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Outubro 05, 2012

Procurador do RS quer invalidar parecer de antropóloga sobre reserva por ela ter tomado Ayahuasca

Procurador diz que houve fraude em laudo sobre área no norte do Estado

Chefe de equipe responsável pelo laudo teria viajado com índios e participado de ritual

Zero Hora

A denúncia de suposta fraude no laudo antropológico que determinou a delimitação de 4.230 hectares como reserva indígena faz crescer a tensão no norte do Estado. Segundo o procurador do Estado Rodinei Candeia, uma antropóloga teria incluído informações fraudulentas no documento após viajar com índios e participar de ritual com o uso de chá alucinógeno.

A área de Mato Preto, que abrange os municípios de Getúlio Vargas, Erebango e Erechim, foi declarada de posse indígena em portaria publicada pelo Ministério da Justiça em 21 de setembro, o que gerou protestos dos 1,2 mil agricultores que moram nas terras.

— O laudo antropológico é uma fraude absoluta — garante o procurador do Estado, Rodinei Candeia, que tenta reverter a decisão.

Ao contestar a ação do Ministério Público Federal que busca agilizar a demarcação, o procurador disse ter encontrado indícios de que a antropóloga Flávia de Mello, que chefiou a equipe responsável pelo laudo, teria participado da decisão de ocupar a área. Isso teria sido acordado durante ritual indígena em Cacique Doble, no Norte, onde teria havido uso de chá alucinógeno com ervas usadas pela seita de Santo Daime.

Candeia afirma ter retirado a informação da tese de doutorado de Flávia, publicada em 2006 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que narra rituais ocorridos na aldeia em Cacique Doble.

— Depois de tomar o chá, o pajé deles, Eduardo Karay, teve uma visão e disse que deveriam ir para uma área em que passou quando criança. No dia seguinte, colocaram fogo na aldeia e, com apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram para Mato Preto — destaca o procurador.

De acordo com Candeia, Flávia teria participado da viagem até a área, e quando nomeada para chefiar a equipe de estudos contratada pela Funai, teria colocado no laudo informações fraudulentas.

Entrevista – Flávia Cristina de Mello, antropóloga

“Não sou uma profissional aventureira”

Doutora em Antropologia, Flávia Cristina de Mello contesta a versão apresentada pelo procurador do Estado Rodinei Candeia. Atualmente morando em Ilhéus (BA), ela conversou por telefone com Zero Hora ontem e disse que pretende ingressar com uma ação judicial contra o procurador.

Zero Hora — O procurador Rodinei Candeia disse que houve fraude no laudo antropológico devido à suposta intimidade sua com os indígenas. Isso é verdade?

Flávia Cristina de Mello —A acusação de fraude é grave e será levada a processo. Caberá avaliar processá-lo por calúnia, difamação e atentado contra minha integridade profissional. Este procurador está batendo em ponta de prego, não vai conseguir desqualificar a minha tese e se queria contestar a demarcação devia procurar argumentos válidos.

ZH – A senhora assistiu ou participou de ritual indígena com o uso de chá alucinógeno?

Flávia –O uso das chamadas “plantas de poder” faz parte dos rituais da maioria dos povos indígenas que ainda praticam suas religiões, e não é diferente entre os guaranis. Isso não desabona em nada o processo de reivindicação do grupo. Ao contrário, reforça o argumento de tradicionalidade. Se houvesse acontecido, seria uma bobeira de minha parte descrever isso na tese, porque enfraqueceria meus argumentos. Temos metodologia de trabalho onde é preciso ter certo distanciamento do objeto pesquisado para fazer a análise. Não sou uma profissional aventureira, minha tese foi indicada a prêmios.

ZH – Então o convívio com índios não influenciou no laudo? 

Flávia – Minha tese trata dos temas da cosmologia, xamanismo e da etnografia e sociologia da vida cotidiana. Portanto, essa observação está presente nos meus dados, tratados com todo rigor metodológico necessário para abordar o tema, o que enriquece as observações e não compromete em nada os resultados da análise. Nada na minha tese desmerece o laudo antropológico. Ao contrário, depois da confecção, o relatório já passou pelo crivo de vários especialistas, e, se passou, é porque tinha consistência.

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