
Mais de um século após a abolição, o povo negro continua sendo perseguido pela polÃcia tal qual era pelos capitães do mato. A população negra continua recebendo os menores salários, tendo acesso precário à educação, saúde e outras polÃticas públicas.
Este conjunto de desigualdades entre negros e brancos o movimento negro brasileiro denuncia como o genocÃdio da população negra que atinge principalmente nossa juventude e que tem na sua face mais cruel o extermÃnio direto da juventude negra seja pelas forças de repressão do Estado, seja pelo crime organizado.
Dentro deste quadro de genocÃdio a criminalização do uso de drogas, com seu produto direto que é o comércio ilegal das drogas representa uma arma fundamental para manutenção da hegemonia das elites escravocratas em nossa sociedade.
A criminalização das drogas é usada como forma de criminalização da pobreza e de negras e negros. São pobres e negros as principais vÃtimas desta “guerra à s drogasâ€.
As crianças negras que são recrutadas para o tráfico e executadas pela polÃcia são exemplos reveladores do caráter racista desta polÃtica de combate à s drogas. São jovens negras e negros a maioria dos presos por tráfico. Pertencem a negras e negros a maioria das casas invadidas ilegalmente pela polÃcia todos os dias. Sob o pretexto de combater as drogas e o crime organizado, nossas comunidades são invadidas diariamente pelas forças de repressão do Estado que aterroriza nosso povo e o mantém num estado constante de terror e medo.
O racismo permanece em nossa sociedade, porque há uma elite que domina a sociedade e se beneficia diretamente dele. Da mesma forma, estas elites não querem a legalização das drogas, pois além de boa parte dela manter relações estreitas com o tráfico, a “guerra às drogas†as beneficia diretamente, pois é este um dos meios mais eficazes que estas elites possuem de controlar militarmente negros e pobres, em geral.

O comércio ilegal de drogas é uma atividade que gera bilhões de dólares em todo o mundo. É óbvio que por trás de toda esta cadeia de crime organizado, estão bancos, grandes indústrias, polÃticos, juÃzes etc. No entanto, os presos por tráfico são quase sempre, negros e pobres, apontados como grandes chefes do crime.
No passado, as proibições da capoeira, do maracatu e de nossas religiões eram usadas como forma de controlar e criminalizar nosso povo. Hoje, a proibição das drogas cumpre este mesmo papel.
Por isso que no próximo dia 20 de maio a juventude negra pernambucana deve participar da Marcha da Maconha em Recife. Por entendermos que a constituição de uma nova polÃtica sobre drogas que leve ao fim do tráfico é parte do combate permanente que temos que travar contra o genocÃdio da juventude negra.
Anderson Rodrigo
Militante do Movimento Negro Unificado e do Fórum de Juventude Negra de Pernambuco