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Outubro 18, 2009

Beltrame coloca moradores do Morro dos Macacos mortos na guerra do tráfico e polícia como "bandidos"‏

O texto a seguir foi escrito por Maurício Campos, e difundido pela Rede Contra a Violência, logo após a presença ostensiva da polícia no Morro dos Macacos, no Rio, ter levado a mais mortes e abusos. (Ver, com o pé atrás, notícias do Terra e do G1).

Vejam a notícia a seguir de O Dia. A versão de Beltrame e da PM foi seguida quase unanimemente pela grande imprensa.

Depois da queda do helicóptero e da confirmação da morte de 2 policiais, a polícia convocou uma retaliação no estilo vingança. PMs em folga foram chamados e despachados para diversas favelas onde atua o Comando Vermelho (Jacarezinho, Providência, Manguinhos e Mangueira, pelo menos), e também para o São Carlos e Rocinha. A polícia civil também foi mobilizada. Claro que as mortes que acontecerem nessas “operações” (já são pelo menos 2 no Jacarezinho) serão todas contabilizadas como “bandidos mortos em confronto”, como o foram os quatro jovens do Morro dos Macacos.

A rigor, não são “operações” policiais, são ataques de retaliação, como fazem as facções criminosas ou as tropas de ocupação militar em países estrangeiros. Bem, mas a polícia no Brasil é mais ou menos isso mesmo, mistura de facção mafiosa (a mais organizada de todas, aliás) com tropa de cerco e ocupação contra “populações inimigas”.


Para justificar esse tipo de represália, ontem o caso da derrubada do helicóptero foi supervalorizado e cercado de informações fantasiosas. Ora, a derrubada de um único helicóptero da polícia está dentro das mais plausíveis probabilidades. Há vôos de helicópteros policiais sobre as favelas do Rio todo dia, com certeza bem mais de um por dia. Se o tráfico fosse tão “bem equipado” como diz a polícia e a imprensa, várias aeronaves já teriam sido derrubadas.


Até mesmo o Ricardo Boechat, jornalista normalmente crítico diante das informações oficiais, sucumbiu ontem ao sensacionalismo e divulgou ao vivo na Bandnews (rádio) a fantástica “informação de fontes não identificadas da polícia” de que os traficantes teriam abatido o helicóptero com um “lança-mísseis coreano”!!


Essa pretensa “informação” até agora não apareceu em nenhum outro lugar, mas é claro que sua divulgação impensada ajuda a colocar lenha na fogueira e a reforçar os paralelismos artificiais entre a “guerra ao tráfico” e as aventuras militares do imperialismo. Aliás, anteontem (16/10) o cônsul dos EUA no Rio visitou o Santa Marta junto com Beltrame e não poupou elogios à estratégia das UPPs (unidades de polícia pacificadora) do governo estadual. Dennis Hearne foi conselheiro político do comandante-geral das forças militares dos EUA no Leste do Afeganistão, e pediu explicitamente a Beltrame a visita a uma UPP (ver notícia de O Globo de 15/10).


E nessas guerras (tanto aqui nas favelas como no Afeganistão), quem menos tem voz e espaço na imprensa são as populações civis massacradas e obrigadas a se tornarem refugiados (porque ninguém até hoje fez uma pesquisa para investigar quanto milhares de pessoas vivem como refugiados dentro das próprias cidades brasileiras devido à violência?).

Maurício Campos.


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Primos fuzilados na volta de festa

Família de três mortos contesta versão de que rapazes seriam criminosos

Rio – Nas estatísticas divulgadas ontem pela Secretaria de Segurança, quatro jovens que estavam em um Peugeot preto metralhado por traficantes durante a invasão ao Morro dos Macacos foram chamados de bandidos. Mas nenhum deles tem anotação criminal, segundo o sistema da Polícia Civil, e todos tinham empregos fixos. Primos, os mecânicos Marcelo da Costa Ferreira Gomes, 26 anos, o auxiliar administrativo da Clínica São Victor Leonardo Fernandes Paulino, 27, e o mecânico Francisco Ailton Vieira da Silva, 25, morreram na hora. Irmão deste, o atendente do Habib’s Francisco Alailton Vieira da Silva, 22, permanecia em estado grave no Hospital do Andaraí até o fim da noite de ontem.

Parentes revoltados: familiares e amigos carregaram corpos para fora do morro e acusam PM de se recusar a recolher as vítimas. Grupo foi fuzilado por traficantes ao entrar na favela. Foto André Mourão/Agência O Dia

Enquanto o secretário José Mariano Beltrame incluía o nome dos jovens na lista de bandidos mortos, um tio dos rapazes revoltava-se assistindo à entrevista na televisão. José Marconi Andrade, 48, pegou um táxi e se dirigiu para a sede da secretaria em busca de justiça, mas foi barrado na porta. “Quero ver ele falar isso na minha frente. Eles eram trabalhadores de bem, estavam apenas comemorando a compra do carro”, afirmou, abalado.

Nascidos e criados no Morro dos Macacos, os primos voltavam de uma festa, por volta das 2h, quando foram surpreendidos pelos invasores na Rua Senador Nabuco, na favela. Segundo testemunhas, o carro recém-comprado de Leonardo foi metralhado sem chance de defesa, e os rapazes ainda tiveram documentos e celulares roubados. “A polícia nem subiu para retirar os corpos dos meninos. Nós que descemos o morro com eles embalados em lençóis. Era um cenário de guerra, havia mais de 20 corpos espalhados pelo chão”, disse um familiar, que pediu para não ser identificado. Leonardo comemoraria ontem o aniversário de 5 anos do filho com uma festa.

Outro morto no confronto, Alcinei de Oliveira Justino, 23, também foi contabilizado pela polícia na lista de bandidos. Sua irmã, Marinéia, afirma que ele era servente de obras. “ Morávamos juntos no Morro dos Macacos e ele trabalhava com meu marido”, disse ela. Chocados, parentes dos jovens mortos passaram mal no Hospital do Andaraí e precisaram de atendimento médico. O enterro dos primos Marcelo, Leonardo e Francisco será hoje, às 15h, no Cemitério do Catumbi.

Moradores abandonam casas na comunidade

Durante todo o dia, dezenas de moradores do Morro dos Macacos podiam ser vistos abandonando suas casas, levando pertences em sacos plásticos embrulhados em lençóis. O comércio próximo aos acessos do morro fechou em alguns pontos. Nos locais onde continuou funcionando, o movimento foi muito pequeno.

Apesar do risco de nova guerra, parentes dos quatro jovens do Peugeot não pretendem sair do morro, onde a família vive há mais de 30 anos. “Em 33 anos de Morro dos Macacos, nunca tinha visto coisa igual. Eu criei meus filhos aqui e nunca se envolveram com o crime nem usaram drogas. O mundo acabou para mim, mas não vou sair da minha casa. O Rio de Janeiro todo está tomado pela violência”, disse a dona de casa Maria da Costa Ferreira Gomes, 52 anos, mãe de Marcelo Ferreira Gomes.

Mãe dos dois irmãos baleados, Maria Luisa Vieira da Silva, 47, conta que os filhos moravam com o pai, no morro: “Eu já desanimei dessa cidade, é morte todo dia. Se eu soubesse quem fez isso aos meus filhos, eu me vingaria”.

Ontem, o filho de Leonardo Fernandes Paulino, dono do carro metralhado, comemoraria seu aniversário de 5 anos. A festa, que estava sendo preparada pelo pai, teve de ser cancelada. Francisco Alailton, atingido por tiros no braço e internado em estado grave, é pai de um menino de um ano e cinco meses e sua mulher está grávida de três meses.

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