araraquara (273 km de SP), entrevistou bóias-frias que diziam cortar cana “com o diabo no corpo”. Pesquisadora do trabalho dos migrantes nas lavouras há 30 anos, ela diz ter descoberto que o “diabo” era, na verdade, o crack.

“O crack diminui as dores no corpo dos bóias-frias, assim como a maconha”, diz. “Outro dado relevante é que muitos migrantes regressam para seus Estados de origem com droga para vender”, diz a cientista.

A pesquisadora constatou em seu trabalho que o crack é usado para aumentar o rendimento no corte da cana, mas dependentes contaram à reportagem que o consumo ocorre principalmente nos alojamentos. “Ninguém fuma com sol na cabeça. O negócio rola depois, sempre com pinga”, conta o cortador M.C., 27.

Coordenador da clínica de Pradópolis que trabalha na recuperação de bóias-frias, Humberto de Souza diz acreditar que o uso do crack poderia ser evitado se as usinas investissem em assistência social. “São pessoas que estão longe da família, muitas vezes já consomem álcool. É um contexto fértil para o crack proliferar.”

Outro defensor dos cortadores, o padre Antonio Garcia, da Pastoral do Migrante, afirma que o crack vendido nos alojamentos é misturado com cal. “Já ouvi isso dos próprios trabalhadores”, disse.

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