• Home
  • Quem somos
  • A razão entorpecida
  • Chame o DAR pra sua quebrada ou escola
  • Fale com a gente
  • Podcast
  • Quem somos
  • A razão entorpecida
  • Podcast
  • Chame o DAR pra sua quebrada ou escola
  • Fale com a gente
Agosto 21, 2014

Chapei a xana com lubrificante de maconha

Da Vice

By Mish Way ago 20 2014

Posando como lubrificante íntimo de maconha. Fotos por Mish Way. 

Não sou muito da erva. Quando se trata de fumar maconha, não achei minha “janela terapêutica”. Sei exatamente quanta cocaína ou metanfetamina consigo usar numa sentada e consigo até lidar com algumas doses de morfina, mas quando o assunto é fumar maconha, cada tragada é sempre um excesso, e eu acabo tanto “dentro da minha cabeça” que me dá vontade de pular da janela.

Vou parecer meu pai falando agora, mas a erva é outra coisa hoje em dia. É supermaconha. É maconha com speed. Maconha com mais maconha, jogada numa castelo inflável de THC e misturada com um monte de coisas para ser ainda mais forte. Posso usar qualquer droga do mundo, mas geralmente passo a vez quando me entregam um bong numa roda.

Então, quando ouvi sobre o Foria, o primeiro lubrificante de cannabis do mundo, criado especialmente para aumentar o prazer feminino, achei que seria uma boa maneira de superar meu medo da droga. Nesse caso quem faria o trabalho seria a minha vagina, e eu confio mais nela do que na minha cabeça.

Semana passada, em Los Angeles, encontrei Matthew Gerson, o criador do Foria (ou “Diretor de Bem Estar”, como ele é conhecido em seu coletivo, o Aphrodite Group). Depois que mandei um e-mail para eles pedindo amostras para a matéria, Gerson quis sair e conversar sobre seu novo produto.

+ SÁBADO: Festa Liberdade Ras Geraldinho, rastafari preso em 2012 por plantar maconha

Ele tem a seguinte teoria sobre mulheres, sexualidade e plantas (acho que concordo com ele): “Estou cultivando algumas mudas de maconha no momento”, ele explicou. “E se você passa um tempo com essas plantas, você percebe como a erva é fascinante. Maconha é essencialmente uma planta feminina cheia de tesão. É a fêmea que é colhida e secreta o fluído, que quer ser polinizada, e quando é polinizada se abre e produz mais e mais. Há uma conexão estranha entre a fêmea humana e a planta fêmea. Nós evoluímos com as plantas. Temos um receptor que absorve com sucesso o THC. Temos essa capacidade de absorver o pólen de uma planta secreta porque nossa psicologia se ‘codesenvolveu’.”

Gerson não é um daqueles ativistas estereotipados da erva, até porque ele nunca foi um. Esteticamente, não é nem um pouco riponga e admite que só começou a trabalhar com cannabis quando teve a ideia do Foria. Quando tinha seus 20 e poucos anos, estava estudando para se tornar monge budista, mas logo mudou seu foco do mosteiro para aspirações de saúde e de bem-estar. (Ele é um grande fã do Paul Farmer e acredita muito em diminuir o sofrimento humano.) Fundou então a Sir Richard’s Condom Company com seu amigo Mark Batiste, inspirado por uma palestra de um amigo na TED. Essa foi uma experiência em branding e sexo seguro que o levou e a Sir Richard’s para o Haiti.

“Fiquei na companhia por três anos”, explicou Gerson. “Isso aumentou ainda mais meu interesse pelo lado da saúde que o sexo envolve.”

“Não fumo maconha há muito tempo. É um remédio forte para mim. A maconha está melhor, e há mais conhecimento flutuando por aí. Você pode se automedicar, mas também pode fazer isso de um jeito muito, muito errado. Eu tinha usado maconha na minha vida com parceiros em situações íntimas. Tem alguma coisa aí, sabe? Comecei a pesquisar e descobri que o uso afrodisíaco da maconha é algo muito bem documentado – na medicina chinesa, em práticas hindus e em muitas outras culturas”, disse Gerson. “Ninguém simplesmente fuma maconha hoje; há muitas outras maneiras refinadas de se usar isso. Logo me interessei pelos óleos. Então, sendo do mundo das camisinhas e da saúde sexual, quando ouvi sobre o óleo, imediatamente pensei em lubrificante. Usei óleo de coco no Foria porque isso é muito bom para a higiene feminina. Ele proporciona uma cobertura muito boa.”

Matthew Gerson. Foto via Facebook. 

Ele conversou com médicos (aliás, os pais deles também são médicos) e se certificou de que o que estava fazendo era seguro. O Foria passou por muitas fases, e Gerson desenvolveu a melhor versão do pré-lubrificante (o produto, na verdade, não deve ser usado como lubrificante – algumas borrifadas uma hora antes do sexo são o que faz efeito) trabalhando com cientistas que o ajudaram a aperfeiçoar a dose e a potência. Nada de pesticidas, nada de fungos. No momento, o Foria só está disponível na Califórnia, e para quem tem a carteirinha de usuário medicinal de maconha. (Mas ele diz que até que o produto possa ser adquirido em outros estados e países, ele não vê problema em ajudar outros a fazer uma versão DIY do produto. Tipo um Foria “de pobre”.)

Mas mais importante: Gerson estava fixado na ideia de que não havia produtos no mercado para ajudar as mulheres a atingir o orgasmo – mulheres que sentem que o prazer é um problema e não conseguem nem relaxar o suficiente durante o sexo para chegar lá. Para uma cultura tão obcecada pelo sexo quanto a nossa, somos infantis quando se trata de conversar realmente sobre prazer, sobre nossos corpos e sobre como chegar ao orgasmo. Viagra e Cialis existem para que os homens continuem engravidando mulheres até estarem gagás. As mulheres atingem a menopausa e seu prazer sexual se torna irrelevante para sua saúde. E tenho vontade de gritar quando penso que algumas mulheres nunca tiveram um orgasmo.

Gerson me arrumou Foria o suficiente para deixar minha vagina superchapada, e eu agradeci sua generosidade.

“Vou tirar umas merecidas férias”, ele frisou. “Mas você pode me mandar um e-mail se precisar de qualquer coisa.”

No caminho para casa, eu estava muito curiosa e não consegui esperar. Decidi testar o Foria de forma oral primeiro. Espirrei o produto na boca umas cinco vezes, e mais quatro uns dez minutos depois. O Gerson tinha mencionado que, nos estudos iniciais, as mulheres relataram uma certa chapação usando o Foria oralmente, mas não quando espirravam isso na vagina. Eu queria sentir quão forte era esse efeito pela boca.

Fiz compras e voltei para casa. Meu colega de apartamento estava com um amigo, então ficamos conversando por um tempo, e depois de uma hora ou duas percebi que estava chapada. Mas não daquele jeito imediato e horrível, pensando “minhas mãos são feitas de plástico e minha família me odeia”, que é o efeito que consigo quando fumo maconha. Ao contrário, tive apenas uma sensação suave e relaxada. Eu me sentia leve e calma, como a primeira onda de cogumelo antes de ela bater realmente, ou como a diferença entre esmagar e cheirar Oxicodona e simplesmente tomar a pílula inteira. Era uma chapação lenta. Será que a maconha era legal no final das contas? Tipo, muito legal mesmo.

Close dos produtinhos. 

Depois dessa parada oral, me levantei do sofá e fui para o meu quarto borrifar o Foria na vagina. Eu sabia que meu namorado ia chegar do trabalho logo, e queria dar tempo para o THC fazer efeito lá.

Eu não esperava resultados imediatos com o produto. Como o Gerson disse, ele não faz mágica. Quando seu grupo começou a testar o Foria em mulheres, eles procuraram pacientes de todas as idades. Mulheres na faixa dos 20 anos relataram orgasmos mais intensos, orgasmos múltiplos e experiências de corpo inteiro, enquanto as mais velhas (algumas com mais de 70 anos) disseram que o produto as ajudou a acessar um prazer há anos não sentido. Era algo mais profundo. Elas até dormiam melhor depois de usar o Foria. Mas isso é meio óbvio, né?

“Não dá para reproduzir o sexo. Tipo, vamos usar o mesmo mecanismo e os resultados serão os mesmos. Não funciona assim”, o Gerson tinha me dito. “Tantas coisas podem afetar a experiência… alimentos, álcool, o tipo de relação que você tem com seu parceiro, seu humor naquele dia, enfim. Isso é parte do nosso trabalho: estar OK com esse nível de incerteza. As pessoas querem saber exatamente o que vai acontecer se elas usarem o Foria e eu não posso dar essa resposta. Tentamos colocar da seguinte maneira: testamos esse grupo de mulheres e aqui está o que elas relataram. Sua experiência pode ser similar. Estamos tentando experimentar de modo seguro com essa erva comprovadamente medicinal.”

Na primeira noite em que meu namorado e eu transamos com o Foria, eu já estava chapada, então foi ótimo. Ele me comeu e ficou chapado por lamber o produto de mim, e isso foi bem legal. No entanto, temos uma vida sexual saudável e eu nunca tive problemas para atingir o orgasmo. Meu problema era com a própria maconha.

Decidi borrifar minha vagina com o Foria religiosamente por uma semana.

Toda manhã eu dava quatro borrifadas e mais quatro no meio da tarde. Meu namorado e eu fizemos muito sexo e monitoramos como as coisas estavam mudando. O sexo foi intenso. Notei que certas coisas eram diferentes e os orgasmos eram mais longos, muito mais loucos e pareciam mais fortes. Quando estávamos simplesmente transando no modo clássico, eu sentia isso por dentro de maneira mais focada, como se tudo estivesse funcionando de dentro para fora. Quer dizer, sem querer parece muito hippie aqui, foi muito bacana mesmo, e eu não sei se foi por causa do Foria entre as minhas pernas ou na minha boca.

Conforme os dias foram passando, outras coisas estranhas aconteceram. Quando eu estava fazendo uma trilha em Hollywood com um amigo para tentar entrar em forma, de repente (no meio daquela malhação brutal, exaustiva e nojenta) notei que minha vagina estava ficando molhada. Meu corpo estava sentindo uma dor excruciante e minha genitália estava totalmente excitada. Foi uma loucura.

No entanto, fiquei muito mais empolgada em chapar e transar do que em simplesmente usar o produto na vagina. Mas não seria esse o ponto? Gerson tinha essa teoria sobre como precisávamos desacelerar e relaxar, e pensar sobre a saúde e o bem-estar das nossas vidas cotidianas, e como o sexo saudável e o prazer podem realmente fazer parte disso.

“Não entendo por que a resposta sexual e a experiência do prazer que tiramos da nossa sexualidade meio que foram banidas para apenas um aspecto da nossa experiência humana, tanto com um parceiro ou através da masturbação, a uma função muito limitada”, ele indagou. “Então temos essa grande parte de viver uma vida feliz e bem ajustada, e sim, nossa sexualidade entra aí, e permitir que o prazer do sexo guie nossas abordagens de saúde e bem-estar parece fazer muito sentido. Esses são centros de poder do nosso corpo.”

Orgasmos te deixam feliz. Precisamos desse prazer e dessa liberação. Será que chegamos a um ponto onde precisamos de óleo de THC para relaxar e nos obrigar a fazer isso?

Não posso dizer que o Foria mudou completamente a minha vida sexual, porque ela já era bem incrível antes, mas me fez perceber que a cannabis é um afrodisíaco excelente quando não se fuma isso numa lata de refrigerante. Ter doses corretas e entender o que funciona para mim aumentou meu nível de relaxamento, e me fez esquecer aquele sentimento de pular da janela que mencionei antes.

Ainda estou usando o Foria. Vou continuar chapando a xoxota. Como o Gerson disse, é uma chapação lenta e não quero que a experiência acabe tão cedo. E mais, é muito divertido transar quando sua genitália está bem louca!

Siga a Mish no Twitter.

Tradução: Marina Schnoor

Comments

comments

Nos ajude a melhorar o sítio! Caso repare um erro, notifique para nós!

Recent Posts

  • NOV 26 NÓS SOMOS OS 43 – Ação de solidariedade a Ayotzinapa
  • Quem foi a primeira mulher a usar LSD
  • Cloroquina, crack e tratamentos de morte
  • Polícia abre inquérito em perseguição política contra A Craco Resiste
  • Um jeito de plantar maconha (dentro de casa)

Recent Comments

  1. DAR – Desentorpecendo A Razão em Guerras às drogas: a consolidação de um Estado racista
  2. No Grajaú, polícia ainda não entendeu que falar de maconha não é crime em No Grajaú, polícia ainda não entendeu que falar de maconha não é crime
  3. DAR – Desentorpecendo A Razão – Um canceriano sem lar. em “Espetáculo de liberdade”: Marcha da Maconha SP deixou saudade!
  4. 10 motivos para legalizar a maconha – Verão da Lata em Visitei um clube canábico no Uruguai e devia ter ficado por lá
  5. Argyreia Nervosa e Redução de Danos – RD com Logan em Anvisa anuncia proibição da Sálvia Divinorum e do LSA

Archives

  • Março 2022
  • Dezembro 2021
  • Setembro 2021
  • Agosto 2021
  • Julho 2021
  • Maio 2021
  • Abril 2021
  • Março 2021
  • Fevereiro 2021
  • Janeiro 2021
  • Dezembro 2020
  • Novembro 2020
  • Outubro 2020
  • Setembro 2020
  • Agosto 2020
  • Julho 2020
  • Junho 2020
  • Março 2019
  • Setembro 2018
  • Junho 2018
  • Maio 2018
  • Abril 2018
  • Março 2018
  • Fevereiro 2018
  • Dezembro 2017
  • Novembro 2017
  • Outubro 2017
  • Agosto 2017
  • Julho 2017
  • Junho 2017
  • Maio 2017
  • Abril 2017
  • Março 2017
  • Janeiro 2017
  • Dezembro 2016
  • Novembro 2016
  • Setembro 2016
  • Agosto 2016
  • Julho 2016
  • Junho 2016
  • Maio 2016
  • Abril 2016
  • Março 2016
  • Fevereiro 2016
  • Janeiro 2016
  • Dezembro 2015
  • Novembro 2015
  • Outubro 2015
  • Setembro 2015
  • Agosto 2015
  • Julho 2015
  • Junho 2015
  • Maio 2015
  • Abril 2015
  • Março 2015
  • Fevereiro 2015
  • Janeiro 2015
  • Dezembro 2014
  • Novembro 2014
  • Outubro 2014
  • Setembro 2014
  • Agosto 2014
  • Julho 2014
  • Junho 2014
  • Maio 2014
  • Abril 2014
  • Março 2014
  • Fevereiro 2014
  • Janeiro 2014
  • Dezembro 2013
  • Novembro 2013
  • Outubro 2013
  • Setembro 2013
  • Agosto 2013
  • Julho 2013
  • Junho 2013
  • Maio 2013
  • Abril 2013
  • Março 2013
  • Fevereiro 2013
  • Janeiro 2013
  • Dezembro 2012
  • Novembro 2012
  • Outubro 2012
  • Setembro 2012
  • Agosto 2012
  • Julho 2012
  • Junho 2012
  • Maio 2012
  • Abril 2012
  • Março 2012
  • Fevereiro 2012
  • Janeiro 2012
  • Dezembro 2011
  • Novembro 2011
  • Outubro 2011
  • Setembro 2011
  • Agosto 2011
  • Julho 2011
  • Junho 2011
  • Maio 2011
  • Abril 2011
  • Março 2011
  • Fevereiro 2011
  • Janeiro 2011
  • Dezembro 2010
  • Novembro 2010
  • Outubro 2010
  • Setembro 2010
  • Agosto 2010
  • Julho 2010
  • Junho 2010
  • Maio 2010
  • Abril 2010
  • Março 2010
  • Fevereiro 2010
  • Janeiro 2010
  • Dezembro 2009
  • Novembro 2009
  • Outubro 2009
  • Setembro 2009
  • Agosto 2009
  • Julho 2009

Categories

  • Abre a roda
  • Abusos da polí­cia
  • Antiproibicionismo
  • Cartas na mesa
  • Criminalização da pobreza
  • Cultura
  • Cultura pra DAR
  • DAR – Conteúdo próprio
  • Destaque 01
  • Destaque 02
  • Dica Do DAR
  • Direitos Humanos
  • Entrevistas
  • Eventos
  • Galerias de fotos
  • História
  • Internacional
  • Justiça
  • Marcha da Maconha
  • Medicina
  • Mídia/Notí­cias
  • Mí­dia
  • Podcast
  • Polí­tica
  • Redução de Danos
  • Saúde
  • Saúde Mental
  • Segurança
  • Sem tema
  • Sistema Carcerário
  • Traduções
  • Uncategorized
  • Vídeos