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Dezembro 10, 2013

Uruguai torna-se o primeiro país a legalizar produção, distribuição e consumo de maconha

Após uma votação longa e apertada, no melhor estilo baseadão de comemoração, o Senado uruguaio aprovou o projeto de lei que torna o país o primeiro a regulamentar produção, distribuição e consumo de cannabis. Ousadia mundial que virou lei nacional dos nossos vizinhos do sul. Hoje são eles, amanhã seremos nós. Afinal, som@s tod@s herman@s e merecemos curtir as brisas do progresso em vez das brasas do atraso. O Uruguai é aqui: LEGALIZA!

O projeto deve ser sancionado pelo presidente Mujica em até 10 dias e implementado em até 120. Caso queira ler o PL na íntegra, CLIQUE AQUI.

Senado do Uruguai aprova regulamentação da maconha

O GLOBO (EMAIL)

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Publicado:10/12/13 - 22h25
Atualizado:10/12/13 - 23h08
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Uruguaios participam da “Última manifestação com a maconha ilegal”, poucas horas antes da aprovação do projeto<br /><br /><br /><br /><br />
Foto: ANDRES STAPFF / REUTERS
Uruguaios participam da “Última manifestação com a maconha ilegal”, poucas horas antes da aprovação do projeto ANDRES STAPFF / REUTERS

MONTEVIDÉU — Depois de mais de doze horas de discussão, o Senado do Uruguai aprovou nesta terça-feira a lei de estatização do mercado da maconha, por 16 votos a 13 – tornando-se o primeiro país do mundo a regularizar a produção e distribuição da erva. Antes do debate acalorado, o próprio presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, alimentou a fúria da oposição ao admitir que seu país não estava pronto para se tornar o primeiro do mundo a regulamentar o cultivo, distribuição e uso da maconha. Mas, ele também se disse seguro de que “a dúvida não pode paralisar a abertura de novos caminhos”.

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Com a nova lei, os usuários de maconha terão que ser maiores de 18 anos e poderão comprar 40 gramas por mês em farmácias autorizadas pelo Estado – após um cadastramento para que essas aquisições possam ser monitoradas. Os uruguaios também poderão cultivar para consumo próprio seis plantas – ou 480 gramas anuais. A Junta Nacional de Drogas prevê a comercialização de quatro ou cinco tipos de cannabis ao preço de US$ 1 por grama. Não será permitida a venda a estrangeiros e, um novo órgão, o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCCA) ficará responsável por dar licenças, multar e suspender o registro de infratores.

Resta agora somente a Presidência sancionar a lei, que poderá entrar em vigor após 120 dias, prazo para para que o governo conclua as regras de todo o mercado de maconha, da plantação ao cigarro, passando pelo preço e pelo registro de todos os envolvidos no processo – incluindo os consumidores.

– Começamos a nova experiência em abril. Culturalmente ela envolve uma grande mudança focada na saúde pública e na luta contra o tráfico de drogas – disse a primeira-dama uruguaia, a senadora Lucía Topolansky.

Durante todo o dia, manifestantes favoráveis à medida se concentraram na Plaza Cagancha. Mas, no plenário, temerosa de que as novas regras façam crescer o consumo das drogas, a oposição questionou vários pontos da proposta, considerada inconstitucional. Mais cedo, com o estilo simples e tranquilo que lhe é peculiar, Mujica admitiu que há dúvidas legítimas sobre o sucesso da empreitada.

– Não estamos totalmente prontos, mas é como você, que aprendeu a ser jornalista quando te deram a oportunidade – afirmou o presidente ao Canal 4. – É preciso audácia para buscar outros caminhos e tirar da clandestinidade os jovens que entram no consumo e não se sabe onde vão parar.

Para o senador Jorge Larrañaga, da Aliança Nacional, no entanto, o projeto vai levar o Uruguai ao “abismo”, já que os viciados, acredita, poderão trocar suas doses de maconha por outras drogas pesadas no mercado negro.

– Este governo perdeu o rumo – criticou o provável candidato da oposição à Presidência.

O consumo de maconha já é legal no Uruguai, e a base desta nova lei é coibir a ação do narcotráfico: o presidente acredita que ao deixar nas mãos do Estado todo o controle sobre cultivo, colheita, produção importação, exportação e comercialização da cannabis e seus derivados, estará minando o comércio de drogas no país de 3,4 milhões de habitantes.

Comparação com um purgante

No Senado, enquanto governistas mostraram seu entusiasmo com o passo que estavam prestes a dar, a oposição criticou detalhes do projeto de lei, que classificou de inconstitucional.

– A lei representa uma política decidida e inovadora, para combater o crime organizado – afirmou o senador oficialista Roberto Conde.

Sua companheira de bancada, Constanza Moreira, destacou que a lei volta a colocar o país na vanguarda da América Latina.

– Para muitos de nós, hoje é um dia histórico. Muitos países da América Latina, e muitos governos, tomarão esta lei como exemplo.

Já o representante nacionalista Luis Alberto Heber questionou o critério que estabelece o plantio de seis pés de cannabis, e não sete ou oito. O senador colorado Alfredo Solari citou estudos que alertam sobre os danos à saúde provocados pela maconha, que pode levar à dependência:

– Se aprovamos a lei, podemos nos converter en um foco regional para o turismo de cannabis, como teme a região – disse.

Antes do fim da votação, o presidente uruguaio comparou a droga a um purgante, em declarações ao Canal 4. Aos 78 anos e garantindo que nunca fumou maconha, Mujica ressaltou:

– Isso não é um viva ao baseado. É como alguém que toma um purgante: é tomar medidas que não são bonitas, mas não podemos deixar as pessoas entregues ao narcotráfico.

Apesar da agenda progressista, a regulamentação tem o apoio de apenas 27% dos uruguaios, segundo o instituto Equipos Consultores – alta de seis pontos em relação a junho, quando o projeto passou na Câmara. A oposição à liberalização, embora tenha diminuído, continua alta: passou de 68% 58%.

 

Senado uruguaio legaliza produção e comércio de maconha

Do UOL, em São Paulo


  • Uruguaios participam nesta terça-feira (10) da 'Última Marcha com Maconha Ilegal', em MontevidéuUruguaios participam nesta terça-feira (10) da ‘Última Marcha com Maconha Ilegal’, em Montevidéu

Após um longo dia de debate no plenário, o Senado do Uruguai aprovou na noite desta terça-feira (10), por 16 votos a favor e 13 contra, um projeto de lei que legaliza a produção e o comércio de maconha no país. A proposta, considerada única no mundo, foi impulsionada pelo governo, que tem maioria na Casa.

O projeto já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados, e o presidente José Mujica tem agora dez dias para sancionar a proposta. Após essa etapa, os congressistas terão 120 dias para regulamentar a lei, e então começará a produção e a venda de maconha de forma controlada pelo Estado, que criará um registro de consumidores e distribuirá a substância em farmácias e casas especializadas.

Segundo o governo, o objetivo da lei é tirar poder do narcotráfico e reduzir a dependência dos uruguaios de drogas mais pesadas. Em uma entrevista, o presidente Mujica se referiu ao projeto como uma decisão política que “não é bonita”, mas que foi tomada para não “presentear pessoas ao narcotráfico”.

Uma agência estatal, o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCCA), ligado ao Ministério da Saúde Pública, será responsável, por sua vez, por emitir licenças e controlar produção, distribuição e compra e venda da droga.

Todos os residentes no país maiores de 18 anos que tenham se registrado como consumidores para o uso recreativo ou medicinal da maconha poderão comprar a erva nas farmácias autorizadas. O cultivo de maconha também estará liberado em casa.

Preço e quantidade

A lei limita a quantidade máxima que um usuário pode portar, 40 gramas, e também determina o máximo que uma pessoa pode gastar por mês com o consumo do produto.

Ainda não está claro, no entanto, qual será o preço da maconha legal. Embora o governo pretenda competir com o narcotráfico estabelecendo preços de mercado –por exemplo, US$ 1 (R$ 2,30) por grama–, organizações de usuários asseguram que essa meta será difícil de ser cumprida. (Com agências internacionais)

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